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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Está caro?

Ficou mais barato virar sócio do Nubank. Mas será que vale a pena investir no IPO mais badalado do ano?

Banco digital já reduziu o valor pedido, mas será que o valuation está atrativo? Veja tudo que você precisa saber sobre o IPO do Nubank e saiba se vale a pena entrar

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
1 de dezembro de 2021
5:30 - atualizado às 18:09
Cartão do Nubank sobre várias notas de 100 reais em cima de uma mesa de madeira
Faixa indicativa de preço das ações passou de US$ 10 a US$ 11 para US$ 8 a US$ 9. Imagem: Shutterstock

Depois de muito suspense, o Nubank finalmente vai abrir capital e fazer a sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O banco digital do cartão roxo listará suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, a NYSE, e simultaneamente lançará BDRs (Brazil Depositary Receipts) na B3.

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Os BDRs são recibos de ações negociadas em bolsas estrangeiras, que podem ser comprados e vendidos na bolsa brasileira. Como eles representam essas ações, a oferta de BDRs permitirá aos brasileiros participar do IPO do Nubank sem a necessidade de abrir conta numa corretora no exterior. É como investir em ações negociadas aqui.

Com a oferta, o Nubank espera captar entre US$ 2,3 bilhões e US$ 3,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 13 bilhões a R$ 18,9 bilhões, considerando a cotação do dólar utilizada no prospecto da oferta. Se bem-sucedido, chegará ao mercado valendo em torno de US$ 40 bilhões.

O valor é inferior ao almejado inicialmente pela fintech, que pretendia ir a mercado avaliada em cerca de US$ 50 bilhões. Mas ontem (30), o Nubank anunciou que reduziria a faixa indicativa de preço em 20%, o que também derrubou o valuation pretendido.

Ainda assim, a cifra impressiona. Afinal, se o Nubank puder ser avaliado em US$ 40 bilhões, isso significa que ele vale mais do que o Itaú, o maior banco da América Latina, cujo valor de mercado está na faixa dos US$ 30 bilhões.

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Parece uma loucura para uma instituição financeira que não tem nem uma década de vida, que atuou com um único produto em toda a primeira metade da sua existência e cuja carteira de crédito corresponde a apenas uma fração das carteiras dos maiores bancos brasileiros.

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Mas o Nubank aposta na sua capacidade de crescer rápido nos próximos para justificar esse valuation.

Inclusive, na sua última rodada de investimentos privados, em junho deste ano, o banco digital já foi avaliado em algo em torno de US$ 30 bilhões - e na ocasião, recebeu um aporte de US$ 500 milhões de ninguém menos que o megainvestidor Warren Buffett, por meio da sua Berkshire Hathaway.

Bem, se o Oráculo de Omaha viu alguma coisa no roxinho, quem somos nós mortais para duvidar, certo? Ainda assim, o preço pedido não parece um pouco salgado? Vale a pena, para o investidor pessoa física, entrar nesse IPO?

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A seguir eu apresento, resumidamente, tudo o que você precisa saber sobre o IPO do Nubank e tento responder a essas perguntas, com base em conversas que eu tive com gestores e analistas que avaliaram a oferta.

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Quem é o Nubank?

O Nubank é hoje um dos maiores bancos digitais da América Latina, com cerca de 3 mil funcionários e mais de 48 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia.

Seus clientes, hoje, são em sua maioria jovens (abaixo de 35 anos) de baixa ou média renda (classes C, D e E), um público historicamente mal atendido pelos bancos tradicionais ou simplesmente desbancarizado.

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Ao mesmo tempo, o Nubank conseguiu oferecer um serviço de alta qualidade a essa população, obtendo o maior nível de satisfação do usuário em comparação aos bancões e a outros bancos digitais.

Fundado em 2013 por David Vélez, Cristina Junqueira e Edward Wible, o Nubank nasceu com o objetivo de oferecer serviços financeiros de forma mais simples, eficiente, com menos taxas e 100% digital, já com uma visão de potencialmente causar uma disrupção nesse mercado.

