Tolstói, Azevedos e Queiroz: como investir em uma crise para chamar de sua
Assim como em Anna Kariênina, em que “todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, cada crise tem sua especificidade

Recentemente, um brilhante financista brasileiro fez uma referência maravilhosa para o momento atual. No resgate, nos foi relembrada a obra de arte do escritor russo Liev Tolstói, "Anna Kariênina", em que a seguinte ideia é transmitida: “todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira".
A história de Anna Kariênina é um romance realista bem trágico, na verdade. Eu, particularmente, gosto bastante de romances sombrios, trágicos ou realistas. Qualquer um para mim serve, desde Álvares de Azevedo (segunda geração do romantismo brasileiro) até Aluísio Azevedo (realismo naturalista brasileiro), com o devido destaque a Eça de Queiroz (realismo português). Cada qual com seu próprio brilhantismo literário, em diferentes vertentes da arte.
Voltando ao assunto, o ponto é que, assim como em Kariênina, em que "todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, na nossa realidade concreta, a maior parte dos bull markets (mercados de alta) são semelhantes, mas cada crise e seu respectivo bear market (mercado de baixa) tem sua especificidade. A crise de agora, por exemplo, é bem diferente da de 2008.
Aliás, em termos de reação das autoridades monetárias, até podemos verificar suposto paralelo interessante, uma vez que os bancos centrais estão imprimindo dinheiro como se não houvesse amanhã.
A diferença é que agora adentramos mares nunca dantes navegados diante de uma injeção de liquidez sem precedentes.
Mas o que isso significa para o seu bolso?
Acredito que, imediatamente, podemos notar uma verificável relação entre a performance dos ativos de risco americanos e o crescimento do balanço do Fed. Note que, mimetizando as demais atuações da autoridade, o quarto QE (quantitative easing, ou afrouxamento quantitativo) levará a compra de ativos pela instituição para patamares nunca antes testados.
Leia Também
Evidentemente, assim como o primeiro (azul), o segundo (amarelo) e o terceiro (verde), o quarto programa de compra de ativos terá efeito considerável sobre os índices de renda variável.
Ao mesmo tempo, verificamos no espaçamento de 2018 a 2019, em bege, uma não ignorável maior sensibilidade dos agentes para com a tomada de decisão do banco central.
Isto é, ficamos viciados em liquidez e democratizamos os custos da crise atual com as gerações futuras – não sei como isto pode ter um entendimento positivo, mas as Bolsas continuam subindo.
Bastou o Fed sinalizar uma alta da taxa de juros além da precificada que o mercado entrou em pânico. 2018 inteiro foi tomado de discussões de política monetária, para, ao final do ano, testemunharmos o que se chamou de "flash crash” - aperitivo para a recente hecatombe.
Assim, as subsequentes altas dos índices enviesados por empresas de tecnologia ainda não me dão a confiança para cantar vitória. Os riscos ainda rondam o mercado. A economia real está bastante avariada e as expectativas são de desemprego acima de 5% nos EUA até 2022. Gostaria de chamar atenção para as medianas do primeiro grupo de colunas da tabela abaixo, com as expectativas para a economia estadunidense.
As autoridades americanas já se pronunciaram no sentido de que os empregos perdidos talvez sejam permanentes, deixando ainda mais difícil uma recuperação consistente da economia.
Pode não parecer, mas os agentes ficam assustados quando uma entidade como o Fed aponta para tal direção, abalando o chão de muita gente que ainda esperava uma recuperação dos patamares elevados de antes no mesmo ritmo de crescimento da última década.
A verdade é que o mundo está muito mais incerto e complexo, envolto em uma dinâmica muito mais acelerada e eficiente. Se não tivermos cuidado, poderemos enfrentar dificuldades em relação à potencial volatilidade. Por exemplo, nem mesmo a expectativa de manutenção da taxa de juros no mesmo patamar ou a inflação abaixo de 2% até 2022 tem ajudado a trazer otimismo para os agentes.
A volatilidade tem se tornado cada vez mais latente. Se antes era normal, hoje se tornou inevitável – possibilidade aqui de debates na fronteira do conhecimento, tanto na condução da política monetária, como nas teorias de finanças.
