Orçamento e CPI da Covid seguem no radar do investidor, com inflação dos EUA à caminho
O noticiário de Brasília segue o mesmo, enquanto os indicadores econômicos devem chacoalhar o mercado
Não, esta não é uma cópia do mesmo pré-mercado de ontem. O Orçamento para 2021 segue como um impasse para o governo federal, a instauração da CPI da Covid ainda é uma pedra no sapato do presidente Jair Bolsonaro e o avanço da pandemia é preocupação corrente para a volta da retomada econômica. Nada tão novo sob o sol.
Mas para apimentar esta terça-feira (13), teremos dados da inflação americana às 9h30, o que deve movimentar os mercados mundiais. Enquanto o dragão não aparece, as bolsas asiáticas e europeias refletem seus próprios noticiários domésticos.
Confira os destaques para o dia de hoje:
Fechamento de ontem
O Ibovespa ignorou o exterior e fechou positivo, avançando 0,97%, aos 118.811 pontos. Enquanto isso, o dólar à vista registrou uma alta de 0,84%, a R$ 5,722. Mesmo com cenário político conturbado, os investidores se apoiaram nas pequenas alegrias e perspectivas positivas para manter o índice no azul.
Inflação (dos EUA)
Hoje é dia de dados da inflação dos Estados Unidos, chamado de CPI e Núcleo do CPI. A mediana das expectativas é de um avanço de 0,5% entre fevereiro e março, com previsão de alta entre 0,4% e 0,8%. O medo da inflação norte-americana disparar deve ser um fator de peso para a bolsa de hoje, tendo em vista as recentes declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Jerome Powell, manter uma postura de injeção de dinheiro na economia.
Ele afirmou ontem que a alta de juros para este ano faz parte de um cenário muito improvável, o que deve ser motivo de preocupação por parte dos investidores.
Leia Também
Ao mesmo tempo, o presidente americano Joe Biden está debatendo o novo pacote de estímulos de US$ 2 trilhões. Para não afetar a inflação no curto prazo, os investimentos serão feitos no setor de infraestrutura ao longo de dez anos e será pago com um aumento de impostos para empresas.
Biden afirma que está disposto a negociar um aumento de 21% para 25%, ao invés de 28% proposto pelo presidente americano. Os investidores devem acompanhar os desdobramentos dessa discussão.
Orçamento 2021
Para tentar destravar o impasse do Orçamento para 2021, o governo estuda sancionar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê um aporte de até R$ 18 bilhões em obras patrocinadas por parlamentares fora do teto de gastos.
A equipe econômica quer reduzir esse valor para R$ 15 bilhões, além de reeditar o uso de R$ 10 bilhões para o chamado Benefício Emergencial (BEm), que permite redução de salário e jornada por parte das empresas.
O grande problema da PEC é a extrapolação do teto de gastos por parte do governo federal. O texto deve ser analisado pela equipe econômica, mas especialistas do mercado já antecipam que o projeto deve sofrer alterações.
CPI da Covid
A leitura no Plenário do Senado do requerimento de criação da CPI da Covid está prevista para esta terça-feira (13), de acordo com a Agência Senado. O documento pede a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia e o colapso da saúde no estado do Amazonas no começo do ano.
Entretanto, alguns senadores propõem que as investigações alcancem também os governos estaduais, distrital e municipais, o que pode ocorrer com a ampliação das investigações ou até com a criação de outra comissão.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu com preocupação a instauração da CPI da Covid, tendo em vista que, no primeiro texto, constava apenas a inclusão do governo federal nas investigações.
As pressões em cima do governo federal sobre o Orçamento e a CPI da Covid seguem como um impasse para o presidente Jair Bolsonaro, que já conta com mais de 100 pedidos de impeachment, de acordo com a Agência Pública.
Isso coloca o presidente em uma situação desfavorável com o Congresso e pode travar o avanço da agenda liberal e de privatizações, que precisam do apoio do Centrão para serem aprovados.
Assembleia da Petrobras
O governo federal conseguiu impor sua vontade na Petrobras com a substituição de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, na reunião da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de ontem.
Sete dos oito nomes indicados pelo governo federal foram eleitos, enquanto fundos internacionais de investimento ficaram com duas cadeiras no conselho de administração.
Bolsas pelo mundo
As bolsas asiáticas fecharam de maneira mista na manhã desta terça-feira (13), refletindo os dados da balança comercial chinesa e preocupações com o avanço da covid-19 na região e em outras partes do mundo. As exportações chinesas subiram 30,6% em março, na comparação anual. Apesar de vir abaixo do esperado, analistas afirmam que o país está na rota da retomada econômica após os efeitos da pandemia.
Já as bolsas europeias iniciaram o dia com altas mais fortes, puxadas pelos indicadores locais e notícias corporativas favoráveis ao mercado. Os investidores devem ficar de olho na inflação americana e o início da nova temporada de balanços dos grandes bancos.
Além disso, os futuros de Nova York operam próximos da estabilidade, com leves ganhos, em compasso de espera para a inflação americana.
Agenda do dia
Confira os principais eventos e indicadores econômicos para o dia:
- IBGE: Vendas no varejo e varejo ampliado (9h)
- EUA: CPI e Núcleo do CPI (a inflação dos EUA) de março (9h30)
- Ipea: Indicador da inflação por faixa de renda de março (10h)
- Banco Central: Presidente do BC, Roberto Campos Neto, concede entrevista à bloomberg (19h30)
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
Nem o ‘Pacman de FIIs’, nem o faminto TRXF11, o fundo imobiliário que mais cresceu em 2025 foi outro gigante do mercado; confira o ranking
Na pesquisa, que foi realizada com base em dados patrimoniais divulgados pelos FIIs, o fundo vencedor é um dos maiores nomes do segmento de papel
