Ajuste na conta de luz deve pesar na bolsa, mas IGP-M pode reduzir medo inflacionário
Arrecadação federal e resultado primário do governo central podem animar os negócios, mas bolsa não pode contar com exterior para subir

Se você está em casa nos últimos meses, deve ter sentido um aumento significativo na conta de luz. Para quem mora sozinho e passa o dia fora, ficar 24h por dia conectado em um computador pode ter alterado seu consumo.
Então, segure-se: a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve divulgar o novo reajuste da bandeira tarifária para o valor cobrado por cada quilowatt (kW). Essa seria uma maneira de compensar os gastos com as termelétricas usadas para gerar energia, tendo em vista que as hidrelétricas estão sofrendo com a crise hídrica.
O impacto deve ser sentido nos indicadores de inflação, que não param de subir no Brasil. O índice geral de preços - mercado (IGP-M) foi divulgado agora pouco e deve movimentar os negócios ao longo do dia.
Quem faz o cálculo do IGP-M é a Fundação Getúlio Vargas, a FGV, e a instituição aponta que o índice recuou 0,60%, frente às estimativas de queda de até 1,0% este mês, de acordo com a mediana das projeções de especialistas ouvidos pelo Broadcast.
No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador avançou 35,75%, abaixo das estimativas de alta de 36,30%. Com isso, o IGP-M deve reduzir os temores inflacionários até a divulgação do IPCA, dado oficial.
Por fim, a Receita Federal e o Tesouro Nacional devem divulgar os dados do setor público. A arrecadação federal primária e o resultado primário do governo central podem dar novo ânimo aos negócios. A retomada da economia deve influenciar diretamente ambos os dados.
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Fechamento
Ontem, o Ibovespa conseguiu driblar a cautela e subiu 0,14%, aos 127.429 pontos. Já o dólar à vista recuou 0,19%, a R$ 4,9283. Confira o que pode influenciar a bolsa brasileira e a moeda americana nesta terça-feira (29):
Federal Reserve
Os investidores internacionais devem ficar atentos na quinta-feira (1º) e na sexta-feira (02), quando serão divulgados dados do emprego nos EUA. O Federal Reserve, o BC americano, reiterou o compromisso com a redução da taxa de desemprego para ajustar sua política monetária.
A “prévia” começa com os pedidos de auxílio desemprego na quinta, que devem dar o tom para o relatório de empregos da folha de pagamento (payroll) e taxa oficial de desemprego.
Conta de luz
Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, negou a necessidade de racionamento de água em virtude da crise hídrica que se avizinha. Entretanto, cobrou “consumo consciente” dos brasileiros em regiões mais afetadas pela seca.
De acordo com economistas ouvidos pelo Broadcast, um aumento na conta de luz pode ter um impacto na inflação entre 0,25 pontos percentuais até 0,40 pontos percentuais. O índice de preços medido pelo IPCA já ultrapassa o limite da meta de 5,25% estipulado pelo BC para o ano. No acumulado de 12 meses, o índice avança 8,13%.
Hoje, a Aneel deve divulgar o reajuste na bandeira tarifária (confira a agenda do dia).
Bolsas pelo mundo
O medo da variante delta do coronavírus afetou o humor dos mercados ontem e chegou a pressionar os índices asiáticos hoje, que fecharam em baixa generalizada. O medo de uma nova onda de covid-19 e a possibilidade de uma nova paralisação das atividades está no radar dos investidores.
Na direção contrária, as bolsas da Europa avançam após dados locais da confiança do consumidor. Mas a cautela com o avanço da variante delta deve limitar os ganhos ao longo do dia.
Chegando em Wall Street, futuros de Nova York operam de maneira mista, à espera das falas dos dirigentes do Fed e de olho nos dados do desemprego e da folha de pagamento (payroll) que devem ser divulgados perto do final da semana.
Agenda do dia
- FGV: Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho (8h)
- Receita Federal: Arrecadação federal em maio (10h30)
- Estados Unidos: Confiança do consumidor em junho (11h)
- Tesouro Nacional: Resultado primário do Governo Central de maio (13h)
- Tesouro Nacional: Secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araújo, e subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, Pedro Jucá, participam de coletiva sobre o resultado primário de maio (13h30)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (17h30)
- China: Índice do gerente de compras (PMI) industrial de junho (22h)
- Aneel define reajuste de bandeira tarifária
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