Esquenta dos mercados: Precatórios devem aliviar bolsa por mais um dia, mas inflação dos EUA e covid-19 na Europa preocupam
Ainda hoje, o relatório mensal da dívida e a arrecadação federal de outubro devem movimentar os negócios

O otimismo com a aprovação da PEC dos precatórios pode fazer o Ibovespa sustentar mais um dia positivo nesta quarta-feira (24). Entretanto, as expectativas com a inflação dos Estados Unidos e uma possível elevação dos juros ainda em 2022 podem limitar o avanço da bolsa brasileira.
No fechamento de ontem (23),O Ibovespa encerrou o dia em alta de 1,50%, aos 103.653 pontos. O alívio envolvendo os precatórios aliviou a curva de juros, mas o dólar à vista fechou em alta de 0,27%, cotado a R$ 5,6087.
Os dados mais importantes no panorama internacional ficam para a divulgação do índice de preços ao consumidor (PCE, em inglês) dos Estados Unidos e a segunda estimativa para o PIB do terceiro trimestre. Ainda hoje, a ata da última reunião do Federal Reserve também deve ser destaque, com a possibilidade de novos passos para o tapering e uma sinalização sobre a elevação dos juros no curto prazo.
Por aqui, a Receita e o Tesouro são destaque, com a arrecadação federal em outubro e o Relatório Mensal da Dívida divulgados hoje.
Confira o que deve ser destaque no pregão desta quarta-feira (24):
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No placar dos precatórios
O cenário doméstico volta as atenções para o encaminhamento da PEC dos precatórios para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O líder do governo e relator da proposta, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), calcula ter 16 ou 17 votos favoráveis à aprovação, quando são necessários 14 dos 27 integrantes do colegiado.
A votação da proposta em plenário só deve acontecer na próxima terça-feira (30), mesmo com parlamentares afirmando que a votação tem chances de acontecer ainda nesta quinta-feira (25).
Duas regras principais aumentaram as expectativas do governo e do mercado para a aprovação da PEC: a mudança na regra de cálculo do teto de gastos e a limitação para o pagamento dos precatórios a partir do próximo ano.
Além disso, uma das medidas impõe o Auxílio Brasil como benefício permanente ainda está sob análise, mesmo que o programa não tenha fonte de renda declarada ainda, o que, na prática, é um desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Contas públicas em foco
A Receita Federal deve divulgar ainda hoje a arrecadação federal em outubro e o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, deve comentar os números em coletiva em seguida.
As contas públicas vão para a ponta do lápis hoje com a divulgação do Relatório Mensal da Dívida pelo Tesouro Nacional. Em seguida, Luis Felipe Vital, Coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, concede entrevista sobre o RMD de outubro.
Inflação dos EUA: o PCE decisivo
Depois que o presidente americano Joe Biden confirmou que Jerome Powell permanecerá à frente do Federal Reserve, o mandatário do Banco Central americano deve enfrentar o primeiro grande desafio da nova fase da gestão.
De cara, os dados de preços ao consumidor (PCE, em inglês) de outubro devem avançar 0,3% na comparação mensal, enquanto o núcleo do índice deve subir 0,4% na mediana das projeções. Nos últimos 12 meses, o PCE deve registrar alta de 4,4% e o núcleo de preços, 4,1%.
A inflação nos Estados Unidos e no mundo é motivo de preocupação por parte dos investidores, que esperam uma elevação dos juros em meados de 2022. Essa projeção deve ser confirmada pela ata do Federal Reserve, divulgada ainda hoje, após às 16h.
Ainda hoje deve ser divulgada a segunda estimativa do PIB do terceiro trimestre dos Estados Unidos, o que deve movimentar os negócios.
Lembrete: feriado por lá
Amanhã é Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, o que significa que as bolsas não abrem. Na sexta-feira (26), as negociações acontecem até às 13h, o que deve limitar a liquidez dos negócios no pregão de hoje.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices asiáticos encerraram o pregão desta quarta-feira sem um sinal único. O destaque vai para queda acentuada das ações no Japão, após o aumento das apostas de uma elevação nos juros dos Estados Unidos acontecer antes do esperado.
Na Europa, as bolsas operam em alta, apesar do fôlego contido pela divulgação de dados locais. Os investidores da região ainda permanecem atentos a uma possível quarta onda de covid-19 no velho continente.
Por fim, os futuros de Nova York operam sem direção única antes dos dados de inflação dos Estados Unidos, medidos pelo PCE.
Agenda do dia
- Receita Federal: Arrecadação federal de outubro (10h)
- Receita Federal: Chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, comenta dados da arrecadação de outubro (10h30)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (10h30)
- Estados Unidos: Segunda estimativa do PIB do terceiro trimestre (10h30)
- Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa da abertura do 1º seminário da Corregedoria do Ministério da Economia (10h30)
- Estados Unidos: PCE e Núcleo do PCE(12h)
- Banco Central: Presidente do BC, Roberto Campos Neto, palestra na Global Emerging Markets Year Ahead Conference, evento do Bank of America (12h40)
- Tesouro Nacional: Tesouro divulga Relatório Mensal da Dívida (MD) de outubro (14h30)
- Tesouro Nacional: Coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, concede entrevista sobre o RMD de outubro (15h)
- Estados Unidos: Federal Reserve divulga a ata da última reunião de política monetária (16h)
- PEC dos precatórios deve ser encaminhada à CCJ do Senado
FUTURO NEBULOSO
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