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O anúncio da aquisição da empresa de big data analytics e inteligência artificial acontece menos de uma semana depois de a B3 informar sobre as negociações
A B3 (B3SA3) deu um passo importante para ampliar os negócios e fincar os dois pés no promissor mercado de serviços de tecnologia. A dona da bolsa de valores brasileira fechou a compra da Neoway, especializada em big data analytics e inteligência artificial para negócios, por R$ 1,8 bilhão.
O anúncio da aquisição acontece menos de uma semana depois de a B3 informar sobre as negociações. O dinheiro para a compra virá da próprio caixa da dona da bolsa.
Fundada em 2002, a Neoway conta com mais de 450 funcionários e tem uma receita líquida projetada de R$ 190 milhões para 2022.
A empresa oferece sistemas para tomada de decisão em vendas e marketing, crédito, prevenção a fraudes, compliance e inteligência jurídica. Em resumo, a empresa possui uma plataforma que coleta e analisa uma ampla base de dados gerados por outras empresas — o tal big data.
A própria B3 está entre os clientes da Neoway: as duas firmaram uma parceria para compilar e analisar os dados de contratos de financiamento de veículos que são registrados na bolsa — e, é claro, vender o acesso a essas informações para potenciais interessados.
A Neoway vinha em forte crescimento até ser citada na delação premiada do lobista Jorge Luz, no âmbito da Operação Lava Jato — ele teria atuado a favor da Neoway em um projeto ligado à BR Distribuidora, então subsidiária da Petrobras.
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Posteriormente, a revelação de que o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, recebeu R$ 33 mil para dar uma palestra na Neoway voltou a colocar a empresa nos imbróglios envolvendo a investigação.
A aquisição da Neoway deve reforçar a estratégia da dona da bolsa de criar produtos de dados e análise para os mercados financeiro e de capitais, tanto para clientes financeiros como de outros setores.
Esse não é o primeiro movimento da B3 para se firmar na área de tecnologia. Anteriormente, a companhia comprou a BLK Sistemas, especializada no desenvolvimento de telas e algoritmos de negociação para corretoras e investidores institucionais. Em outra empreitada, a B3 se associou à Totvs (TOTS3) para criar uma empresa de serviços financeiros.
As iniciativas, contudo, não animaram muito os investidores, pelo menos até o momento. As ações da B3 acumulam uma queda de 36% no ano, em meio aos temores sobre o impacto da alta da Selic nos negócios da companhia e de uma possível entrada de um concorrente no mercado brasileiro.
O negócio com a Neoway ainda precisa ser aprovado em assembleia de acionistas da B3 e também pelo Cade, o órgão de defesa da concorrência. A dona da bolsa realiza hoje, às 9h15, uma teleconferência sobre a aquisição.
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