Nova dança das cadeiras em Brasília e tensão pré-Fed fazem bolsa cair 1% e dólar subir
As movimentações inesperadas em Brasília pesaram no Ibovespa. Além disso, a cautela antes da decisão de política monetária nos Estados Unidos e uma nova alta dos Treasuries também jogaram contra

Depois de levarem o Ibovespa de volta aos 121 mil pontos e superarem o fantasma do orçamento, os investidores domésticos entraram em compasso de espera - e dá para entender o porquê olhando para a agenda da semana.
Amanhã, as atenções se voltam para os Estados Unidos, onde o Federal Reserve (Banco Central americano) divulga a sua política monetária. A temporada de balanços - no Brasil e no exterior - está aquecida e os números do primeiro trimestre das grandes empresas movimentam os negócios. Além disso, em Brasília, a CPI da Covid ganha contornos mais definidos e pesa nos mercados.
Tudo isso já era esperado, somado a um natural movimento de realização de lucros após os ganhos recentes, o que deixou a bolsa bem próxima do zero a zero durante boa parte do dia. O que não estava na conta era mais uma mudança no Ministério da Economia.
A trégua política durou pouco. Após colecionar conflitos durante a novela do orçamento, o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, foi demitido do cargo, marcando mais uma baixa na equipe de Paulo Guedes e trazendo uma turbulência extra a um mercado sem força para se firmar no azul.
O Ibovespa hoje acompanhou o movimento visto em Nova York, mas apenas parcialmente. Enquanto as bolsas americanas se sustentaram perto da estabilidade, a queda por aqui foi mais forte.
Além da nova nuvem de tensão em Brasília, o mercado doméstico também sofreu com a alta dos retornos dos Treasuries, principalmente os títulos de 10 anos, em antecipação ao pronunciamento do Fed amanhã. Essa alta tira parte da atratividade de mercados mais dinâmicos, principalmente dos países emergentes.
Leia Também
Ambev (ABEV3) desbanca gigantes como a ação mais negociada da B3 por um grupo de investidores; descubra qual
Com essa soma de fatores, o Ibovespa recuou 1%, aos 119.388 pontos. Enquanto isso, nos EUA, o Dow Jones avançou 0,01%, o S&P 500 caiu 0,02% e o Nasdaq recuou 0,34%.
O dólar à vista passou a maior parte do dia oscilando próximo da estabilidade, chegando a ir abaixo dos R$ 5,42, mas o movimento perdeu força conforme os juros futuros americanos ampliaram a alta. No fim do dia, a moeda americana fechou com ganho de 0,23%, a R$ 5,4612.
A turbulência inesperada e o fortalecimento das taxas dos Treasuries também contribuíram para o comportamento do mercado de juros por aqui. Confira as variações dos principais vencimentos:
- Janeiro/2022: de 4,62% para 4,63%
- Janeiro/2023: de 6,17% para 6,23%
- Janeiro/2025: de 7,69% para 7,76%
- Janeiro/2027: de 8,35% para 8,39%
A divulgação do IPCA-15, índice considerado a prévia da inflação, também foi importante. O índice subiu 0,60% em abril, abaixo da mediana das expectativas, o que é visto como uma desaceleração da alta dos preços.
Embora o mercado comece a projetar uma alta menos vigorosa da Selic no futuro, para a próxima reunião do Copom a aposta segue sendo em um aumento de 0,75 ponto percentual. Para Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, a maior mudança deve vir no tom do comunicado do BC após os últimos dados de atividade divulgados.
A esperada cautela pré-Fed
O mercado espera que o Federal Reserve não altere a sua política monetária, em decisão que será divulgada na tarde de amanhã. O discurso do presidente da instituição, Jerome Powell, é aguardado com grandes expectativas, já que é dali que devem sair os sinais dos próximos passos da autoridade monetária e as projeções para a inflação.
Os últimos números divulgados mostram que a economia americana está de fato deixando a crise para trás, fortalecendo a leitura de que uma pressão inflacionária é quase inevitável. Alexandre Netto, head de câmbio da Acqua Investimentos, pontua que os resultados fortes das empresas que vêm sendo divulgados fortalecem essa visão. A resposta do mercado é vista em uma antecipação do movimento da taxa básica de juros, o que leva os rendimentos dos Treasuries de 10 anos a dispararem mais uma vez.
