ADRs da Latam derretem mais de 40%, após pedido de recuperação judicial
Unidades do grupo no Brasil, na Argentina e no Paraguai não estão envolvidas no processo; empresa diz que ainda está em discussão com o governo Bolsonaro as possíveis saídas para a crise

Recibo que representa ações e são negociados na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), os ADRs (American Depositary Receipt) da Latam derretem mais de 40% no pré-mercado desta terça-feira (26), após a empresa anunciar recuperação judicial.
O grupo e suas afiliadas no Chile, no Peru, na Colômbia, no Equador e nos Estados Unidos entraram com pedido (Chapter 11) nos EUA nesta terça-feira (26). As unidades do grupo no Brasil, na Argentina e no Paraguai não estão envolvidas no processo.
A empresa é a segunda companhia aérea da América Latina a pedir recuperação judicial nos EUA, depois da Avianca Holdings. No Brasil, a Latam diz que ainda está em discussão com o governo Jair Bolsonaro as possíveis saídas para a crise.
A Latam é vista como uma das aéreas com maior dificuldade para atender as condições de acesso ao pacote emergencial para o setor aéreo que está sendo preparado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na avaliação de especialistas. Isso porque não tem capital aberto no Brasil, o que dificultaria seu acesso ao modelo de auxílio que está sendo estruturado.
Em Brasília, há ainda a interpretação de que, por se tratar de uma empresa chilena, Santiago deveria ajudar no socorro da empresa.
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Segundo apurou a reportagem, a companhia contratou recentemente o banco PJT Partners para ajudá-la na reestruturação de sua dívida. Há 15 dias, a empresa deixou de honrar compromissos relativos ao serviço de uma de suas dívidas, vencidos em 15 de maio.
[captacao]
Diante da inadimplência, as agências de classificação de risco de crédito Fitch e S&P rebaixaram a nota da empresa na última sexta-feira. Em relatório, a Fitch destacou que a Latam tem um período de carência de 15 dias para realizar o pagamento, mas que não estava claro se a companhia pretendia cumprir com a obrigação ou se iria iniciar um processo de reestruturação de dívida maior.
Já os analistas da S&P escreveram que "as preocupações com uma reestruturação da dívida ou um pedido de falência estão aumentando".
Em março, o UBS havia afirmado, em relatório, que a Latam era a companhia aérea com atuação no mercado doméstico mais vulnerável à crise.
Segundo cálculos do banco, o caixa da empresa deveria ficar negativo já neste segundo trimestre com a redução dos voos em 70%, corte anunciado pela Latam à época. A Avianca era outra empresa em situação semelhante, escreveram os analistas do UBS.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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