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Volatilidade nos mercados financeiros exige foco e sangue e frio em tempos de abundância de liquidez e incertezas
O Brasil não é para principiantes, dizia o mestre Tom Jobim – ou pelo menos a frase é atribuída a ele. E se o País não é para principiantes, como isto se reflete na bolsa de valores brasileira? Desde o início da pandemia, quase 1 milhão de brasileiros saíram de outras formas de investimento em busca de rentabilidade na B3. Some-se isto às políticas de juros extremamente baixos dos bancos centrais e a procura por ativos mais arriscados cresceu a olhos vistos nos últimos meses.
Tal combinação de fatores ajudou os mercados financeiros a se recuperarem em velocidade recorde do tombo sofrido no início da pandemia. Passada a recuperação, entretanto, a volatilidade imperou ao longo de todo o mês de agosto, que terá sua última sessão nesta segunda-feira, e tende a persistir em setembro, ou pelo menos nos primeiros pregões do próximo mês.
Na sexta-feira, depois de muita oscilação, o Ibovespa registrou sua segunda semana seguida de leve alta (+0,61%) em relação à anterior, alcançando os 102.142,93 pontos. Por mais de uma vez, entretanto, o principal índice brasileiro de ações perdeu a marca dos 100 mil pontos em meio a especulações sobre a possível saída do ministro da Economia, Paulo Guedes. O que segurou a onda foi a mudança anunciada pelo presidente do Federal Reserve Bank, Jerome Powell, na condução da política monetária do banco central norte-americano.
Além da tensão política, pesa também o ritmo da recuperação econômica brasileira, com novos dados para avaliá-la emergindo no decorrer da semana em um momento no qual o saldo de vítimas da pandemia ultrapassa os 120 mil mortos entre quase 4 milhões de casos confirmados de covid-19.
Portanto, hajam coração, estômago e diversificação para encarar mais uma semana na B3 sem que isso tenha impacto negativo sobre nossa saúde e nossas carteiras.
Para a segunda-feira, o último pregão de agosto deixa no ar a possibilidade de um embelezamento de portfólio por parte dos gestores de carteiras.
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Entrando por setembro, a terça-feira começa emocionante. Estão previstos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) os dados do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. É esperado um declínio acentuado em relação aos primeiros três meses de 2020. Observação mais atenta exigirá a comparação com o segundo trimestre de 2019 em meio a projeções de que a queda anualizada alcançará os dois dígitos.
Também é aguardado para terça-feira o anúncio pelo presidente Jair Bolsonaro sobre a prorrogação do auxílio emergencial. A data do anúncio foi citada no fim de semana pelo deputado Arthur Lira, líder do Centrão, aquele bloco de partidos fisiologistas que até pouco tempo atrás era demonizado por Bolsonaro.
Com o adiamento do Renda Brasil, programa por meio do qual Bolsonaro pretendia ampliar o Bolsa Família e encerrar o auxílio emergencial, espera-se que o presidente determine a prorrogação da ajuda provisória até dezembro, mas pela metade dos R$ 600 mensais de agora.
A ver se a redução do benefício será capaz de aplacar os temores dos investidores em relação ao teto de gastos e à disciplina fiscal.
Além do PIB, a agenda local de indicadores trará também os dados oficiais de produção industrial e preços ao produtor.
Veja a seguir quais são os indicadores que devem agitar a semana no Brasil
Segunda-feira - Como de costume, a semana começa com o boletim Focus e as expectativas dos participantes do mercado para o PIB, a taxa Selic, a inflação, a balança comercial a taxa de câmbio y outras cositas más. Um pouco depois da Focus, o Banco Central revela o resultado fiscal referente a julho. Também pela manhã, a FGV divulga seu levantamento sobre a confiança do empresariado em agosto.
Terça-feira - É dia de conhecer os dados do PIB brasileiro no segundo trimestre de 2020 ante uma expectativa de queda na casa dos dois dígitos. A divulgação dos números está marcada para as 9h. Ainda pela manhã, às 11h30, o Tesouro realiza leilão NTN-B. Na parte da tarde, serão informados os dados consolidados da balança comercial brasileira em agosto. Também na terça-feira, a Fenabrave dará publicidade às vendas de veículos em agosto.
Quarta-feira - O dia começa com a Fipe divulgando os dados do IPC em agosto. Às 9h, o IBGE informa o índice de preços ao produtor referente a julho. Pela tarde, o Banco Central divulga os números semanais de fluxo cambial.
Quinta-feira - O IBGE divulga às 9h os números da produção industrial brasileira em julho. Às 11h30, o Tesouro realiza leilão tradicional de LTN e NTN-F. Também são esperados os indicadores industriais da CNI.
Sexta-feira - A semana se encerra com os dados da Anfavea para a produção de veículo em agosto.
No exterior, com a economia global ainda longe de poder reivindicar um retorno aos níveis pré-pandemia, sondagens sobre a atividade econômica nos Estados Unidos, na Europa e na China podem lançar uma nova luz sobre uma retomada que se mostra bastante heterogênea.
Nos EUA, enquando a campanha presidencial segue em seus primeiros movimentos, os destaques ficaram por conta do Livro Bege do Fed, com os dados regionalizados da economia norte-americana, e do payroll, como é conhecido o relatório oficial sobre a situação do emprego no país.
Confira a seguir os principais indicadores previstos para esta semana no exterior
Segunda-feira - O Fed de Dallas divulga no fim da manhã sua sondagem sobre a atividade de industrial nos EUA. No fim da noite será a hora de conhecer os dados do índice dos gerentes de compra da indústria chinesa.
Terça-feira - O dia começa com os dados de desemprego na Alemanha e na zona do euro, assim como seus respectivos índices dos gerentes de compra da indústria. A união monetária também informa os números da inflação ao consumidor em agosto. Nos Estados Unidos, destaque para os gastos com construção, para o índice ISM de atividade industrial e também para o índice dos gerentes de compra da indústria norte-americana.
Quarta-feira - As encomendas à indústria norte-americana em julho e os números de emprego no setor privado em agosto fazem a cama para a divulgação do tradicional Livro Bege do Fed, cujos dados saem às 15h. Para a noite são esperados os índices dos gerentes de compra composto e do setor de serviços na China.
Quinta-feira - É dia de índices dos gerentes de compra composto e do setor de serviços na Alemanha, nos EUA e na zona do euro. Também serão conhecidas as vendas no varejo na união monetária europeia e da balança comercial norte-americana em julho.
Sexta-feira - O Bundesbank informa os números de encomenda à indústria alemã em julho. A semana de dados internacionais termina com a atualização do famoso payroll, que trará, entre outras coisas, os dados de desemprego nos Estados Unidos.
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O principal índice de ações da B3 encerrou o dia em alta de 2,01%, a 192.201,16 pontos. O dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1029, com queda de 1,01%, enquanto os futuros do petróleo tiveram as maiores quedas percentuais desde a pandemia
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