A fintech começou oferecendo um único produto: um cartão de crédito sem tarifas ou anuidade, que podia ser solicitado e gerido pelo usuário totalmente online, via aplicativo.

No app, era possível visualizar o limite, aumentá-lo ou diminuí-lo, acompanhar a fatura antes que ela fechasse, bloquear o cartão e se comunicar com o Nubank para resolver qualquer problema.

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Desde o início, o banco digital investiu na experiência digital do usuário e em uma comunicação “descolada”, que aproximasse o público da marca, seguindo uma visão de transformar os clientes em fãs.

A forte presença do “roxinho” nas redes sociais e o marketing boca a boca foram, aliás, fundamentais na construção da marca e no crescimento da base de clientes da empresa.

Foi apenas em 2017 que o banco começou a oferecer outros produtos, como:

  • NuConta, conta de pagamentos digital remunerada, que rende 100% do CDI e permite ao usuário efetuar, gratuitamente, depósitos, pagamentos e transferências para qualquer instituição financeira;
  • Cartão de débito, função liberada nos mesmos cartões usados na função crédito;
  • Empréstimo pessoal, liberado em 2019 e com simulação em tempo real dentro do app, que o Nubank oferece consumindo seu próprio capital;
  • NuConta PJ, versão empresarial da NuConta, focada em micro, pequenas e médias empresas, e que já atingiu 1,1 milhão de clientes;
  • NuInvest, plataforma de investimentos resultante da aquisição da corretora Easynvest em 2020, então com 1,5 milhão de clientes, que oferece produtos de renda fixa e variável com corretagem zero.

Além disso, o Nubank fecha parcerias com outras empresas para oferecer produtos de áreas nas quais não atua, como seguros de vida (parceria com a seguradora Chubb), remessas internacionais (parceria com o Remessa Online) e linhas de crédito com garantia, como financiamentos imobiliário e de veículos (parceria com a Creditas).

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Recentemente, lançou também o seu marketplace, possibilitando aos clientes comprar, dentro do app, produtos de lojas online como Dafiti, Magazine Luiza e AliExpress.

Crescimento assombroso

Ao longo dos anos, o Nubank não deixou dúvidas que tem a capacidade de crescer rapidamente e de fazer uma boa execução da sua estratégia.

Seu número de clientes aumentou exponencialmente de 2018 para cá, passando de 3,7 milhões para 48,1 milhões, um crescimento médio de 110% ao ano.

A receita líquida apresentou uma taxa de crescimento anual composta de 78% no período, saltando de R$ 1,2 bilhão em 2018 para R$ 5,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2021; e a carteira de crédito (recebíveis de cartão de crédito e empréstimos pessoais) viu um crescimento anual médio de 126%, saindo de R$ 822 milhões em 2018 para R$ 7,7 bilhões em setembro deste ano.

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Mas, como é comum entre empresas de tecnologia nos seus primeiros anos (mesmo fintechs), o Nubank ainda não dá lucro. Apesar de já ter havido lucro pontualmente, a estimativa para 2021 ainda é de prejuízo, assim como ocorreu em anos anteriores.

Além da intensidade do seu crescimento, outra característica do Nubank que chama atenção positivamente é a sua baixa inadimplência.

O banco atua oferecendo cartão de crédito e empréstimo pessoal, duas linhas sem garantias e, portanto, mais arriscadas; para um público jovem e das faixas mais baixas de renda, isto é, também mais arriscado.

Não obstante, a taxa de inadimplência do Nubank tem ficado consistentemente abaixo da média do sistema financeiro nacional. O banco conta com um sistema proprietário de concessão de crédito e análise de risco, que tem sido muito eficiente em fazer esse controle.

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Por que o Nubank está fazendo IPO?

Segundo o prospecto da sua oferta inicial, o Nubank pretende utilizar os recursos captados para quatro objetivos principais, destinando 25% do valor obtido para cada um:

  • Capital de giro;
  • Despesas operacionais;
  • Despesas de capital;
  • Novos investimentos e aquisições de negócios, produtos, serviços e tecnologias.

Mas aonde o banco pretende chegar exatamente, nos próximos anos? Bem, o que não falta é potencial para crescer.