A questão monetária, inclusive, tem sido aquecida no sentido da Teoria Monetária Moderna (TMM). Em linhas gerais, a tese se posiciona em relação à capacidade de endividamento dos governos, em que países com suposta boa capacidade de pagamento poderiam se endividar na própria moeda se precisar se preocupar com déficits, desde que atuem para o preenchimento de suposto gap na oferta agregada.
Assim, sempre que houver alguma fraqueza de demanda, o governo teria liberdade de emitir sua própria moeda e endividar-se indefinidamente uma vez que ele poderia emitir mais moeda para pagar a própria dívida. Já temos visto isso parcialmente por meio dos QEs (primeira imagem), apesar de não ter havido ainda, pragmaticamente, uma monetização completa da dívida dos países desenvolvidos.
Ora, mesmo que a teoria esteja correta, é um pouco difícil verificar aplicabilidade dela em países emergentes. Em artigo muito interessante, a Capital Economics sinaliza para saída de países emergentes, os quais possuem menos folga fiscal e monetária (cobertor curto), como sendo três possíveis:
- austeridade;
- inflação;
- default.
Abaixo, a classificação.
Note que austeridade no Brasil, por mais que necessária, se trata de um caminho cada vez obscuro, uma vez que a questão política em terras tupiniquins se abalou significativamente em 2020. Para quem não viu, a saída de Mansueto Almeida, ainda que não barulhenta, é problemática e pode comprometer a rota antes proposta. Ou seja, as reformas estruturais no âmbito fiscal e de produtividade estariam cada vez mais distantes.
Trata-se de um mercado doente. Mesmo com incerteza, continua subindo, muito por conta da liquidez.
E qual a solução?
Tem duas abordagens aqui. A primeira é a inevitável necessidade de surfarmos a onda de liquidez vigente, ao menos em partes. Nesse caso, muito associada com minha coluna de semana passada, temos que ter um pouco de ações de tecnologia, porque elas têm se consolidado como as grandes companhia do setor. Podemos projetar um Barbell Strategy para a questão.
Por exemplo: alocar de 15% a 25% em ações, sendo que 75% seria composto por nomes fortes, ligados a valor (value), e os outros 25% relacionados com growth, pautado em tecnologia.
Em segundo lugar, permaneço na proposta de internacionalização de 15% do patrimônio e criação de 10% do total em proteções. Asset allocation parece ser a única saída para se valer de assimetrias convidativas de maneira consistente em uma ambiente tão incerto e opaco como o atual.
Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Na Empiricus, a série Palavra do Estrategista, best-seller tocado pelo Estrategista-Chefe e Sócio-Fundador da casa de análise, Felipe Miranda, tem se mostrado mais do que adequada para acompanhar os investidores na contemporaneidade. Fica aqui meu convite para conferir a publicação, que custa R$ 5 ao mês e você pode acessar por 7 dias sem compromisso.
