Bolsa hoje: cautela envolvendo variante delta, novidades sobre o Fundão Eleitoral e PEC dos precatórios podem movimentar o dia
No Brasil, novidades sobre o Fundão Eleitoral, que deverá ser vetado pelo presidente, e a PEC dos precatórios, que ficou muito mal explicada, podem movimentar a curva de juros e demais ativos de risco; exterior tem mais um dia negativo

Lá fora, os principais mercados e bolsas de ações asiáticos caíram nesta sexta-feira (20), com as preocupações em torno da disseminação da variante delta novamente tomando o centro do palco, além de repetição da cautela envolvendo regulação na China.
Os investidores estão observando infecções crescentes em todo o mundo, incluindo na Nova Zelândia, que voltou a fechar após relatar seu primeiro surto em seis meses. Com o aumento do número de infecções, especialmente nos EUA, a ameaça da variante delta está se tornando mais aparente, estimulando um sentimento de risco cauteloso.
As Bolsas europeias têm novamente uma manhã difícil, bem como os futuros americanos. Contudo, como vimos ontem (19), a volatilidade verificada no dia a dia do mercado de ações pode inverter o contexto brevemente descrito acima. O próprio Brasil, que chegou a cair mais de 1% na quinta-feira, terminou o dia no positivo, apesar do movimento de venda sobre o mercado de commodities. Confira os detalhes do fechamento da bolsa na última quinta-feira aqui.
A ver...
Temor de o viés eleitoral ter chegado cedo demais
Encerraremos a semana com agenda vazia, de forma semelhante à dos últimos dias. Investidores podem se interessar, porém, pelo encontro em live entre Paulo Guedes, ministro da Economia, e Bruno Funchal, da Secretaria Especial do Tesouro – mercado e bolsa têm se importado menos com a atuação vocal do ministro, mas às vezes palavras ditas de maneira errada podem gerar volatilidade, fato que vale a pena ser acompanhado.
Mesmo vários meses antes do início do período eleitoral, já começamos a colocar na conta o fator eleição e seu efeito estimulante sobre os políticos. Hoje, além de eventualmente podermos aguardar novidades sobre o novo Bolsa Família – aumento de 50% no valor do benefício – e outras medidas com impacto fiscal relevante, o mercado ficará de olho na decisão do presidente Bolsonaro sobre o Fundão Eleitoral, que ainda corre o risco de ser consideravelmente oneroso para os cofres públicos, chegando a 5,7 bilhões de reais.
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Direcionamento pelo “tapering” não deve ameaçar a renda variável
Em sua ata divulgada na quarta-feira (18) e digerida em grande parte ontem (19), o Federal Reserve deu mais um passo para reduzir as compras de títulos mensais, dizendo que a economia dos EUA fez progressos em direção à meta do Fed. Mas embora o tapering tenha interrompido uma recuperação das ações em 2013, o mercado não espera uma reação semelhante desta vez.
Isso porque a bolsa e mercado de ações também está sendo apoiado pela aceleração do crescimento dos lucros. Na temporada, cerca de 90% dos resultados do segundo trimestre do S&P 500 superaram as expectativas, fazendo com que as estimativas para o terceiro trimestre subissem.
Para descrever melhor como se dará o movimento, o presidente do Fed, Jerome Powell, falará sobre isso no simpósio de Jackson Hole na próxima semana, mas a estratégia de comunicação do Fed deverá permanecer cautelosa.
Ingleses e japoneses sob os holofotes globais
Os dados do Reino Unido e do Japão oferecem lições globais. Enquanto as vendas no varejo no Reino Unido foram mais fracas, os japoneses se defrontam com uma dura realidade: os preços ao consumidor mostraram que a economia do Japão está em deflação há 12 meses. Tais movimentos devem ser verificados também em outras localidades ao redor do globo.
Isso porque, em grande parte, como deverá acontecer no resto do mundo, dois efeitos estão acontecendo: i) dissipação do efeito-base da inflação, que se reverte rapidamente; e ii) há um processo de normalização que sucede o repique de crescimento depois de uma recessão, como já verificamos também na China, por exemplo.
Anote aí!
Agenda esvaziada hoje. A Europa digere os dados de vendas no varejo no Reino Unido para o mês de julho e o indicador de preços ao produtor alemão, também de julho, mas esses dados carregam caráter secundário nesta sexta-feira de mais realização para os ativos europeus.
Nos EUA, atenção para os dados de poços de petróleo em operação, que têm relevância adicional depois de um dia de cautela sobre commodities, e para a fala do presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, que participa de evento sobre desenvolvimentos econômicos e política monetária.
No Brasil, novidades sobre o Fundão Eleitoral, que deverá ser vetado pelo presidente, e a PEC dos precatórios, que ficou muito mal explicada, podem movimentar a curva de juros e demais ativos de risco.
Muda o que na minha vida?
Em dados recentes, foi verificado que a expectativa de vida nos Estados Unidos caiu 1,5 ano para 77,3 anos em 2020, a queda mais acentuada desde a Segunda Guerra Mundial (1943), graças em grande parte ao coronavírus – a pandemia de Covid-19 matou centenas de milhares de pessoas por lá e exacerbou overdoses de drogas, homicídios e algumas doenças crônicas. A expectativa de vida nos EUA não é tão baixa desde 2003.
A Covid-19 foi a causa subjacente ou contribuinte de 385,2 mil mortes, tornando-se a terceira principal causa de morte do país em 2020, depois de doenças cardíacas e câncer. Alguns especialistas em saúde populacional disseram que a expectativa de vida pode cair novamente se surgirem variantes contra as quais as vacinas não podem proteger.
Para piorar a situação, a taxa de natalidade dos EUA também caiu 4%, para 3,6 milhões de bebês em 2020, o nível mais baixo em mais de quatro décadas, acelerado pela pandemia e pela decisão das mulheres de adiar a gravidez – a expectativa de vida das mulheres é 5,7 anos maior do que a dos homens.
O crescimento populacional tem um efeito sobre as expectativas de crescimento estrutural de longo prazo de um país. Dificilmente a expectativa de vida vai se recuperar para os níveis pré-pandêmicos em 2021. Em um momento em que a soberania econômica americana já é ameaçada, dados como este só reforçam a tendência de que a demografia no Ocidente terá um papel importante nos próximos anos.
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Um abraço,
Jojo Wachsmann
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