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JP Morgan diz que saída de executivo da XP do conselho da B3 elimina potencial conflito de interesses em possível novo negócio; analistas rebaixaram a ação da operadora da bolsa
A saída de um representante da XP do conselho de administração da B3 é um sinal de que o grupo de Guilherme Benchimol pode avançar sobre o monopólio da operadora da bolsa brasileira, disseram analistas do JP Morgan nesta quarta-feira (2).
O CEO do Banco XP, José Berenguer, anunciou a saída do conselho da B3 nesta semana, depois de ter sido reconduzido ao cargo em abril — ele ficaria no posto até 2023. O executivo era o único da XP no grupo.
Para o JP Morgan, a decisão de saída de Berenguer pode não estar ligada a uma estratégia de curto prazo, mas facilitaria a nova empreitada, uma vez que não haveria mais potencial conflito de interesses.
"Dada a participação dominante no mercado da XP, de cerca de 20%, uma nova bolsa seria mais facilmente alcançável".
JP Morgan, em relatório.
Os analistas do JP Morgan lembram que gigantes como Itaú, Bradesco e Santander têm membros no conselho do B3. Ex-executivos do alto escalão do Banco do Brasil e Credit Suisse também compõem o grupo. "É inusitado ter o maior player do mercado sem participação no conselho da B3", disseram.
O CEO do Inter, João Menin, assume a cadeira de Berenguer no conselho da B3, em um momento de expansão do banco digital — e saída dos papéis da empresa na bolsa brasileira. Procurada, a XP preferiu não comentar o assunto.
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O JP Morgan reduziu a recomendação para as ações da B3 (B3SA3), de "compra" para "neutro" e atualizou o preço-alvo para R$ 21, ante R$ 23. Os papéis da operadora da bolsa brasileira fecharam, nesta quarta, em queda de 3,90%, a R$ 17,01, maior queda do Ibovespa no dia.
Os analistas da instituição citam o risco de uma concorrente, a exemplo do que aconteceu no México — onde a inauguração da Bolsa Institucional de Valores (Biva) em 2018, a segunda do país, teve impacto de 30% sobre os preços na Bolsa Mexicana de Valores (BMV).
Segundo o JP Morgan, em um cenário competitivo, a B3 teria de comprimir as margens substancialmente em um primeiro momento.
O banco também justifica a nova recomendação para as ações da B3 com os volumes de negociação "potencialmente mais fracos".
Em abril, o mercado de ações movimentou R$ 31,5 bilhões diários, uma queda de 14% em relação ao mês anterior — mas uma alta anual de 13%.
A projeção anterior do JP Morgan era de que a B3 movimentasse R$ 37 bilhões, na média anual. Mas o banco atualizou a estimativa para R$ 35 bilhões.
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