Segundo o próprio Nubank, o mercado de serviços financeiros da América Latina abarca 650 milhões de pessoas e totalizará US$ 1 trilhão em 2021.

Nos seus mercados de atuação, a população desbancarizada, um dos seus públicos-alvos, ainda é muito elevada, chegando a 30% no Brasil e cerca de 60% no México e na Colômbia.

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Quando se trata de cartão de crédito, é menos gente ainda que tem acesso. Atualmente, 61% dos brasileiros não têm cartão de crédito, e esse percentual chega a quase 90% da população no México e na Colômbia.

Até junho deste ano, mais de 5 milhões de pessoas tinham aberto a sua primeira conta bancária ou feito seu primeiro cartão de crédito justamente no Nubank.

Mas além de aumentar a base de clientes, o Nubank pretende também lançar novos produtos para monetizar essa base e aumentar a receita, mantendo os custos baixos.

O fato de ser um banco digital, aliás, faz com que o Nubank tenha uma estrutura de custos muito mais leve que a dos grandes bancos, colocando-o em grande vantagem.

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VEJA TAMBÉM: 3 AÇÕES promissoras da BOLSA: Cosan (CSAN3), Weg (WEGE3) e Raia Drogasil (RADL3)

O passo a passo do IPO

O IPO do Nubank consistirá em uma oferta 100% primária, isto é, aquela em que os recursos captados vão para o caixa da companhia.

Inicialmente, havia também a possibilidade de uma oferta secundária, em que acionistas vendessem parte das suas ações, mas essa possibilidade foi descartada após a redução no valor pedido no IPO.

Serão emitidas e ofertadas inicialmente 289.150.155 ações ordinárias classe A, incluindo sob a forma de BDRs, o equivalente a 6,27% do capital social da companhia.

Dependendo da demanda, poderá haver ainda a oferta de um lote adicional de até 57.830.111 ações ordinárias classe A, inclusive sob a forma de BDRs, o que corresponde a 20% da oferta inicial.

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Pode ainda haver a oferta de um lote suplementar de até 28.571.429 ações ordinárias classe A, o que corresponde a 10% da quantidade original de ações ofertada. A eventual oferta do lote suplementar será 100% internacional, sem a previsão de uma oferta de BDRs.

No total, o IPO do Nubank pode colocar no mercado até 8,00% do capital social do banco digital.

A nova faixa indicativa de preço (após o corte anunciado ontem) vai de US$ 8 a US$ 9 por ação ordinária classe A e R$ 7,45 a R$ 8,38 por BDR, sendo que cada ação equivale a seis BDRs.

Isso significa que a empresa pode captar entre US$ 2,3 bilhões e US$ 2,6 bilhões apenas com a oferta base, o equivalente a algo entre R$ 13 bilhões e R$ 14,5 bilhões, pela cotação do dólar na data anterior à da publicação do prospecto.

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Se considerado o meio da faixa indicativa de preço (US$ 8,50 por ação ou R$ 7,91 por BDR, de acordo com a taxa de câmbio usada no prospecto), a captação pode ser de US$ 2,5 bilhões ou R$ 13,7 bilhões, apenas considerando a oferta base.

Se colocados todos os lotes extras de ações e considerado o preço no topo da faixa indicativa, o IPO pode movimentar até US$ 3,4 bilhões, cerca de R$ 18,9 bilhões, pela taxa de câmbio usada no prospecto.

Ou seja, a companhia chegará à bolsa com um valor de mercado entre US$ 37 bilhões e US$ 42 bilhões.

A oferta tem como coordenador-líder a corretora NuInvest (antiga Easynvest, que foi adquirida pelo Nubank) e como demais coordenadores da oferta brasileira os bancos Morgan Stanley, Goldman Sachs, Citi, HSBC, UBS BB e Safra Investment Bank.

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O período de reserva das ações vai de 17 de novembro a 7 de dezembro. Para participar, os interessados devem abrir conta na NuInvest, a plataforma de investimentos do Nubank, e solicitar a reserva dos seus papéis pelo preço desejado.

