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Nesses dias de confinamento, tenho feito muitas chamadas telefônicas e em vídeo com amigos e familiares. As conversas vão de dicas do que fazer trancado em casa, preocupações sanitárias, avaliação política e, claro, a situação da economia e da bolsa de valores.
Um amigo me disse estar aliviado porque não investiu em ações. Antes de o coronavírus bater à porta, ele vivia a angústia de ter todas as suas economias aplicadas na renda fixa e sofria com a queda de rendimentos em tempos de juros baixos. Tinha uma certa inveja de quem ganhou dinheiro na bolsa no último ciclo de alta, queria começar a investir em ações, mas não tinha coragem.
Agora que o coronavírus derrubou as cotações das bolsas do mundo todo, sentiu-se vitorioso por não ter perdido dinheiro.
Eis que eu pergunto: você já olhou o saldo das suas aplicações no Tesouro Direto? Não, ele não tinha olhado. Aliás, nem pensou nisso, afinal, não seriam os títulos públicos um dos ativos mais seguros para colocar seu dinheiro?
Sim, de fato, são ativos seguros. Mas, não, eles não estão imunes às crises.
Os preços e taxas dos títulos públicos prefixados ou atrelados à inflação (Tesouro IPCA +) chacoalharam nas últimas semanas.
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Apesar de os bancos centrais do mundo todo, inclusive do Brasil, reduzirem as taxas de juros para estimular suas economias, o juro futuro subiu em meio às incertezas. E aí entra uma premissa básica de precificação de títulos públicos: se o juro sobe, o preço cai.
Com isso, quem tinha títulos prefixados ou atrelados à inflação viu seus valores de mercado desabarem. Na prática, se vendessem esses títulos agora, ganhariam menos do que se o fizessem antes da crise.
A Julia Wiltgen fez uma matéria que explica exatamente o que aconteceu com os títulos públicos. Esse texto foi o mais lido da semana - se você não viu, eu sugiro que aproveite o fim de semana para ler.
Mas antes disso, gostaria de lhe fazer um convite. Na segunda-feira (30), às 20h, vai ao ar uma entrevista que eu fiz com o Guilherme Zanin, o único analista brasileiro autorizado a usar o método de Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre. Kiyosaki criou um sistema batizado de "Cash Flow Machine", que permite receber renda passiva semanal. Para acompanhar a entrevista, basta se cadastrar aqui.
Investir não é sobre prever o futuro político, mas sobre manter a humildade quando o fluxo atropela os fundamentos. O que o ‘Kit Brasil’ e um pote de whey protein têm em comum?
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