As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje
Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

Já falei sobre um dos filmes do diretor canadense James Cameron nesta newsletter, e hoje quero citar Titanic.
O navio britânico, causador de um dos maiores desastres marítimos da história e a inspiração para o filme, foi construído pela White Star Line para ser o mais luxuoso e seguro feito até então. Divididos entre primeira, segunda e terceira classe, os passageiros mais abastados tinham acesso a restaurantes sofisticados, academia, piscina e até quadra de squash.
Após colidir com um iceberg, o Titanic afundou em abril de 1912, com botes salva-vidas insuficientes para todos os passageiros e tripulação.
No drama de 1997, o enfoque é na vida das pessoas que cruzaram o oceano e presenciaram a tragédia. Sem acesso a um bote, Rose consegue se salvar apoiando-se em uma tábua de madeira, pequena e instável demais para abrigar também seu par romântico, Jack.
Nas últimas semanas, também temos visto diversas empresas buscando um bote salva-vidas, seja por meio de uma recuperação extrajudicial ou uma medida cautelar que suspende os pagamentos e execuções de dívidas por um período. Cada vez mais empresas buscam um respiro para não naufragarem.
Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona. Conversei com especialistas em recuperação judicial para entender por que esse cenário deve piorar ainda mais em 2026. Confira nesta matéria aqui.
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Tinha uma guerra no meio do caminho: é hora de adequar a carteira ao ciclo de queda da Selic?
O Banco Central cortou a taxa básica de juros, mas em uma intensidade menor que a projetada inicialmente. Diante dos riscos da guerra no Irã, é mesmo chegada a hora de montar uma carteira para um cenário de juros mais baixos? Quem responde é Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos no Itaú Unibanco.
Esquenta dos mercados
Depois de o Irã levantar dúvidas sobre as negociações com os Estados Unidos, um plano de cessar-fogo com 15 pontos foi oferecido pelo governo norte-americano na noite de ontem (24), o que fez investidores começarem a ver uma luz no fim do túnel.
Apesar das incertezas ainda no ar, a reação foi imediata, fazendo os preços do petróleo despencarem mais de 5% nesta manhã.
Já as bolsas ao redor do globo tentam recuperar o fôlego após as últimas perdas. O mercado europeu e os índices futuros de Nova York amanhecem em forte alta nesta quarta-feira (25).
Os mercados asiáticos também foram impulsionados pelo anúncio e fecharam o pregão no azul, com destaque para o índice japonês Nikkei, que encerrou o dia com ganhos de 2,82%.
Enquanto os termômetros seguem registrando altas temperaturas no conflito, investidores acompanham dados de inflação no Reino Unido. Por aqui, os holofotes se voltam para o índice de confiança do consumidor da FGV, que indica a percepção da população sobre a economia.
Além disso, a temporada de balanços chega a sua reta final com a divulgação dos resultados da Americanas, que serão conhecidos hoje após o fechamento dos mercados.
Outros destaques do Seu Dinheiro
APOSTA ALTA
Recorde de R$ 57 bilhões: para onde vai o investimento do Mercado Livre (MELI34), que também promete criar de 10 mil empregos no Brasil. Gigante do e-commerce vê espaço para crescer e acelera aportes em logística e serviços financeiros; confira os detalhes do plano.
O QUE FAZER COM AS AÇÕES?
Casas Bahia (BHIA3) saiu do “modo sobrevivência” e agora busca virar a chave de vez: vai dar certo? BTG responde. Banco vê avanço operacional e melhora financeira após Investor Day, mas mantém cautela com juros altos e estrutura de capital.
INDEFINIÇÃO NA CARREIRA
‘Limbo profissional’: liquidação do will bank não encerra vínculo dos funcionários — que seguem sem saber quando serão demitidos. Mesmo com salários e benefícios mantidos, colaboradores seguem sem trabalhar e esperam por desligamento para não perder direitos trabalhistas.
“IMPOSTO DO PECADO”
Copa, eleições e imposto indefinido: o que afeta a Ambev (ABEV3) e outras fabricantes de cerveja, segundo o BTG. Ainda não é possível saber qual o tamanho do impacto do Imposto Seletivo sobre cervejas, que ainda não foi regulamentado; efeito sobre a Ambev deve ser neutro.
RAIO-X DO CONSUMO
Corrida do varejo no Brasil: quem ganha e quem fica para trás, segundo o BTG. Com base no desempenho do quarto trimestre de 2025, banco destaca quais empresas conseguiram driblar os juros altos e o consumo fraco no final do ano passado.
