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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Sem boas notícias para repercutir e com covid-19 pesando sobre os negócios, Ibovespa recua 1,5%

A bolsa brasileira chegou a ensaiar uma recuperação, mas não conseguiu ir contra o volume de preocupações no radar, recuando 1,49%, aos 113.261 pontos.

Jasmine Olga
Jasmine Olga
23 de março de 2021
18:08 - atualizado às 19:37
coronavírus leva bolsa a cair
Imagem: shutterstock

O Ibovespa até tentou no começo da tarde, mas a terça-feira (23) não estava para peixe. As bolsas americanas ensaiaram uma recuperação depois de passarem a maior parte do dia em compasso de espera, mas a tentativa também foi em vão. 

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As origens da cautela são inúmeras: temos a preocupação com uma terceira onda de infecções por covid-19 na Europa, pandemia desenfreada no Brasil, temores com relação à demanda de petróleo e sinais de que as grandes empresas podem enfrentar um aumento dos impostos nos Estados Unidos - o que piorou o humor já azedo dos mercados. O alívio veio de mais um dia de queda dos juros futuros americanos, mas foi insuficiente. 

O principal índice da bolsa brasileira terminou o dia em queda de 1,49%, aos 113.261 pontos. O dólar à vista, que chegou a recuar quase 1% após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), encerrou a sessão apenas com uma leve queda de 0,04%, a R$ 5,5157. 

A ata trouxe um tom que fez os agentes financeiros locais projetarem com ainda mais força uma alta de 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, o que se refletiu na inclinação da curva de juros. Além disso, o estágio avançado da pandemia no país e a falta de perspectiva para o fim do isolamento social e da vacinação em massa elevam o risco fiscal, que também pesou sobre os juros futuros. Confira as taxas do dia: 

  • Janeiro/2022: de 4,60% para 4,65%
  • Janeiro/2023: de 6,27% para 6,37%
  • Janeiro/2025: de 7,73% para 7,83%
  • Janeiro/2027: de 8,22% para 8,34%

Em looping

A chegada das vacinas nem de longe indicou o fim dos problemas relacionados ao coronavírus pelo mundo. O temor de uma terceira onda de contágio da covid-19 paira sobre a Europa. Os países do Velho Continente voltam a apresentar uma aceleração no número de casos, o que leva a uma série de novas medidas de restrição de circulação que devem afetar novamente a atividade econômica já fragilizada. 

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O petróleo é um dos ativos que mais sente essa projeção de novo desaquecimento da economia, já que esse cenário implica diretamente na queda da demanda da commodity. O barril voltou a derrapar forte, com um recuo de cerca de 6%. 

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Esse movimento pesa sobre as ações das petroleiras em todo o mundo. Por aqui, as ações preferenciais da Petrobras recuaram 3%, o que ajuda a explicar em parte o mau desempenho do Ibovespa nesta tarde. 

Ainda falando de empresas com forte peso no índice e que tombaram nesta tarde, também temos a Vale. Mesmo com um avanço do minério de ferro no mercado internacional, a ação da companhia caiu mais de 2%.

Cadê a luz no fim do túnel?

Enquanto a vacinação avança em diversos países do mundo, o ritmo abaixo do esperado da imunização da população brasileira e o colapso que tomou conta do sistema de saúde da maior parte do país impedem que o Brasil veja - nem que seja de forma distante - o fim da crise do coronavírus. 

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Segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, o país acumula 295,4 mil mortos e mais de 12 milhões de casos. Com falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em diversos estados, o mercado busca sinalizações de que o governo está correndo atrás de uma solução. 

A expectativa está na reunião que deve ocorrer amanhã em Brasília e que pode trazer novidades com relação ao cronograma de vacinação e outras medidas de enfrentamento à crise. Nesta noite, o presidente Jair Bolsonaro fará um pronunciamento em cadeia nacional às 20h30 para falar sobre a situação atual. 

Enquanto as vacinas não forem suficientes e faltarem medidas mais enérgicas de combate ao vírus, as projeções para a atividade brasileira seguem piorando, já que os estados e municípios devem seguir limitando a circulação de pessoas como forma de tentar achatar a curva de contágio. A situação agrava ainda mais o risco fiscal já elevado do país. 

Retornando para falar novamente sobre a ata do Copom divulgada nesta terça-feira, além de reforçar os pontos levantados pelo comunicado da semana passada, o BC também afirmou que a recuperação econômica pode ser atrasada pelo agravamento da pandemia, mas que o otimismo com o avanço da vacinação beneficia o cenário de médio prazo - o que justificaria mais uma alta de 0,75 ponto percentual já na próxima reunião. 

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E os estímulos?

Mesmo com os juros dos títulos do Tesouro norte-americano em queda, as bolsas em Nova York fecharam o dia no vermelho. O índice Nasdaq recuou 1,12%, o Dow Jones teve queda de 0,94% e o S&P 500 caiu 0,76%. 

Durante a maior parte do dia, os investidores ficaram em compasso de espera pela participação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e da secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, em comissão do Congresso. 

Ainda que ambos tenham reforçado o recado dos últimos meses - de que a economia americana ainda está longe da recuperação plena -, os investidores não gostaram das sinalizações dadas por Yellen de que as grandes empresas podem acabar enfrentando um aumento de impostos. 

A secretária do Tesouro defendeu o aumento das receitas da União como parte essencial da recuperação, mas sem citar diretamente uma medida concreta. Ainda assim foi o suficiente para azedar o humor. 

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As bolsas asiáticas também fecharam no vermelho, motivadas pela retirada de estímulos da economia chinesa e sanções econômicas impostas à China por EUA e Europa. Na Europa, as bolsas fecharam mistas, pesando a terceira onda de covid-19. 

Sobe e desce

As ações da resseguradora IRB ficaram com a maior alta do dia após a empresa registrar um lucro líquido de R$ 17,9 milhões no último trimestre de 2020. No restante dos desempenhos foi possível notar mais um dia de forte rotação setorial, com os investidores em busca de barganhas em setores descontados. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
IRBR3IRB ONR$ 6,455,91%
CVCB3CVC ONR$ 19,305,23%
MRFG3Marfrig ONR$ 16,953,67%
BRML3BR Malls ONR$ 9,691,79%
HAPV3Hapvida ONR$ 15,291,73%

Na ponta contrária da tabela, seguimos vendo companhias que são prejudicadas pela persistência das medidas de isolamento social e restrição de movimentação, como as empresas aéreas. Além disso, o dia foi marcado pelo forte recuo do setor de mineração e siderurgia, mesmo com a alta do minério de ferro. Confira também as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVAR
AZUL4Azul PNR$ 37,00-6,16%
GGBR4Gerdau PNR$ 26,59-4,25%
CSNA3CSN ONR$ 33,52-4,23%
PRIO3PetroRio ONR$ 86,88-4,05%
BRFS3BRF ONR$ 24,46-3,78%

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