Preocupação com teto de gastos e agravamento da 2ª onda no exterior pesam nos mercados
Ruídos em torno da flexibilização do teto de gastos preocupam investidores. Na agenda, destaque para a inflação de novembro e participação do ministro Paulo Guedes em evento virtual

A agenda fraca no exterior deixa a atenção dos investidores voltada para as novas restrições impostas pelo coronavírus ao redor do mundo. Importantes centros econômicos têm reforçado suas medidas de isolamento social, o que pode levar a um novo impacto na economia.
Assim, o dia começa com a cautela imperando nos mercados internacionais. Duas negociações também estão no radar dos investidores: na Europa, é o Brexir. Nos Estados Unidos, o novo pacote de estímulos fiscais.
No entanto, no Brasil, temos a divulgação da inflação de novembro, indicador que o mercado local deve acompanhar de perto. Além disso, os investidores acompanham de perto qualquer novidade relativa ao teto de gastos.
[captacao]
De novo ele…
Em meio às preocupações com o crescimento da segunda onda do coronavírus pelo mundo, o teto de gastos voltou a angustiar o mercado, fazendo o Ibovespa recuar pela primeira vez em cinco sessões.
A notícia que azedou o humor dos investidores dizia que a minuta do projeto substitutivo da PEC Emergencial prevê que as despesas financiadas com a receita vinda da desvinculação de fundos públicos não sejam submetidas ao teto de gastos, regra constitucional que limita o aumento do dispêndios à inflação do ano anterior. Em resumo, seria uma 'pedalada' para financiar programas sociais.
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O Ministério da Economia e o ministro Paulo Guedes correram para negar que se estude uma flexibilização do teto de gastos. Mesmo assim, o principal índice acionário da bolsa brasileira não conseguiu se recuperar totalmente, fechando o dia com leve queda de 0,14%, aos 113.589,77.
Embora tenha reduzido o recuo ao longo do dia, o dólar também fechou em leve queda, de 0,1%, aos R$ 5,12.
De olho em Brasília
Em Brasília, o clima deve continuar tenso em torno do teto de gastos. Após a notícia veiculada ontem, o senador Marcio Bittar, relator da PEC Emergencial, enviou uma versão da medida sem o furo no teto. Qualquer aceno em direção a uma flexibilização deve pesar nos mercados, que temem um rompimento do teto e o agravamento da situação fiscal do país.
O peso da segunda onda
Os Estados Unidos alcançaram a marca de mais de 174 mil novos casos de covid-19 em um único dia e cerca de 1.100 mortos. Só nos últimos dias, mais de 1,3 milhões de pessoas foram infectadas.
A situação mais preocupante está na Califórnia, estado líder no números de infecções e que endureceu as medidas restritivas para conter a disseminação do vírus. Na Europa, novos recordes diários também estão sendo registrados.
No velho continente, o impasse em torno de um acordo comercial para o período pós-Brexit também pesa nos mercados.
Durante a madrugada, as bolsas asiáticas fecharam em queda, refletindo o cenário desfavorável. O mesmo acontece com as principais praças europeias e os índices futuros em Nova York nesta manhã.
Agenda
A inflação segue em posição de destaque na agenda brasileira. A expectativa é que o IPCA de novembro (9h) apresente uma desaceleração, indo a 0,78% no mês.
A participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em um evento virtual (10h30) também fica em destaque, com os investidores buscando novas informações sobre o cumprimento do teto de gastos. O ministro deve reforçar que o governo não irá flexibilizar o teto, nem mesmo de forma temporária.
Fique de olho
- A Iguá Saneamento voltou a apresentar um pedido de registro de IPO na CVM.
- Itaúsa aprovou pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 0,0864 por ação.
- Gol será a primeira aérea a retomar os voos com os Boeings 737 MAX.
TANQUE CHEIO NA BOLSA
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