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2020-11-22T18:22:31-03:00
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
o que vem pela frente

Os segredos da bolsa: estímulos voltam ao radar com 2ª leitura de PIB e ata do Fed nos EUA; por aqui, investidores monitoram inflação

IPCA-15 será divulgado na terça-feira (24) e é o grande dado da agenda local, que também detalha situação do mercado de trabalho formal com Caged

22 de novembro de 2020
20:00 - atualizado às 18:22
Armadilha Dinheiro
Imagem: Shutterstock

As bolsas de valores globais receberam na quinta-feira passada (19) uma notícia positiva: a retomada das negociações por estímulos fiscais nos Estados Unidos. Esta novela se estende há algum tempo e os mercados não perdem sequer um de seus capítulos. Só esperam que tenha um final feliz — quem sabe ele esteja mais próximo, mas o retorno do assunto ao radar deve trazer mais volatilidade no curto prazo.

O sinal veio do líder da maioria do Senado, o republicano Mitch McConnell, que voltou a conversar sobre uma ajuda financeira para aliviar os efeitos da covid-19 na economia do país com o democratas, de acordo com o senador "azul" Chuck Schumer.

A economia americana na última semana demonstrou que ainda não recuperou o ímpeto do crescimento acelerado, com a alta do número de pedidos de seguro-desemprego para 742 mil. Referente à semana retrasada, o dado superou as estimativas de analistas, que esperavam 710 mil pedidos, e indica a lentidão da retomada do mercado de trabalho.

A semana que vem continuará a pôr sob escrutínio os EUA, já que teremos a segunda estimativa do PIB do país na quarta-feira (25). Esta nova leitura para o dado no terceiro trimestre terá por base dados mais completos.

Ainda assim, como se trata de uma segunda divulgação, é provável que os seus efeitos nos mercados sejam diluídos e limitados, uma vez que os agentes financeiros já reagiram ao dado preliminar.

Então, leitor, se o foco é no exterior, preste atenção principalmente às notícias sobre o andamento das conversas por um pacote de estímulos nos EUA: elas com certeza são um "novo velho" fator no radar e vão a mexer com o seu dinheiro.

Também não se esqueça da covid-19. O seu avanço no exterior já forçou alguns lockdowns na Europa e, nos Estados Unidos, as medidas de restrição para reduzir a circulação do vírus continuam a avançar.

Nova York já decidiu por fechar as escolas públicas, enquanto o estado da Califórnia decidiu por estabelecer um toque de recolher de 22h às 5h do horário local. As bolsas americanas fecharam a sexta (20) em queda, depois de o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, indicar que deixará expirar diversos programas de emergência do Federal Reserve.

Por aqui, o fundamental é monitorar o estado da inflação. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) será divulgado na terça (24) e uma nova aceleração dos preços disseminada não apenas entre os preços de alimentos, mas em outros grupos, deverá pressionar as taxas de juros futuros. O Ibovespa terminou a sexta (20) em baixa de 0,59%, mas avançando 1,26% na semana.

PIB americano e FOMC vêm à tona com estímulos no radar

A segunda estimativa do PIB dos Estados Unidos e a ata da última reunião do Federal Reserve preenchem a agenda econômica da próxima semana no exterior.

A nova leitura do PIB não deverá trazer tantos efeitos assim nos mercados, mas ela irá detalhar a extensão da recuperação econômica do país. Na primeira leitura, a economia americana apresentou um crescimento anualizado de 33,1% no terceiro trimestre.

A ata do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto, em tradução livre) é outro destaque da agenda. Na ocasião, o Fed manteve o patamar de estímulos inalterado na faixa de 0% a 0,25%, mas apontou "riscos consideráveis à frente" enquanto a economia continua a se recuperar.

“A atividade econômica e o emprego continuaram se recuperando, mas permanecem bem abaixo dos níveis do início do ano”, afirmou o comunicado do Fed.

A autoridade monetária ressaltou que persegue os objetivos de máximo nível de emprego e a inflação média de 2%.

O comunicado do Fed novamente disse que a instituição continuará a aumentar seu balanço patrimonial de US$ 7 trilhões para "ajudar a promover condições financeiras acomodatícias".

Em outras palavras, o banco realizará compras de ativos do Tesouro dos EUA e títulos lastreados em hipotecas.

Veja o calendário do exterior na próxima semana:

  • Segunda-feira (23)
    • PMI de manufatura e serviços de novembro do Reino Unido (06h30)
  • Quarta-feira (25)
    • PIB de terceiro trimestre dos Estados Unidos (10h30)
    • Ata do Fed (16h)
  • Quinta-feira (26)
    • Comunicado de política monetária do Banco Central Europeu (9h30)

Inflação sob holofotes no mercado local

Por aqui, por sua vez, o que mais importa na agenda são os dados da inflação corrente.

O maior destaque vai para o IPCA-15, a chamada prévia da inflação oficial medida pelo IPCA, referente ao mês de novembro, que atrai especial atenção em razão dos recentes números que indicaram um avanço maior do que o esperado nos preços.

Em outubro, o IPCA-15 mostrou a inflação batendo à porta: o índice registrou a maior alta para o mês desde 1995. O resultado foi uma alta de 0,94%, superando o teto do intervalo das estimativas dos analistas do mercado, que iam de 0,52% a 0,93%.

O grupo Alimentação e Bebidas avançou 2,24%, contribuindo com 0,45 ponto porcentual do total, o maior impacto de alta entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE.

O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também ganha atenção dos agentes financeiros, devendo demonstrar a extensão da recuperação do mercado de trabalho no Brasil. O saldo do emprego formal ficou positivo em 313,5 mil postos de trabalho em setembro.

  • Terça-feira (24)
    • IPCA-15 (novembro)
    • IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) (3ª quadrissemana de novembro)
  • Quarta-feira (25)
    • IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor Fipe) (3ª quadrissemana de novembro)
  • Quinta-feira (26)
    • Caged (outubro)
  • Sexta-feira (27)
    • Resultado do governo central (outubro)
    • IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) (novembro)
    • Pnad Contínua mensal (trimestre até setembro)
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