Cenário incerto mantém alta volatilidade nos mercados
Nas primeiras horas do dia, o mercado futuro em Wall Street indicava um dia diferente, mas a tendência de recuperação se dissipou, o que deve ser mais um dia de grande volatilidade.

Os investidores ainda digerem a atuação emergencial do Federal Reserve (o banco central americano) pela segunda vez em menos de duas semanas. A preocupação com o cenário do coronavírus pelo mundo também segue sendo um dos principais pontos de tensão.
O pronunciamento do presidente Donald Trump azedou de vez o sentimento nos mercados ontem. Ele admitiu a gravidade do coronovavírus e a possibilidade dos Estados Unidos entrarem em uma recessão, mesmo com as ações do Federal Reserve e outros bancos centrais pelo mundo.
O mercado acionário americano renovou mais um recorde negativo e teve o seu pior dia desde 1987, com as bolsas em quedas superiores a 12%. As bolsas asiáticas fecharam sem uma direção definida, com as bolsas sul-coreanas e da Taiwan foram as mais afetadas.
Agora, os investidores esperam novas ações que possam segurar os mercados globais e minimizem o impacto do vírus na economia.
Nas primeiras horas do dia, o mercado futuro em Wall Street indicava um dia diferente, mas a tendência de recuperação se dissipou, o que deve ser lido como mais um dia de grande volatilidade.
Durante a madrugada, a negociação dos índices futuros chegou a ser interrompida. Dessa vez, a razão foi terem atingido o limite de alta, de 5%. Mas após a retomada das negociações a alta perdeu fôlego e passou a operar até mesmo no negativo. No momento, os índices futuros operam com alta de cerca de 1% em Wall Street.
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O pregão europeu até que tentou, mas o dia que prometia ser de recuperação também se dissipou nas primeiras horas. Uma das razões de pessimismo local está na pesquida ZEW, da Alemanha. O índice, que mede expectativas econômicas caiu -49,5, muito pior do que o esperado pelos analistas.
Vem mais um por aí?
Seguindo o exterior tenso e analisando as tensões políticas em território nacional, ontem a bolsa brasileira apertou o botão do pânico pela 5ª vez neste mês.
O circuit breaker foi acionado logo na abertura do mercado. No fim do dia, o principal índice da bolsa brasileira derreteu 13,92% ontem, aos 71.168,05 pontos.
O dólar fechou o dia fechou acima de R$ 5,00 pela primeira vez, após alta de 4,90% (cotado a R$ 5,052).
No Brasil, muito se fala sobre a forma como o governo está lidando, com o foco sendo o despreparo de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro para endereçar os problemas causados pela doença.
Na noite de ontem, o presidente Bolsonaro instituiu o Comitê de Crise para monitorar o vírus. Por enquanto, o país ainda patina para tentar evitar a propagação do vírus.
Vacina
Ontem, o governo divulgou um pacote de R$147,3 bilhões para combater o vírus. No pacote da equipe econômica está previsto a antecipação do 13º do INSS, em duas parcelas. Os contemplados são os aposentados e pensionistas. A primeira delas sendo em abril (R$ 23 bilhões) e maio (R$ 23 bilhões).
Além disso, o governo também conta com a inclusão de R$ 3,1 bilhões no pagamento do Bolsa Família, ao aumentar o número de contemplados.
O recebimento de recursos do FGTS e empresas do Simples Nacional também foram adiados e totalizam R$ 33,1 bilhões.
PIS/PASEP não sacado será transferido para o FGTS, que permitirá uma nova rodada de saque. O DPVAT (R$ 4,5 bilhões) será tranferido para o SUS.
Durante o anúncio o ministro da Economia afirmou que novas medidas podem ser tomadas em 24 horas.
Para economistas, o pacote anunciado pelo governo tem um efeito limitado e vão na contramão do mundo. Enquanto lá fora a norma parece ser incetivo fiscal, aqui as medidas envolvem a suspensão temporária de impostos.
Na berlinda
As empresas aéreas são as mais afetadas pelas medidas de proteção contra o coronavírus.
Ontem, a Azul declarou uma redução da sua capacidade. A Gol seguiu a mesma linha e anunciou uma redução de até 70% até julho.
Agenda
O Brasil enfrenta um dia fraco de diivulgações. O destaque fica para o início da reunião do Copom e os dados regionais de inflação.
Lá fora, o índice Zew alemão abriu o dia e é seguido pela reunião dos líderes da União Europeia. Nos Estados Unidos, vendas do varejo e produção industrial de fevereiro dão o tom da temperatura da economia americana.
Tá barato
Com a bolsa brasileira se desvalorizando mais de 30% desde o começo do ano, muitas empresas estão enchendo o carrinho e anunciando programas de recompras. Depois de Renner, Sinqia, Banco Inter e Cyrela, agora foi a vez da Marfrig e Cosan aprovarem programas de recompra.
Fique de olho
- Energisa MT aprovou aumento de capital social, passando de R$ 1,514 bilhão para R$ 1,673 bilhão.
- Banrisul irá prorrogar empréstimos
- Localiza aprovou a compra da startup Mobil7
- Renner aprovou pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 0,073 por ação.
- A Vale informou que suspenderá por quatro semanas as operações na mina de Voisey's Bay, no Canadá.
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