MOSAICO DE SOBREVIVÊNCIA
Apagão da vida e da morte: crise de energia para crematórios na Ásia, suspende salários e ameaça o coração da Europa. A crise de combustíveis arrombou a porta na Ásia e agora ameaça entrar pela janela da Europa; confira as medidas de emergência estão sendo tomadas para conter a disparada do petróleo e do gás no mundo.
TIGRINHO NÃO ESTÁ PAGANDO
Nem juros nem crédito: bets já são a maior causa de dívidas no Brasil, diz estudo. Pesquisa mostra que as plataformas de apostas online se tornaram um fator macroeconômico relevante para as dívidas dos brasileiros.
REAÇÃO AO RESULTADO
Ações do Agibank caem em Wall Street após primeiro balanço desde o IPO. O que incomodou o mercado? Suspensão temporária no principal motor do negócio resulta em balanço “misto” no 4T25. Vale a pena manter o otimismo com as ações agora?
DESCONTOS DE ATÉ 30%
Depois da chegada de sua marca irmã mais barata, preços da Zara caem; qual o risco para C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3)? Nos últimos dias, diversos vídeos nas redes sociais mostram que a Zara reprecificou diversos produtos. A própria XP verificou, em levantamento, que os itens ficaram 15% mais baratos, com alguns cortes chegando a 30%.
POLÍTICA MONETÁRIA
Sinal verde para a Selic: o segredo escondido na ata do Copom que abre as portas para cortes de 0,50 pp nos juros. A guerra no Oriente Médio é a principal pedra no caminho de uma política monetária mais flexível daqui para a frente.
PRESSÃO REGULATÓRIA
Sanepar (SAPR11) cai até 7% após Agepar propor repasse de R$ 3,9 bilhões a usuários; entenda o que está em jogo. Mudança de regra pode afetar diretamente as expectativas de retorno e geração de caixa da companhia de saneamento paranaense.
NOVA IDENTIFICAÇÃO
CNPJ vai mudar: entenda como funciona o novo modelo alfanumérico que chega em breve. Os CNPJs emitidos a partir de julho de 2026 devem combinar letras e números; mudança ocorreu pela escassez de combinações numéricas possíveis.
REAÇÃO AO BALANÇO
Movida (MOVI3) muda o foco: lucro líquido sobe 64,5% e rentabilidade bate recorde no 4T25; é hora de comprar as ações? Lucro líquido chegou a R$ 102,3 milhões no período, em meio a estratégia mais focada em rentabilidade e menos dependente de crescimento de frota; veja os destaques do resultado.
VEJA OS DETALHES
Um em cada cinco: auditoria ligada à Fictor Alimentos (FICT3) aparece em 113 fundos do entorno do Banco Master. Levantamento com dados da CVM e da Anbima mostra forte presença da UHY em fundos ligados ao ecossistema do Banco Master, além de conexões com a Fictor, vínculos indiretos entre estruturas e indícios de investimentos cruzados entre os veículos.
COPOM
Não é só inflação: veja por que o BC continua cauteloso com os juros e para onde olhará agora. Agora, o BC incluiu uma nova variável na análise da conjuntura: além de acompanhar as decisões de outros Bancos Centrais, o comitê avalia os desdobramentos do conflito do Oriente Médio, algo que influencia no preço do barril do petróleo e, consequentemente, da inflação.
MELHOROU OU PIOROU?
Haddad diz que vai estudar os efeitos da privatização da Sabesp (SBSP3) e chama debate sobre serviços de ‘natural’. O pré-candidato citou o aumento de reclamações por qualidade do serviço e também afirmou ter verificado que houve reestatização desses serviços em outros países.
PROVENTOS À VISTA
Mais dinheiro na mesa: Vibra (VBBR3) anuncia R$ 393,5 milhões em juros sobre o capital próprio — ainda dá tempo de entrar? Data de corte se aproxima e ações devem virar “ex” nos próximos dias; veja o calendário dos proventos da Vibra.
CHOCOLATE DE LUXO
Esqueça Godiva: o chocolate mais caro do mundo não é europeu – e custa mais de R$ 2.500; conheça marca. Considerado o chocolate mais caro (e raro) do mundo, produto é de marca sul-americana e feito com apenas dois ingredientes.
GUIA
De cacau a coentro: 10 ovos de Páscoa e lançamentos que você precisa experimentar em 2026. Sabores brasileiros e aposta na filosofia “bean to bar” marcam as novidades da temporada de chocolates deste ano; confira os melhores.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
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