Para as pessoas físicas, o investimento mínimo é de R$ 30, e o máximo é de R$ 300 mil. No dia 8 de dezembro será divulgado o preço dos BDRs, e a negociação dos papéis na B3, sob o código NUBR33, começa no dia 9 de dezembro. Na Nyse, o código da ação será apenas NU.

Por que um IPO lá fora?

Assim como outras empresas brasileiras de tecnologia, o Nubank optou por fazer a sua oferta numa bolsa de valores americana.

Dessa forma, a empresa é capaz de obter maior visibilidade dos grandes investidores estrangeiros e até mesmo conseguir uma precificação maior, uma vez que é em Wall Street que são negociadas algumas das empresas de tecnologia mais valiosas do mundo.

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Além disso, as regras de voto plural nos Estados Unidos são bastante generosas, permitindo que os acionistas principais mantenham o controle firme da empresa, mesmo após o IPO e a oferta de ações ordinárias, com direito a voto.

No caso do Nubank, serão ofertadas apenas ações ordinárias classe A. Mas os controladores manterão a totalidade das ações classe B, que dão direito a 20 votos cada uma.

Isso não necessariamente é ruim, pelo contrário; mostra que os acionistas controladores querem continuar sendo “donos” do negócio, havendo um alinhamento dos seus interesses com os da companhia.

Além disso, o IPO do Nubank não conta com lock up para os “reles mortais”, que é aquela regra que impede que quem comprou ações na oferta as venda antes de determinado prazo; mas para os membros do conselho de administração, os diretores e determinados acionistas, haverá restrição à venda das ações da companhia até 31 de março de 2022.

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Programa NuSócios

Para “esquentar” ainda mais seu IPO, o Nubank se saiu com uma estratégia de marketing um tanto inteligente: o programa NuSócios. Por meio dele, clientes Nubank que preencherem certos pré-requisitos, ganharam o direito de receber, de graça, um BDR da companhia.

Para isso, basta reservar pelo app o seu “pedacinho”, que é como a campanha está chamando o BDR, por se tratar de um “pedaço da empresa”. Mas a reserva não é garantida; tudo vai depender da demanda pelos papéis.

O Nubank reservou R$ 180 milhões para o programa. Considerando o preço médio da faixa indicativa de R$ 7,91 por BDR, o limite máximo de papéis para atender às reservas do programa (e, portanto, de clientes que serão contemplados, é de 22,756 milhões. Contudo, pode haver um acréscimo de 25% no valor do programa, a depender da demanda.

Com o NuSócios, o Nubank não só amplia a divulgação do seu IPO como acaba obrigando os interessados a abrirem conta na NuConta para reivindicar o seu “pedacinho”.

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Serão elegíveis para o programa apenas pessoas físicas que forem clientes NuConta até dois dias corridos antes do último dia do Período de Adesão ao Programa de Clientes, que vai até 5 de dezembro. Ou seja, é preciso ter se tornado cliente até, no máximo, amanhã, dia 2 de dezembro.

Também é preciso que sua NuConta não esteja bloqueada para transações, com débitos em aberto (inadimplentes) em operações de cartão de crédito e/ou empréstimo por mais de oito dias corridos; e ter realizado ou recebido pelo menos uma operação nos 30 dias corridos anteriores à sua adesão ao programa.

Os BDRs recebidos dessa maneira estão sujeitos a um lock up de 12 meses, prorrogáveis por mais 12, ao final dos quais o cliente deverá decidir se ficará com o papel ou se o venderá. Lembrando que o Nubank não cobra taxas de corretagem e custódia para a negociação de ações e BDRs.

E então, vale a pena entrar no IPO do Nubank?

Os especialistas com quem eu conversei foram unânimes em dizer que, de fato, o Nubank é uma excelente empresa, com um crescimento impressionante e ótima capacidade de execução. Ninguém duvida da qualidade do ativo.

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O fator que traz algum desconforto é o preço: ainda que o valor pedido tenha diminuído, US$ 40 bilhões ainda parece salgado.

Para Larissa Quaresma, analista da Empiricus, o Nubank já mostrou que tem capacidade de crescer rápido, monetizar a base de clientes e aumentar a receita mais do que os custos; ainda assim, ela acha que está caro.

