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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Preocupação global

Cautela elevada no exterior faz o Ibovespa operar em queda e joga o dólar para R$ 5,23

Dados fracos da economia americana, somados à baixa do petróleo e às turbulências no cenário político doméstico colocam pressão sobre o Ibovespa e o dólar

Victor Aguiar
Victor Aguiar
15 de abril de 2020
10:36 - atualizado às 16:23
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A aversão ao risco volta a pesar sobre os mercados globais, colocando pressão sobre as bolsas e aumentando a busca por proteção no câmbio. Nesse cenário, o Ibovespa passou boa parte da sessão desta quarta-feira (15) em queda, enquanto o dólar à vista engata mais uma alta.

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Por volta de 16h20, o principal índice acionário brasileiro recuava 0,95%, aos 79.157,13 pontos, num desempenho em linha com o visto no exterior: nos Estados Unidos, o Dow Jones (-1,66%), o S&P 500 (-1,96%) e o Nasdaq (-0,97%) também operam em queda.

No câmbio, o dólar à vista subia 0,86% no mesmo horário, a R$ 5,2346, engatando a terceira alta consecutiva. O dia é de valorização da moeda americana em relação às divisas de países emergentes.

  • Eu gravei um vídeo para explicar melhor a dinâmica dos mercados nesta quarta-feira. Veja abaixo:

Uma combinação de fatores contribui para elevar a cautela entre os investidores nesta manhã. Em primeiro plano, aparece a forte queda de 8,7% nas vendas no varejo nos Estados Unidos em março, o maior recuo mensal da série histórica do Departamento do Comércio do país.

Trata-se de mais um indicador que evidencia o forte impacto que o surto de coronavírus está causando à economia americana. Mais cedo, o índice de atividade industrial Empire State despencou a -78,2 em abril, um desempenho muito pior que o projetado pelos analistas.

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A fraqueza demonstrada pela economia dos EUA faz jus à visão pessimista do FMI para a atividade global em meio à pandemia. A instituição prevê uma baixa de 3% no PIB mundial em 2020 — em janeiro, a estimativa era de crescimento de 3,3% neste ano.

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O viés mais defensivo também é visto no mercado de petróleo: o Brent cai 5,24%, refletindo o cenário de queda no consumo global da commodity. Em relatório, a Agência Internacional de energia (AIE) prevê uma baixa na demanda mundial de 9,3 milhões de barris por dia em 2020 — um cenário que, naturalmente, afeta as cotações do produto.

Olhos atentos

O cenário doméstico também inspira cuidado: por aqui, os investidores acompanham de perto eventuais movimentações por parte do governo, uma vez que alguns jornais já dão como certa a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ainda nesta semana.

O titular da pasta vem se desentendendo com o presidente Jair Bolsonaro há algumas semanas — enquanto Mandetta defende o isolamento social para combater o coronavírus, Bolsonaro alega que o nível de atividade precisa ser retomado o mais rápido possível, de modo a não impactar a economia de maneira mais severa.

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No fim de semana, o ministro da Saúde deu entrevista à TV Globo cobrando um discurso único por parte das autoridades, o que teria gerado descontentamento dentro do governo.

Além disso, o mercado também está atento às movimentações de bastidores no Congresso, dadas as discussões acaloradas envolvendo o pacote de auxílio emergencial a Estados e municípios — o projeto foi aprovado pelo plenário da Câmara e agora segue para votação no Senado.

O texto poderá causar um impacto de cerca de R$ 100 bilhões às contas públicas e, por isso, vem sendo chamado de 'bomba fiscal' — economistas ouvidos pelo Seu Dinheiro temem que a aprovação da pauta poderá forçar uma elevação nos juros.

Esse cenário, somado à pressão vista na bolsa e no câmbio, faz os DIs mais curtos operarem em baixa. Esses ajustes positivos, no entanto, não enfraquecem a percepção de que a taxa Selic continuará sendo cortada para dar estímulo à economia:

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  • Janeiro/2021: de 3,04% para 3,06%;
  • Janeiro/2023: de 4,77% para 4,74%;
  • Janeiro/2025: de 6,38% para 6,30%.

Top 5

Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
COGN3Cogna ON5,33 +7,46%
NTCO3Natura ON31,64 +6,25%
GOLL4Gol PN12,16 +6,11%
BTOW3B2W ON62,39 +4,86%
SMLS3Smiles ON14,39 +4,65%

Confira também as maiores quedas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
PETR3Petrobras ON16,54 -3,73%
BRML3BR Malls ON9,36 -3,60%
SANB11Santander Brasil units27,10 -3,46%
KLBN11Klabin units15,93 -3,16%
RAIL3Rumo ON19,46 -3,14%

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