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2022-04-04T08:42:52-03:00
Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @RenanSSousa1
Segredos da Bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas internacionais aguardam novas sanções à Rússia; Ibovespa acompanha movimentações políticas, greve do BC e inflação nos próximos dias

As falas de dirigentes do Federal Reserve permanecem no radar dos investidores; a troca de cadeiras da Petrobras também é destaque

4 de abril de 2022
7:58 - atualizado às 8:42
Presidente russo, Vladimir Putin, sentado em uma mesa com fone ouvido
Acompanhe o que movimenta bolsa, dólar e Ibovespa esta semana. - Imagem: Departamento de Estado norte-americano

A semana começa com os investidores de olho no conflito ucraniano, cujas negociações não avançaram muito desde a última conversa com a Rússia. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve permanece no radar das bolsas pelo mundo nesta segunda-feira (04). 

Durante o final de semana, Mary Daly, presidente distrital do Fed de São Francisco, afirmou que o argumento para elevação dos juros em 50 pontos-base “cresceu” nas últimas semanas. Em outras palavras, esse é mais um sinal de que o Banco Central americano deve adotar um tom mais agressivo contra a inflação.

Enquanto isso, no cenário doméstico, o fim do período de janela partidária, quando parlamentares podem trocar de partido sem perda de mandato, terminou na última sexta-feira (1º). Além disso, a desincompatibilização de membros do governo para concorrer a cargos públicos também terminou no último sábado (02). 

Ou seja, as movimentações políticas para as eleições de outubro começam a ganhar contornos mais bem definidos. Entretanto, isso pode estressar a bolsa local, com a perspectiva de que alguns candidatos, não tão favoráveis ao mercado, comecem a ganhar destaque. 

No pregão da última sexta-feira (1º), o Ibovespa avançou 1,31%, aos 121.570 pontos, uma alta de 2,09% na semana. Ao mesmo tempo, a moeda norte-americana caiu 1,97%, a R$ 4,6673, recuo de 1,69% no mesmo período.

Saiba o que deve movimentar as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta semana:

Incertezas em uma gigante da bolsa

O cenário político é o pano de fundo do Ibovespa esta semana. No entanto, as movimentações em uma das maiores empresas da bolsa brasileira podem chacoalhar o bom humor dos negócios. 

A nomeação do economista Adriano Pires para a presidência da Petrobras (PETR4) pode estar ameaçada. Pires é sócio da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Óleo e Gás Canalizado (Abigás), além da participação de um de seus filhos no conselho do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o que pode gerar conflito de interesses.

Efeito dominó

Somado a isso, Rodolfo Landim desistiu de presidir o conselho da estatal e permaneceu no cargo de presidente do Flamengo. A nota oficial afirma que Landim pretende se dedicar ao clube, mas o jornal O Globo mostrou que ele possui relação próxima com Carlos Suarez, sócio de oito distribuidoras de gás no Brasil.

A proximidade com Suarez também é um dos motivos levantados para que Pires também desista da sua candidatura à presidência da Petrobras. No entanto, o economista ainda não se pronunciou sobre a desistência.

Dança das cadeiras na estatal

Adriano Pires substitui o general Joaquim Silva e Luna após uma disparada nos preços dos combustíveis. A alta da gasolina está relacionada à política de preços, que segue o mercado internacional, da Petrobras. 

Diversas medidas tomadas pelo governo federal visam limitar o avanço dos combustíveis — que geram um efeito em cadeia na inflação. No entanto, com o preço do barril de petróleo acima dos US$ 100, esse controle fica cada vez mais difícil. 

E a principal commodity do mundo…

Nesta segunda-feira, o barril de petróleo Brent, utilizado como referência internacional, é negociado em alta de 0,19%, cotado a US$ 104,62. A tensão entre Ucrânia Rússia fez disparar o preço da principal commodity energética do mundo desde o início do conflito em 24 de fevereiro. 

Atenção hoje

Para completar o panorama doméstico, a paralisação dos servidores do Banco Central continua nesta segunda-feira. Assim sendo, a divulgação do Boletim Focus e de outras publicações do BC ficam sem horário definido nesta semana. 

Bolsas no exterior: o que movimenta a semana por lá

O investidor internacional acompanha a divulgação da ata da última reunião do Fomc, o Copom americano, na próxima quarta-feira (06). Até lá, as falas de representantes do Federal Reserve devem movimentar o sentimento das bolsas. 

Um aperto monetário mais intenso do que o esperado pode migrar recursos de ativos de maior risco — como as bolsas — para os de menor risco — e o favorito nesse cenário são os títulos do Tesouro americano, os Treasuries.

Contudo, a continuidade da guerra entre russos e ucranianos pode fazer as autoridades monetárias de Estados Unidos e União Europeia reverem seus planos de alta nos juros.

O que movimenta as bolsas lá fora

Na Ásia, o fechamento do mercado foi positivo, com o apetite de risco dos investidores nas alturas, após relatos de que a China está se preparando para dar aos órgãos reguladores dos EUA acesso a relatórios de auditoria de uma parcela das 200 empresas chinesas listadas em Nova York. 

Vale relembrar que o setor de tecnologia chinesa, que tem ações em Wall Street, é alvo constante dos reguladores norte-americanos, em especial no ponto da segurança digital. Dessa forma, o acordo deve aliviar as tensões entre os países. 

Enquanto isso, a Europa avança sem força, de olho nos desdobramentos da guerra. O Conselho Europeu deve se reunir mais uma vez ao longo da semana para anunciar novas sanções à Rússia. 

De maneira semelhante, os futuros de Nova York operam sem direção definida, antes de uma semana recheada de falas de dirigentes do Federal Reserve. 

Agenda da semana

Segunda-feira (04)

  • FGV: IPC-S Capitais de março (8h)
  • Estados Unidos: Encomendas à indústria em fevereiro (11h)

Terça-feira (05)

  • Estados Unidos: Balança comercial de fevereiro (9h30)
  • Brasil: PMI composto e de serviços em março (10h)
  • Estados Unidos: PMI composto e de serviços em março (10h45)

Quarta-feira (06)

  • FGV: IGP-DI de março (8h)
  • Estados Unidos: Secretária do Tesouro, Janet Yellen, testemunha em comitê da Câmara sobre estado do sistema financeiro internacional (11h)
  • Estados Unidos: Fed divulga a ata da última reunião de política monetária (15h)
  • Congresso Nacional: Comissão de Assuntos Econômicos do Senado deve sabatinar novos diretores do BC (sem horário definido)

Quinta-feira (07)

  • Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (9h30)
  • Estados Unidos: Falas de diferentes representantes do Federal Reserve ao longo da tarde (a partir das 10h)

Sexta-feira (08)

  • FGV: 1ª prévia do IGP-M de abril (8h)
  • IBGE: Pesquisa industrial mensal regional de fevereiro (9h)
  • IBGE: IPCA de março (9h)
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