Ela observa que os múltiplos do Nubank (métricas como preço sobre lucro projetado ou preço sobre valor patrimonial, que ajudam a medir se o ativo está caro ou barato) estão bem abaixo dos múltiplos dos seus pares internacionais, mas ainda consideravelmente acima dos múltiplos de outros bancos digitais brasileiros.

“Esse preço considera que o Nubank vai se tornar a maior plataforma financeira da América Latina, maior até que os maiores bancos tradicionais brasileiros, nos próximos anos. Quem comprar tem que acreditar nisso e ainda estar disposto a pagar por isso antecipadamente”, diz Quaresma, acrescentando que seria necessário um crescimento muito rápido, com execução perfeita, sem espaço para falhas.

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Um gestor com quem eu conversei acha improvável que o Nubank “vire um Itaú” nos próximos cinco anos, mas reconhece que a história do banco digital tem apelo lá fora.

O entendimento geral é de que a demanda no exterior deve ser alta, pois o investidor gringo gosta de empresas de tecnologia disruptivas e pioneiras em suas áreas.

Em adição a isso, os investidores que desejam ou precisam investir em empresas de países emergentes tendem a preferir a crème de la crème. Nesse sentido, o Nubank aparece ao lado de ações de empresas “premium”, como Mercado Livre e Alibaba.

Finalmente, a oferta não chegará a 10% do capital social da companhia e não totalizará muito mais que US$ 3 bilhões, o que, para padrões internacionais, é um valor baixo. Assim, a demanda pode acabar puxando os preços para cima logo após o IPO.

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Em outras palavras, é possível que as ações ainda se valorizem um tanto depois da estreia.

“Estamos otimistas com o IPO e temos 90% de chance de entrar, a menos que o mercado piore muito. Trata-se de uma oferta de atenção mundial”, diz Stefan Darakdjian, sócio-fundador, CFO e analista de renda variável da Meraki Capital.

Larissa Quaresma reconhece que é provável que essa alta inicial aconteça, mas diz que seria mais um movimento técnico, para uma aposta de curto prazo: entrar no IPO para esperar que os papéis se valorizem e vender em pouco tempo para realizar o ganho.

Do ponto de vista do investimento de longo prazo, ela acha arriscado, no momento atual. Tanto é que a Empiricus recomenda, a seus assinantes, não entrar no IPO do Nubank.

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“Acho arriscado por se tratar de uma empresa que atua na América Latina em um momento macroeconômico complicado. Seu principal produto é crédito pessoal sem garantia. Como vai se comportar a inadimplência no estado atual da economia? Com a alta dos juros?”, questiona.

Ela acrescenta, ainda, que a preocupação se dá principalmente pelo público do Nubank. “Se ainda fosse um público de alta renda, que é mais resiliente em momentos econômicos adversos, mas não, são pessoas em início de carreira ou que dependem muito de emprego para pagar suas obrigações”, conclui.

É bom lembrar ainda que o mar não está pra peixe para as techs. Com a alta de juros no Brasil e a perspectiva de aperto monetário nos Estados Unidos - que talvez comece antes do esperado - as ações dessas companhias têm sido as mais castigadas do mercado.

Mas e… se der certo?

E se o Nubank for realmente extraordinário, um daqueles casos de empresas caras que só ficam mais caras?

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Para quem acredita no potencial do roxinho, a indicação é reservar apenas uma pequena parcela da sua carteira de ações para o IPO, mas já sabendo que, se o Nubank falhar em executar o prometido, o mercado provavelmente castigará os papéis. Então talvez não seja uma má ideia realizar os ganhos se as ações dispararem, num primeiro momento.

“Se for entrar, é bom entrar pequeno, não mais que 3% da sua carteira de ações”, recomenda Larissa Quaresma.

Ah, e se você for cliente Nubank, vale a pena aderir ao NuSócios de qualquer maneira, caso ainda seja possível. Apesar de ser apenas um BDR, que tem um valor unitário baixo, é dinheiro grátis, e isso não se nega.

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