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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Incorporadoras

Gafisa parte para o ataque e lança oferta hostil para fusão com Tecnisa

Juntas, Gafisa e Tecnisa formariam a maior companhia do setor imobiliário do país, com um banco de terrenos (landbank) avaliado em R$ 10,3 bilhões e R$ 2 bilhões em lançamentos previstos para este ano e 2021

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
19 de agosto de 2020
11:17 - atualizado às 12:27
jardim das perdizes
Jardim das Perdizes, empreendimento da Tecnisa - Imagem: Tecnisa

Protagonista de uma série de reviravoltas corporativas e mudanças de controle nos últimos anos, a incorporadora Gafisa partiu para o ataque e lançou hoje uma proposta para combinar seus negócios com a Tecnisa. Trata-se de uma típica oferta hostil, ou seja, que não foi negociada previamente com a administração da empresa.

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A Gafisa não deu detalhes de como ficaria a participação de cada empresa no novo negócio formado pela combinação. O anúncio da oferta movimenta ambas as companhias na B3.

As ações da Tecnisa (TCSA3) chegaram a subir mais de 6%, mas por volta das 11h eram negociadas em alta de 1,43% na manhã desta quarta-feira. Os negócios com papéis da Gafisa (GFSA3) ficaram suspensos nos primeiros 20 minutos de pregão e no mesmo horário recuavam 2,54%. Leia também nossa cobertura completa de mercados.

Juntas, Gafisa e Tecnisa formariam a maior companhia do setor imobiliário do país, segundo a apresentação que foi encaminhada pela Gafisa junto com o anúncio da oferta.

As duas empresas possuem um banco de terrenos (landbank) avaliado em R$ 10,3 bilhões, com R$ 2 bilhões em lançamentos previstos para este ano e 2021. O valor de mercado do estoque de imóveis prontos e em construção das incorporadoras é estimado em R$ 1,1 bilhão.

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A empresa combinada ficaria com uma posição de caixa de R$ 1,057 bilhão — sendo R$ 287 milhões da Tecnisa e R$ 770 milhões da Gafisa, que inclui nessa conta uma captação que será liquidada neste mês.

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A meta seria atingir um caixa de R$ 3 bilhões com uma futura oferta de ações (follow on) de R$ 1,5 bilhão na bolsa.

A Gafisa passou por maus bocados em 2018, quando o investidor Mu Hak You assumiu o comando da incorporadora. A era do gestor coreano na companhia durou pouco e no seguinte ele foi forçado a se desfazer da participação.

Hoje quem dá as cartas na Gafisa é o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades e que faz parte do conselho da companhia.

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Reação da Tecnisa

Resta saber como o conselho de administração da Tecnisa vai reagir à ofensiva. A primeira manifestação não foi lá muito simpática. Até porque, junto com a proposta, a Gafisa pediu a convocação de uma assembleia geral de acionistas com uma pauta polêmica.

Além da análise da proposta, está um pedido para eliminação de uma cláusula no estatuto que dificulta a aquisição de uma participação relevante por um acionista — conhecida como "poison pill" (pílula de veneno)

A Gafisa pede ainda que a assembleia de acionistas discuta a votação de nova chapa de membros do conselho de administração e um aumento de capital de R$ 500 milhões.

“O conselho de administração da companhia irá se reunir, em caráter extraordinário, para avaliar, de forma detalhada, a Proposta Não Solicitada e o Pedido de Convocação”, informou a Tecnisa, que tem a família Nigri como principal acionista, embora possua hoje a maioria das ações nas mãos de minoritários na B3.

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