Bolsas dos EUA sobem e renovam as máximas pelo segundo dia — mas ativos brasileiros têm queda firme
O EWZ, principal ETF de Brasil na bolsa americana, caiu 1,85% hoje, o que pode desencadear ajustes negativos na B3 na sessão desta quarta

Os mercados brasileiros ficaram fechados nesta terça-feira (2) por causa do feriado de Finados. Lá fora, no entanto, tivemos um dia normal — e de novos recordes em Wall Street. As bolsas americanas fecharam em alta e deram continuidade ao movimento positivo visto na segunda (1), atingindo novas máximas; esse otimismo, no entanto, não se estendeu aos ativos brasileiros negociados por lá.
O Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,39%, aos 36.052 pontos — ontem foi a primeira vez na história que o índice superou o nível dos 36 mil pontos. O S&P 500, com ganhos de 0,39%, e o Nasdaq, em alta de 0,34%, também tiveram um dia tranquilo e buscaram novos topos.
Em linhas gerais, os dois primeiros dias da semana foram marcados por uma ausência de dados econômicos de maior peso no mundo; em paralelo, há a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) inicie a retirada de estímulos da economia americana na reunião de amanhã. É um cenário que, se concretizado, tende a atrair recursos internacionais para o país, dada a perspectiva de aumento de juros no médio prazo.
Sendo assim, os investidores aproveitaram o clima ameno para aumentar as posições em bolsa. É importante ressaltar, no entanto que a volatilidade tende a aumentar a partir de amanhã, com a decisão do Fed e a coletiva de imprensa de Jerome Powell, presidente do BC americano. O payroll de outubro, a ser divulgado na sexta (5), é outro evento que pode trazer instabilidade às negociações.
Dito isso, nem tudo em Wall Street ficou no campo positivo hoje: os ativos brasileiros negociados em Nova York fecharam quase todos em queda firme, o que tende a provocar ajustes de baixa na B3 nesta quarta-feira (3), quando o pregão volta a abrir por aqui — ontem, o Ibovespa fechou em alta de 2%.
Nesse cenário, o EWZ, principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras negociado em Wall Street, recuou 1,85% em Nova York, a US$ 29,24; as tensões antes da votação da PEC dos Precatórios e as constantes sinalizações por parte do governo quanto a uma possível intervenção na política da Petrobras são fatores de risco que rondam os ativos domésticos.
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Veja também como estão se comportaram alguns dos recibos de ações (ADRs) de empresas nacionais em Wall Street nesta terça-feira:
- Petrobras (PBR): -1,32%
- Vale (VALE): -4,46%
- Itaú Unibanco (ITUB): -1,30%
- Bradesco (BBD): -1,79%
- Ambev (ABEV): -1,97%
- Gerdau (GGB): -2,36%
- CSN (SID): -2,80%
- Embraer (ERJ): -2,28%
- Eletrobras (EBR): -1,76%
[captacao]
Europa e Ásia
Na Europa, as bolsas assumiram um tom misto nesta terça: os mercados da Alemanha e da França, os principais do continente, fecharam em alta; já os índices do Reino Unido, Espanha e Itália terminaram no vermelho. Como resultado, o Stoxx 600, índice pan-europeu de ações, encerrou em leve alta de 0,11% — veja como ficaram as principais praças:
- Alemanha (DAX): +0,94%
- Reino Unido (FTSE 1000): -0,19%
- França (CAC 40): +0,49%
- Espanha (IBEX): -0,84%
- Itália (FTSE MIB): -0,06%
A sessão foi ligeiramente negativa na Ásia, com muitas das praças devolvendo parte dos ganhos vistos na segunda feira — caso do Japão, cuja bolsa fechou em queda de 0,43%, e de Hong Kong, com baixa de 0,22%. Na China, a bolsa de Xangai cravou o segundo dia de perdas e recuou 1,13%; por lá, dados de atividade econômica mais fracos que o esperado têm minado a confiança dos investidores.
Commodities e câmbio
Os contratos de petróleo fecharam em baixa nesta terça-feira: o barril do Brent para janeiro recuou 0,20%, a US$ 84,54, enquanto o WTI para dezembro caiu 0,62%, a US$ 83,53. Já os contratos do minério de ferro com vencimento em dezembro na Nymex tiveram queda de 2,59% e acumulam baixa de mais de 5% na semana, o que ajuda a explicar o mau desempenho dos ADRs da Vale e das siderúrgicas.
No câmbio, o DXY — índice que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta com outras divisas fortes — avançou 0,23% e indicou um leve fortalecimento da moeda americana antes da reunião do Fed.
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