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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

‘Profecia’ do Fed se confirma e inflação americana aquecida não assusta os mercados, mas Ibovespa tem instabilidade

A bolsa e o câmbio tiveram mais um dia de movimentos tímidos. O Ibovespa subiu 0,13%, aos 130.036, enquanto o dólar recuou apenas 0,07%, a R$ 5,06

Jasmine Olga
Jasmine Olga
10 de junho de 2021
18:37 - atualizado às 19:48
Bola de cristal
Imagem: Shutterstock

Nos últimos meses, a alta do rendimento dos títulos do Tesouro americano desafiou as projeções do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. 

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Enquanto o mercado pressionava a curva de juros, apostando que o BC americano precisará elevar a taxa básica antes de 2023, o Fed seguiu ‘profetizando’ um cenário de pressão temporária para a inflação, mas uma atividade econômica ainda frágil e longe de atingir o pleno emprego. 

Ao longo do tempo, o mercado não fez muita questão de esconder as ressalvas com o discurso, mas agora pode estar perto de ter que dar o braço a torcer. A inflação de fato pressiona o Federal Reserve, superando o centro da meta, mas os sinais mistos da atividade seguem exatamente o roteiro previsto pela instituição. 

A trajetória dos mercados hoje, inclusive, poderia ter sido muito diferente se o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) e os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego não tivessem sido divulgados no mesmo dia. 

Principal divulgação econômica da semana, o CPI avançou 0,6%, acima dos 0,4% projetados pelo mercado. Em um primeiro momento, a inflação acima das projeções assustou, mas foi acompanhada de um balde de água fria. Os pedidos de auxílio-desemprego na semana foram de 376 mil novos pedidos, o nível mais baixo em quase 15 meses, mas bem acima da expectativa do mercado, confirmando o que já havia sido sinalizado no payroll divulgado na última sexta-feira (10). 

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“Com uma inflação maior, é de se esperar que a economia esteja com um crescimento forte e que isso reflita em dados de varejo, serviços e emprego, mas esses números não acompanham as expectativas de mercado”, aponta o economista da CM Capital Alexandre Almeida. 

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Na prática, isso significa que o discurso do Fed de que a inflação é temporária e setores da economia ainda se encontram fragilizados é confirmado, aliviando o temor de um aumento da taxa de juros já nas próximas reuniões. Para o economista, mudanças nos juros só devem ser vistas no segundo semestre do ano que vem, mas a remoção de outros estímulos pode acontecer já nas próximas decisões.  

Colou?

Por ora, os investidores receberam bem a notícia. O retorno dos Tresuries caiu e as bolsas americanas aproveitaram para alcançar novas máximas. O S&P 500 renovou suas máximas ao subir 0,47%. O Dow Jones e o Nasdaq avançaram, respectivamente, 0,06% e 0,78%.

Mesmo com as bolsas americanas no azul durante todo o dia, o Ibovespa custou a conseguir acompanhar o movimento e chegou a recuar 0,30% no pior momento do dia. No fim da sessão, o principal índice da bolsa brasileira fechou em mais um dia de leve alta, subindo 0,13%, aos 130.036 pontos.

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Alta volatilidade também no dólar. A moeda americana passou a maior parte do dia oscilando entre perdas e ganhos, até fechar o dia em leve queda de 0,07%, a R$ 5,0658.

De olho no BC

Lá fora o temor de um aumento nos juros pode até ter sido amenizado, mas por aqui o mercado segue acreditando que a alta da inflação local deve pressionar o Banco Central a elevar ainda mais a taxa Selic. Ontem, o IPCA mostrou uma aceleração acima do esperado, acumulando uma alta superior a 8% nos últimos 12 meses. O reflexo disso é que os principais contratos de DI tiveram mais um dia de alta expressiva em todos os vencimentos. Confira os números de fechamento:

  • Janeiro/2022: de 5,22% para 5,30%
  • Janeiro/2023: de 6,81% para 6,92%
  • Janeiro/2025: de 7,84% para 7,94%
  • Janeiro/2027: de 8,33% para 8,42%

Sobe e desce

A Embraer liderou as altas do dia após a companhia ter anunciado que está em negociações com a Zanite para uma possível combinação de negócios da sua subsidiária responsável por projetos de mobilidade urbana, a Eve. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
EMBR3Embraer ONR$ 20,0015,61%
LWSA3Locaweb ONR$ 26,035,60%
BRKM5Braskem PNAR$ 59,464,26%
CRFB3Carrefour Brasil ONR$ 23,593,24%
BTOW3B2W ONR$ 68,122,99%

Ainda pesando os efeitos da inflação mais alta e a possibilidade de juros mais elevados, os setores de varejo e de construção seguiram recuando. A maior alta do dia ficou com os papéis da Gol, após valorização expressiva nos últimos dias. Confira também as maiores quedas:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
GOLL4Gol PNR$ 26,25-4,37%
VVAR3Via Varejo ONR$ 14,56-3,45%
BRDT3BR Distribuidora ONR$ 26,78-3,11%
B3SA3B3 ONR$ 16,00-2,44%
CYRE3Cyrela ONR$ 24,95-2,42%

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