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Mercado deve operar em compasso de espera até a próxima quarta-feira, quando os BCs do Brasil e dos Estados Unidos divulgarão as suas decisões de política monetária
Bem longe dos estádios da Eurocopa, a segunda-feira (14) foi marcada por uma disputa de bola dividida. Jogando em times adversários, de um lado temos a cautela que tradicionalmente antecede as decisões de política monetária – e nesta semana teremos novidades no Brasil e nos Estados Unidos – e do outro o otimismo do mercado com o avanço da vacinação no país.
Por aqui, o segundo time levou a melhor. Nas últimas semanas, governadores e prefeitos têm feito de tudo para garantir a aceleração do calendário de vacinação para a população adulta acima dos 18 anos. Ontem, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou o novo plano de imunização estadual, com todos os adultos recebendo a primeira dose até o dia 15 de setembro.
Para Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, o movimento deve ser replicado por outras cidades e estados, mas essa antecipação da vacinação não vinha sendo precificada pela bolsa brasileira – até agora.
Mesmo com a alta do rendimento dos títulos do Tesouro americano e a queda do Dow Jones, refletindo a preocupação dos agentes do mercado com a atuação do Federal Reserve na próxima quarta-feira, a bolsa brasileira chegou a romper novamente a marca dos 131 mil pontos, mas acabou perdendo a força ao longo do dia e fechou a sessão em uma alta de 0,59%, aos 129.441 pontos.
Com a vacinação melhorando as estimativas para a retomada econômica, o fluxo de capital estrangeiro entrando no país trouxe alívio aos juros futuros e ao câmbio. O dólar à vista recuou 1,02%, a R$ 5,0707, devolvendo os ganhos da última sessão.
Mesmo com a alta vista no mercado de juros futuros americano, os principais contratos de DI operaram em queda nesta tarde, com exceção da ponta mais curta. Confira:
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A aceleração da vacinação no país traz fôlego extra para as expectativas de retorno “ao normal”, favorecendo uma retomada da economia mais robusta, como a observada no exterior.
Ao longo do dia, a notícia de que a Janssen não irá mais entregar as três milhões de doses que estavam previstas para a próxima terça-feira (15) chegou a levantar dúvidas sobre a capacidade de o governo de São Paulo cumprir o cronograma estipulado. A secretária de saúde estadual, no entanto, disse que as novas datas anunciadas não levavam em conta a remessa do laboratório.
Veja vídeo abaixo sobre o impacto da antecipação da vacina na bolsa:
Com o otimismo renovado, nem mesmo o IBC-Br abaixo das expectativas derrubou o mercado. Considerado a prévia do PIB do BC, o indicador mostrou uma aceleração da atividade em abril, de 0,44% ante março, quando o recuo mensal havia sido de 1,61%.
Em Brasília, a medida provisória que abre caminho para a privatização da Eletrobras deve ser votada na próxima quarta-feira – e o mercado está otimista.
Os mercados aguardam ansiosos os acontecimentos da Super Quarta, com as decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos. Os dois BCs estão pressionados pelo avanço da inflação, mas as respostas esperadas são bem distintas.
No Brasil, os investidores aguardam um avanço de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, já contratado na última reunião, além de mudanças na comunicação da decisão. Para muitos, o BC deve abrir mão da sinalização de que o ajuste é “parcial” e mostrar que persegue uma taxa de juros neutra.
Já nos Estados Unidos, a expectativa é pela manutenção dos estímulos monetários e nova sinalização de que a taxa de juros deve se manter na faixa atual até 2023. No comunicado, os investidores esperam que o Fed aponte sua análise sobre a disparada dos preços, principalmente com relação a aspectos mais persistentes.
Em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,25%. Já o S&P 500 e o Nasdaq alcançaram novos topos históricos ao subirem 0,18% e 0,74%, respectivamente.
Com os olhos voltados para a retomada, os setores mais prejudicados pelas medidas de distanciamento social apresentaram uma alta expressiva nesta segunda-feira e foram empurrados também pela confirmação da prorrogação do auxílio emergencial por mais três meses.
Bruno Madruga, da Monte Bravo, aponta que a oscilação vista hoje nos DIs e a aposta de uma retomada com mais fôlego beneficia setores bem pontuais. Hoje pudemos observar uma valorização do índice imobiliário, puxado pelos shoppings centers, e do setor de consumo.
Bastante descontadas, as empresas de educação também aproveitaram o dia para buscar uma recuperação. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 4,75 | 9,45% |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 26,72 | 6,20% |
| BTOW3 | B2W ON | R$ 70,98 | 5,44% |
| BRML3 | BR Malls ON | R$ 11,80 | 4,70% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 35,10 | 4,15% |
Fora do Ibovespa, chamou a atenção o desempenho das ações da Fertilizantes Heringer, que recuaram mais de 40%. Confira as maiores quedas do principal índice da bolsa:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 32,11 | -2,70% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 14,45 | -2,30% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 56,14 | -2,02% |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 19,41 | -1,42% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 25,68 | -1,23% |
Foram mantidas C&A (CEAB3), Brava Energia (BRAV3), Suzano (SUZB3), Plano&Plano (PLPL3), Smart Fit (SMFT3) e Intelbras (INTB3)
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