Destino da Oi: qual a vantagem da Highline sobre Vivo, Claro e TIM?
Operadora fechou um acordo de exclusividade com a Highline para a venda da rede móvel da companhia, deixando para trás - ao menos por enquanto - as outras três empresas

Em disputa pela rede móvel da Oi, a Highline do Brasil tem ao menos uma vantagem em relação à proposta conjunta de Vivo, Claro e TIM: a possibilidade de aprovação do negócio em relação a órgãos reguladores.
[captacao]
Nesta quinta, a Oi anunciou um acordo de exclusividade com a Highline para a venda da rede móvel da companhia, deixando para trás - ao menos por enquanto - Vivo, Claro e TIM, que haviam apresentado também uma proposta.
Dentro do Cade, a aposta é que o acordo com Highline vai ser facilmente aprovado, uma vez que não reduz a concorrência no setor - o que fatalmente ocorreria caso os ativos fossem fatiados entre as atuais líderes do segmento.
Um integrante do Cade disse ao Estadão/Broadcast que a divisão entre as demais operadoras teria “altíssimas chances” de ser reprovada. Sob pressão dos credores, essa possibilidade não seria bem-vinda para a Oi.
Prova disso é que, no ano passado, a compra da Nextel - que tinha participação pífia no mercado, de pouco mais de 1% - pela Claro levou nove meses para receber o aval do órgão antitruste brasileiro.
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Apesar de o Cade ter aprovado o negócio sem impor restrições em dezembro de 2019, o conselheiro Sérgio Ravagnani, relator do processo, ressaltou na ocasião que o mercado de telefonia móvel já apresenta grau de concentração significativo e que novos negócios deveriam ser acompanhados com atenção.
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Vivo lidera atualmente o mercado de telefonia móvel por ampla margem. A empresa controlada pela espanhola Telefônica detinha 33% do setor em maio, com 74,4 milhões de clientes.
A Claro em vem segundo, com fatia de 25,9% e um total de 58,5 milhões de consumidores. Em terceiro está a TIM, com 23,2% e 52,3 milhões de acessos. A Oi hoje é a quarta - e mais frágil - participante do setor. Tem 16,3% do total, com 36,7 milhões de linhas.
Ainda que o destino não esteja selado, o anúncio da Oi mexeu com o setor de telecomunicações na bolsa ontem. Os papéis da Oi (OIBR3) fecharam em alta de 19,40%, a R$ 1,60.
Já ações da TIM (TIMP3) caíram 8,43%, a R$ 14,77, e as da Vivo (VIVT3), 3,73%, a R$ 49,58. A Claro não tem papéis negociados na bolsa brasileira. Veja como foi o desempenho dos mercados.
Highline e Oi
A Highline já havia feito uma oferta vinculante por outra UPI (unidade produtiva independente, que permite a venda separada de negócios por empresas em recuperação judicial), a Torres, que engloba sites de transmissão de radiofrequência da companhia. O valor oferecido foi de R$ 1,076 bilhão.
Especializada de infraestrutura de telecomunicações, a Highline do Brasil não opera telefonia móvel ao consumidor final, ao menos até agora. A companhia, fundada pelo Pátria Investimentos em 2012 e hoje controlada pela americana Digital Colony, oferece projetos para a construção de torres e estruturas de transmissão de dados no topo de edifícios, entre outros serviços de apoio à ampliação do alcance da cobertura.
A empresa constrói as estruturas para as companhias de telecomunicações. A oferta pela Oi Móvel surpreende por posicionar a Highline em um serviço direto ao consumidor final, colocando-a também como rival de parte de suas clientes.
O Digital Colony, controlador da Highline, é parte do fundo de investimentos digitais da Colony Capital. O fundo comprou a empresa do Pátria Investimentos em dezembro de 2019, por um valor não revelado à época.
Com isso, adicionou o Brasil a um portfólio de investimentos que congrega outras 14 empresas na América Latina, na América do Norte e na Europa.
No Brasil, o fundo comprou, em abril, a UOL Diveo, antiga operação de data center do Grupo Folha, por um valor entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões, segundo a agência de notícias Bloomberg.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo
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