Esse movimento quase sempre vem acompanhado de uma migração de recursos para os investimentos considerados mais seguros, penalizando setores como o de tecnologia e os mercados emergentes. Isso explica parte do tombo mais expressivo da bolsa brasileira se comparada aos seus pares americanos.
Os principais índices da Ásia fecharam sem direção única durante a madrugada, já em antecipação ao Fed. O mesmo movimento foi visto na Europa, com os principais índices também repercutindo o aumento de casos do coronavírus.
A inesperada dança das cadeiras
A dança das cadeiras volta a assombrar Brasília, e a equipe de Paulo Guedes volta a sofrer baixas. A novela do orçamento desgastou o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, que foi demitido do cargo nesta manhã, segundo diversos veículos de imprensa.
A saída de Rodrigues do governo deve mexer com outros cargos importantes. Segundo o Estadão, Bruno Funchal, atual secretário do Tesouro deve assumir o cargo vago e Jeferson Bittencourt, atual assessor especial de relações institucionais do Ministério da Economia, deve assumir a Secretaria do Tesouro. Vanessa Canado, assessora especial para a reforma tributária, também deve deixar a equipe.
A mudança volta os olhos dos investidores novamente para como andam as coisas na pasta de Paulo Guedes. Desde o desfecho do orçamento, a leitura é de que a equipe econômica saiu derrotada da situação e já se fala até mesmo em desmembramento do Ministério. Para Rafael Passos, sócio da Ajax Capital, esse possível fatiamento da pasta pode ser positivo, com o Centrão ganhando espaço e dando prioridade à agenda de reformas e privatizações.
Para Bruno Madruga, da Monte Bravo Investimentos, é natural que o mercado repercuta essa movimentação com o aumento da volatilidade e cautela no curto prazo, mas é "fora de cogitação" que Paulo Guedes seja o próximo a desembarcar do governo.
Outro ponto que deixa Brasília em ebulição é a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar a atuação do governo federal no combate à pandemia e que começa a ganhar forma. Alguns congressistas tentaram impedir, mas Renan Calheiros foi indicado para o cargo de relator. O ex-governador do Amazonas, Omar Aziz, ficou com a presidência da CPI e Randolfe Rodrigues é o vice-presidente.
Vale tudo isso?
Depois de uma primeira semana esvaziada, a temporada de balanços começa a esquentar no Brasil. Ontem foi a vez da Vale. A companhia registrou um lucro de US$ 5,5 bilhões no 1º trimestre de 2021, um aumento de 2.200% em relação ao mesmo período do ano passado. A alta no lucro se deve a um aumento do preço do minério de ferro no mercado global e o nível de produção sustentada pela companhia.
Com a valorização registrada hoje, de quase 1,5%, a mineradora superou um novo recorde e atingiu a cotação de R$ 110,12.
Sobe e desce
Uma das empresas de maior peso no índice, a Vale repercutiu positivamente o lucro do primeiro trimestre e também o novo recorde do minério de ferro, cotado acima da casa dos US$ 195 por tonelada.
A CVC, no entanto, ficou com a ponta da tabela. A companhia realiza amanhã uma assembleia de acionistas que deve tratar sobre os processos de arbitragem contra Luiz Fernando Fogaça e Luiz Eduardo Falco, ex-presidentes da companhia nas gestões apontadas com erros contábeis.
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 24,59 | 5,45% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 56,09 | 3,87% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | R$ 104,45 | 2,56% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 70,70 | 1,93% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 110,10 | 1,41% |
O setor de frigoríficos registrou quedas significativas na sessão de hoje. BRF, JBS, Minerva e Marfrig foram pressionadas pela queda no preço do boi gordo e também passaram por uma realização antes da divulgação dos resultados do primeiro trimestre.
