Itaú tem lucro de R$ 28,363 bilhões, alta de 10,2%, mas vê margem sob pressão em 2020
Resultado fica pouco acima do esperado por analistas e mantém Itaú como o mais rentável entre os bancões

O Itaú Unibanco confirmou as expectativas que já vinham se formando nos últimos dias no mercado de que viria com um balanço forte. O maior banco privado brasileiro registrou lucro líquido recorrente de R$ 28,363 bilhões em 2019, alta de 10,2% em relação ao ano anterior.
O resultado ficou levemente acima das projeções dos analistas, cuja média apontava para R$ 28,259 bilhões, de acordo com dados da Bloomberg.
O Itaú também manteve por mais um ano o posto de banco mais rentável entre os gigantes do varejo brasileiro em 2019. O retorno sobre o patrimônio da instituição ficou em 23,7%, bem à frente dos 21,3% do Santander e 20,6% do Bradesco.
XP rende quase R$ 2 bilhões
Nos últimos três meses do ano, o lucro líquido recorrente do Itaú foi de R$ 7,296 bilhões, uma alta de 12,6% em relação ao mesmo período de 2018.
Esse resultado não considera o ganho de R$ 1,974 bilhão que o Itaú teve com a oferta de ações da XP Investimentos na bolsa norte-americana Nasdaq, em dezembro. Isso porque o banco classificou como não-recorrente no balanço.
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Crédito avança, mas...
Depois de começar o ano mais devagar que a concorrência no crédito, o Itaú recuperou o terreno perdido. O saldo das operações de financiamento do banco encerrou o ano em R$ 706,7 bilhões, alta de 2,6% no trimestre e de 10,9% em 12 meses.
O resultado ficou perto do teto da estimativa dada pelo banco no começo de 2019, quando projetou um avanço de 8% a 11%.
Para 2020, o Itaú espera um avanço um pouco maior dos financiamentos, entre 8,5% e 11,5%, de acordo com as estimativas divulgadas junto com o balanço.
...A margem está sob pressão
Apesar da expansão do crédito, a margem financeira com clientes – que contabiliza as receitas na concessão de financiamentos menos os custos de captação – cresceu 8,6% no ano passado, abaixo do piso das estimativas, que variavam entre 9% e 12%.
O que mais chama a atenção, contudo, é a estimativa para a linha de margem com clientes em 2020, que varia de estabilidade a um aumento de 4%. Em outras palavras, o Itaú espera uma maior pressão sobre os spreads de crédito ao longo deste ano.
Provisões para calotes aumentam, mas...
Assim como os demais bancos, o Itaú também manteve o índice de inadimplência em níveis comportados ao longo de 2019. O indicador de atrasos acima de 90 dias na carteira encerrou o ano em 3%, uma alta de 0,1% no trimestre e em 12 meses.
Já o custo do crédito – que inclui as despesas de provisão para calotes –deram um salto de 29,1% em 2019, para R$ 18,2 bilhões. Com isso, estouraram a projeção do banco, que esperava gastar no máximo R$ 17,5 bilhões nessa linha.
...Receita com serviços reage
A despesa maior com provisões foi compensada por um resultado melhor do Itaú com as receitas de prestação de serviços e seguros, que aumentaram 5,9% – acima da estimativa do banco, que estava entre 2% e 5%.
Essa linha do balanço vem sendo pressionada pela maior competição das novas empresas de tecnologia financeira (fintechs), que oferecem produtos com taxas menores ou com tarifa zero.
Mas o Itaú está relativamente otimista para 2020, com uma expectativa de crescimento de 4,5% a 7,5% nessas receitas.
As despesas do banco também surpreenderam positivamente, com um crescimento de apenas 2,5% em 2019. O avanço foi menor que a inflação do ano passado e também do que a própria previsão da instituição, que esperava um aumento de 3% a 6% nos gastos operacionais e com pessoal.
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