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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

FECHAMENTO DOS MERCADOS

Cautela com novo ‘plano de voo’ do Copom contamina bolsa, e Ibovespa recua 0,05%; dólar também fecha em queda, a R$ 5,55

Impulsionado pelos balanços divulgados tanto aqui quanto no exterior, o índice bem que tentou se desvencilhar do cenário temeroso, mas não teve jeito

Larissa Vitória
Larissa Vitória
27 de outubro de 2021
18:22 - atualizado às 18:48
Montagem de Roberto Campos Neto, como aviador dentro de um avião apoiando sua mão no painel do piloto. Campos Neto é presidente do Banco Central (BC), responsável pela reunião do Copom que define a Selic, a taxa básica de juros da economia | Ibovespa
Montagem de Roberto Campos Neto como aviador dentro de um avião apoiando sua mão no painel do piloto - Imagem: Montagem Andrei Morais / Wikimedia / José Dias/PR

Na vida e no Ibovespa, criar expectativas para os acontecimentos é uma das características intrínsecas aos seres humanos. Estamos sempre conjecturando, seja com otimismo ou pessimismo, qual será o resultado de eventos no futuro.

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No mercado financeiro — como não poderia deixar de ser, já que, apesar da frieza dos números, há muitos homens por trás das operações — as expectativas também afetam os ativos. Assim como no dia a dia, as projeções para os cenários guiam atitudes e pesam no presente.

E hoje a expectativa foi pelo resultado de um evento em particular, que ditou o tom no Ibovespa. Daqui a pouco, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anuncia a penúltima decisão do ano para taxa básica de juros brasileira — e o mercado aguarda ansiosamente pelo veredito.

Com a inflação pressionando, é certo que a Selic vai subir — o que traz incerteza é a magnitude desse aumento. O "plano de voo" original do Banco Central contratava uma elevação de 100 pontos-base nesta reunião, mas, após o rompimento do teto de gastos e a revisão das estimativas de crescimento do Brasil, os analistas passaram a apostar em uma alta mais agressiva, de 125 a 150 pontos-base.

Plantada na cabeça dos investidores desde o início da semana, a dúvida sobre quem vai acertar o novo rumo da Selic pesou sobre os mercados o dia inteiro. Marcada para hoje, a votação da PEC dos Precatórios, texto que sacramenta o furo na regra fiscal brasileira, também provocou apreensão.

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Impulsionado pelos balanços divulgados tanto aqui quanto no exterior, o Ibovespa bem que tentou se desvencilhar do cenário temeroso e chegou a subir 1,7% durante a tarde. No final do dia, no entanto, a cautela pesou, e o principal índice acionário brasileiro encerrou o pregão em leve queda de 0,05%, a 106.363 pontos.

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O dólar à vista também experimentou a volatilidade pré-Copom e foi a R$ 5,53 na mínima do dia, mas freou a queda mais brusca e terminou com um leve recuo de 0,33%, cotado em R$ 5,551.

Já os principais contratos de DI, que vinham subindo há nove sessões, registraram algum alívio hoje, mas a queda ainda é pequena na comparação com o avanço das taxas observadas neste mês. Confira o fechamento dos principais vencimentos:

  • Janeiro de 2022: 8,42%
  • Janeiro de 2023: 11,51%
  • Janeiro de 2025: 11,81%
  • Janeiro de 2027: 11,90%

No embalo dos balanços

Se o Ibovespa não conseguiu conter a queda, não foi por culpa das empresas que divulgaram seus resultados entre a noite de ontem e hoje. O Banco Inter (BIDI11), por exemplo, reverteu o prejuízo e teve lucro líquido de R$ 19,2 milhões no terceiro trimestre.

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A novata da bolsa Getnet (GETT11) também registrou lucro líquido de R$ 94 milhões entre julho e setembro, alta de 115% em relação ao mesmo período de 2020. Já a Gerdau reportou salto de 610% no lucro, com R$ 5,58 bilhões no lucro e ainda anunciou o pagamento de R$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP).

Por fim, o Santander Brasil (SANB11) também teve lucro de R$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre, acima do esperado, e com retorno recorde. Confira o calendário completo da temporada de balanços.

Faltou fôlego no exterior

Lá fora, os balanços também seguem a todo vapor e estavam no foco dos investidores hoje. Um levantamento feito pelo Yahoo! Finance mostrou que cerca de 82% das empresas do S&P 500, por exemplo, reportaram lucros acima do esperado pelo mercado, o que é mais do que a média histórica de 66%.

O fôlego garantido pelos bons resultados, no entanto, foi contido pelas máximas históricas recentes dos principais índices norte-americanos. O Dow Jones terminou o dia com um recuo de 0,74% e o S&P 500 caiu 0,51%, enquanto o Nasdaq registrou uma leve alta de 0,02%.

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Sobe e desce da bolsa

Confira quais foram as maiores altas do dia:

TICKERNOMEVALORVARIAÇÃO
COGN3     Cogna ONR$ 2,655,58%
EZTEC3Eztec ONR$ 19,564,99%
MULT3Multiplan ONR$ 18,094,57%
RADL3Raia Drogasil ONR$ 22,984,17%
IGTA3Iguatemi ONR$ 30,294,05%

Veja também as maiores quedas do Ibovespa hoje:

TICKERNOMEVALORVARIAÇÃO
PRIO3PetroRio ONR$ 25,35-6,63%
CASH3Méliuz ONR$ 3,57-4,55%
GET11Getnet unitsR$ 4,98-4,41%
SUZB3Suzano ONR$ 48,38-4,10%
FLRY3Fleury ONR$ 19,02-3,60%

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