A Hering, empresa que subiu mais de 25% ontem, após a confirmação de fusão com o Grupo Soma, recuou cerca de 5% no pregão de hoje. Confira os principais destaques negativos:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 22,03 | -5,69% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 27,07 | -5,42% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | R$ 12,17 | -5,29% |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 33,69 | -4,99% |
| BEEF3 | Minerva ON | R$ 10,26 | -3,84% |
RECOMENDAÇÃO NEUTRA
UBS BB passa a tesoura no preço-alvo de Santander (SANB11) e desiste da recomendação de olho em OPA; o que aconteceu?
24 de agosto de 2026 - 15:22DESTAQUES DA BOLSA
Casamento à vista? Yduqs (YDUQ3) dispara 12% após confirmar conversas com dona da Afya (AFYA) para combinação de negócios
24 de agosto de 2026 - 11:27EM MEIO A UM "VALE DE DESEMPENHO"
Após o ‘maior erro de sua história’, Squadra coloca Meli (MELI34) e Nubank (ROXO34) entre as maiores apostas e vê oportunidades ignoradas pelo mercado
24 de agosto de 2026 - 11:07CARTEIRA SEMANAL
Quer ganhar do Ibovespa? Terra aposta em WEG (WEGE3), MBRF (MBRF3) e mais 3 ações nesta semana
23 de agosto de 2026 - 15:30SOB PRESSÃO
TRXF11 está dando um passo maior que a perna? CEO responde, mas mercado não compra e cota cai mais de 9% nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:33SOBE E DESCE
Ibovespa engata 3ª semana de sangria, e Hapvida (HAPV3) despenca de novo; veja quais ações sobreviveram
22 de agosto de 2026 - 12:11PIOR DO RANKING
Do topo ao poço da América Latina: Ibovespa perde o encanto e entra na lanterna dos gringos
21 de agosto de 2026 - 19:33ADEUS, ESTRANGEIRO
UBS vê exagero no medo dos juros nos EUA, mas alerta: Brasil está entre os mercados mais vulneráveis
21 de agosto de 2026 - 18:31BOTA CASACO, TIRA CASACO
Hapvida (HAPV3) convence ANS e consegue derrubar trava sobre reajustes — mas agência ficará de olho
21 de agosto de 2026 - 18:02AÇÕES PARA COMPRAR AGORA
As melhores oportunidades desde a crise Dilma: após a bolsa perder o equivalente a uma Vale (VALE3), gestor revela onde investir
21 de agosto de 2026 - 17:17Conteúdo BTG Pactual
FI-Infra: Conheça classe de ativos e saiba se vale a pena investir agora
21 de agosto de 2026 - 16:00TOUROS E URSOS #284
Até os gênios da Faria Lima desistiram? Por que a crise dos multimercados não é o fim da indústria
20 de agosto de 2026 - 19:02CORRIDA DO OURO
Novo tesouro? Quem é a desconhecida Amapá Minerals, mineradora de ouro que conquistou o BTG Pactual e pode saltar 62%
20 de agosto de 2026 - 18:01PENTE-FINO
Hapvida (HAPV3) ganha novo problema: ANS barra estratégia que coloca 950 mil clientes na mira e ações caem mais de 7%
20 de agosto de 2026 - 17:35DISPARADA NAS ÚLTIMAS HORAS
O que fez o bitcoin disparar 20% e voltar aos US$ 72 mil? Três fatores explicam a arrancada
20 de agosto de 2026 - 10:40CONTEÚDO BTG PACTUAL
Um novo jeito de investir na Amazônia: Conheça o AMAB11, ETF do BTG Pactual
20 de agosto de 2026 - 9:30ANALISTAS RECOMENDAM A COMPRA
Embraer (EMBJ3), Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3) têm gatilho em comum para o BTG e a XP; entenda por que investir
19 de agosto de 2026 - 18:12DO PICO AO PISO
A pior semana para a bolsa brasileira em 18 anos: você deve seguir a fuga de R$ 12,6 bilhões dos estrangeiros?
19 de agosto de 2026 - 14:28PECHINCHA OU VALOR?
“Não é agora”: gestor da AlphaKey manda recado sobre Magazine Luiza (MGLU3) e revela o que procura na bolsa
18 de agosto de 2026 - 19:15POR TRÁS DA DISPARADA