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Uma das autoras do impeachment de Dilma, a deputada afirmou que uma junta médica precisa avaliar a sanidade mental do presidente
A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff e que chegou a ser cotada para ser vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2018, criticou nesta segunda-feira, 16, a participação do presidente em ato contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e defendeu sua renúncia.
Autor do impeachment de Dilma junto com Janaina, o jurista Miguel Reale Júnior também reprovou o comportamento de Bolsonaro e afirmou que uma junta médica precisa avaliar a sanidade mental do presidente. No domingo, 15, Bolsonaro ignorou a pandemia do novo coronavírus, deixou o isolamento recomendado pelos médicos e foi a ato em Brasília.
"O que ele (Bolsonaro) fez ontem (domingo) é inadmissível, é injustificável, é indefensável", disse Janaina durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo. "Crime contra a saúde pública. Desrespeitou a ordem do seu ministro da Saúde. Esse senhor tem que sair da Presidência da República. Deixa o Mourão", discursou a deputada, que é advogada, citando o vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão. "Eu me arrependi do meu voto. As autoridades têm que se unir e pedir para ele se afastar, não temos tempo para um processo de impeachment."
Segundo ela, "quando as autoridades têm o poder e o dever de tomar providências para evitar um resultado danoso, e assim não procedem, elas respondem por esse resultado". "Isso é homicídio doloso. Será atribuído ao governador do Estado de São Paulo, será atribuído ao presidente da República, principalmente ao presidente da República", disse a deputada. "Como um homem que está possivelmente infectado vai para o meio da multidão?", questionou a parlamentar.
Em 2018, Janaina, então apoiadora de Bolsonaro, foi a deputada estadual mais votada da história da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, com mais de 2 milhões de votos.
Na quinta-feira passada, 12, a deputada já havia batido de frente com o governador João Doria (PSDB) por causa do avanço do novo coronavírus - o tucano ainda não tinha suspendido a realização de eventos públicos com mais de 500 pessoas.
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Nas redes sociais, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) rebateu a parlamentar. "São 57.796.986 de brasileiros que votaram contra o sistema e a favor de Jair Bolsonaro. A senhora tem todo o direito de se arrepender, não a criticarei por isso. Mas nunca se esqueça: a vontade do povo é (e continuará sendo) soberana", escreveu o filho do presidente.
Ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, Reale Jr. disse ao Estado que Bolsonaro deve ser considerado "inimputável" por ter participado da manifestação no domingo em meio à crise na saúde. "Seria o caso de submetê-lo a uma junta médica para saber onde está o juízo dele. O Ministério Público pode requerer um exame de sanidade mental para o exercício da profissão. Bolsonaro também está sujeito a medidas administrativas e, eventualmente, criminais. Assumir o risco de expor pessoas a contágio é crime", afirmou o jurista.
De acordo com Reale, a participação de Bolsonaro no ato de domingo fere a legislação que regulamenta as ações para enfrentar uma pandemia. O ex-ministro não defendeu, porém, o impeachment do presidente. "O impeachment é um processo muito doloroso."
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