Entram Cury (CURY3) e C&A (CEAB3), saem São Martinho (SMTO3) e Petz (PETZ3): bolsa divulga terceira prévia do Ibovespa
A nova composição do índice entra em vigor em 1º de setembro e permanece até o fim de dezembro, com 84 papéis de 81 empresas
É renda fixa, mas é dos EUA: ETF inédito para investir no Tesouro americano com proteção da variação do dólar chega à B3
O T10R11 oferece acesso aos Treasurys de 10 anos dos EUA em reais, com o bônus do diferencial de juros recorde entre Brasil e EUA
Ibovespa sobe 1,32% e crava a 2ª maior pontuação da história; Dow e S&P 500 batem recorde
No mercado de câmbio, o dólar à vista terminou o dia com queda de 0,20%, cotado a R$ 5,4064, após dois pregões consecutivos de baixa
FIIs fora do radar? Santander amplia cobertura e recomenda compra de três fundos com potencial de dividendos de até 17%; veja quais são
Analistas veem oportunidade nos segmentos de recebíveis imobiliários, híbridos e hedge funds
Batalha pelo galpão da Renault: duas gestoras disputam o único ativo deste FII, que pode sair do mapa nos dois cenários
Zagros Capital e Tellus Investimentos apresentam propostas milionárias para adquirir galpão logístico do VTLT11, locado pela Renault
Para o BTG, esta ação já apanhou demais na bolsa e agora revela oportunidade para investidores ‘corajosos’
Os analistas já avisam: trata-se de uma tese para aqueles mais tolerantes a riscos; descubra qual é o papel
Não é uma guerra comercial, é uma guerra geopolítica: CEO da AZ Quest diz o que a estratégia de Trump significa para o Brasil e seus ativos
Walter Maciel avalia que as medidas do presidente norte-americano vão além da disputa tarifária — e explica como os brasileiros devem se posicionar diante do novo cenário
É hora de voltar para as ações brasileiras: expectativa de queda dos juros leva BTG a recomendar saída gradual da renda fixa
Cenário se alinha a favor do aumento de risco, com queda da atividade, melhora da inflação e enfraquecimento do dólar
Dólar e bolsa sobem no acumulado de uma semana agitada; veja as maiores altas e baixas entre as ações
Últimos dias foram marcados pela tensão entre EUA e Brasil e também pela fala de Jerome Powell, do BC norte-americano, sobre a tendência para os juros por lá
Rumo ao Novo Mercado: Acionistas da Copel (CPLE6) aprovam a migração para nível elevado de governança na B3 e a unificação de ações
Em fato relevante enviado à CVM, a companhia dará prosseguimento às etapas necessárias para a efetivação da mudança
“Não acreditamos que seremos bem-sucedidos investindo em Nvidia”, diz Squadra, que aposta nestas ações brasileiras
Em carta semestral, a gestora explica as principais teses de investimento e também relata alguns erros pelo caminho
Bolsas disparam com Powell e Ibovespa sobe 2,57%; saiba o que agradou tanto os investidores
O presidente do Fed deu a declaração mais contundente até agora com relação ao corte de juros e levou o dólar à vista a cair 1% por aqui
Rogério Xavier revela o ponto decisivo que pode destravar potencial para as ações no Brasil — e conta qual é a aposta da SPX para ‘fugir’ do dólar
Na avaliação do sócio da SPX, se o Brasil tomar as decisões certas, o jogo pode virar para o mercado de ações local
Sequóia III Renda Imobiliária (SEQR11) consegue inquilino para imóvel vago há mais de um ano, mas cotas caem
O galpão presente no portfólio do FII está localizado na Penha, no Rio de Janeiro, e foi construído sob medida para a operação da Atento, empresa de atendimento ao cliente
Bolsa brasileira pode saltar 30% até o fim de 2025, mas sem rali de fim de ano, afirma André Lion. Essas são as 5 ações favoritas da Ibiuna para investir agora
Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, o sócio da Ibiuna abriu quais são as grandes apostas da gestora para o segundo semestre e revelou o que poderia atrapalhar a boa toada da bolsa
Cinco bancos perdem juntos R$ 42 bilhões em valor de mercado — e estrela da bolsa puxa a fila
A terça-feira (19) foi marcada por fortes perdas na bolsa brasileira diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e o Brasil
As cinco ações do Itaú BBA para lucrar: de Sabesp (SBSP3) a Eletrobras (ELET3), confira as escolhidas após a temporada de resultados
Banco destaca empresas que superaram as expectativas no segundo trimestre em meio a um cenário desafiador para o Ibovespa
Dólar abaixo de R$ 5? Como a vitória de Trump na guerra comercial pode ser positiva para o Brasil
Guilherme Abbud, CEO e CIO da Persevera Asset, fala sobre os motivos para ter otimismo com os ativos de risco no Touros e Ursos desta semana
Exclusivo: A nova aposta da Kinea para os próximos 100 anos — e como investir como a gestora
A Kinea Investimentos acaba de revelar sua nova aposta para o próximo século: o urânio e a energia nuclear. Entenda a tese de investimento
Entra Cury (CURY3), sai São Martinho (SMTO3): bolsa divulga segunda prévia do Ibovespa
Na segunda prévia, a Cury fez sua estreia com 0,210% de peso para o período de setembro a dezembro de 2025, enquanto a São Martinho se despede do índice