Na bolsa, Gol, Azul e CVC recuperam parte das perdas com pandemia
Avanço das vacinas empolgou o mercado todo, mas não basta para explicar o desempenho dos papéis ligadas ao setor de aviação

Depois de derreterem na bolsa ao longo do ano por causa da pandemia, Azul, Gol e CVC recuperaram em novembro parte das perdas — as empresas estão entre as maiores altas do mês no Ibovespa, o principal índice da bolsa.
O avanço das vacinas empolgou o mercado todo, mas não basta para explicar o desempenho dos papéis ligados ao setor de aviação e turismo. Mais do que uma crença na retomada imediata da demanda, o importante para o mercado são as sinalizações dos executivos.
O analista do BB Investimentos Renato Hallgren listou em recente relatório o que faz as ações das companhias aéreas subirem nas últimas semanas.
[captacao]
- Preservação de caixa
O setor aéro sempre foi caro e difícil de operar. Com a pandemia, as operações ficaram ainda mais frágeis e as empresas tiveram de implementar uma série de medias para garantir liquidez.
Ao longo deste ano, Gol e Azul cortaram custos, renegociaram o perfil de pagamento com seus arrendadores de aeronaves e fecharam acordos com fabricantes para postergar a entrega de novos aviões.
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As empresas adiaram investimentos e aproveitaram medidas de ajuda aprovadas pelo governo federal para reduzir salário de funcionários. As atuações teriam sido suficientes para garantir algum alívio de caixa, segundo analistas.
2. Retomada lenta e gradual na demanda
As empresas têm demonstrado um aumento das operações. No início de outubro, a Gol ampliou a oferta de voos para 400 por dia. Desde agosto, a Azul vem divulgando melhoras sequenciais de tráfego, capacidade e taxa de ocupação.
No segundo trimestre, com a pandemia, a Gol teve redução de 90,5% da demanda por voos domésticos. A Azul registrou uma queda de 83,8% na procura por viagens no período.
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o total de passageiros transportados em outubro foi de 4,1 milhões — contra 3 milhões em setembro.
No entanto, na comparação anual o total de passageiros transportados em outubro ficou 51,1% inferior. Nos últimos 12 meses, foram transportados 51,7 milhões de passageiros, queda de de 45,3%.
3. Desvalorização do dólar
Parte do mercado acredita em uma perspectiva de desvalorização do dólar ante o real, depois da queda de 6,8% em novembro — embora a moeda ainda acumule alta de 33% no ano.
Dólar em baixa é bom para as empresas aéreas porque as companhias têm muitas linhas negativas do balanço — incluindo parte das despesas —atreladas à moeda americana.
4. Capital estrangeiro na bolsa
A bolsa brasileira de forma geral foi beneficiada em novembro pela entrada de capital estrangeiro, motivada pela eleição do democrata Joe Biden nos Estados Unidos e pelo avanço das vacinas.
Foram R$ 30 bilhões que entraram na B3 em novembro, o maior valor desde 1995. O movimento impulsionou o Ibovespa para ganhos de 15,9% no período, marcando uma alta das empresas da chamada "velha economia".
5. Nível de desconto
Apesar da alta em novembro, Azul (AZUL4), Gol (GOLL4) e CVC (CVCB3) acumulam baixas no ano: respectativamente de 34%, 36% e 55%. A interpretação de parte do mercado é de que os papéis estão descontados.
As ações de Azul subiram 68% em novembro, a R$ 38, e as da Gol avançaram 49% no período, a R$ 23. Enquanto isso, os papéis da agência de viagens CVC escalaram 48%, negociados a R$ 18,23.
CVC tem imbróglio à parte
A CVC tem um imbróglio à parte da pandemia. A empresa atrasou por várias vezes a divulgação dos balanços por causa de erros na contabilização de valores transferidos a fornecedores de serviços turísticos.
Depois de dar algumas respostas ao mercado, a companhia diz que nota a retomada das viagens dentro do país, com aumento no número de reservas e de orçamentos solicitados pelos clientes.
Na primeira quinzena de setembro, as reservas atingiram 40% do valor do mesmo período de 2019, depois de as vendas ficarem próximas a zero entre abril e junho.
De acordo com a CVC, enquanto as vendas totais em junho representaram somente 8% do volume reservado na comparação com o mesmo mês de 2019, em setembro, até a última semana, elas alcançaram 35%.
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