Clima em Brasília contrasta com bom humor externo em dia de decisão do Copom
Divulgação do depoimento do ex-ministro Sergio Moro deixa o cenário político ainda mais sensível. No Brasil, enquanto os investidores aguardam a decisão do Copom, a decisão da Câmara de diminuir a contrapartida dos Estados e municípios para o recebimento do auxílio deve pesar

Em dia de divulgação de decisão do Compom, com expectativa por um novo corte na Selic, a turbulência no cenário político deve seguir em destaque.
Além dos desdobramentos da divulgação da íntegra do depoimento do ex-ministro Sergio Moro, os investidores também repercutem o salto exponencial no número de casos do coronavírus, e as 600 mortes em 24h.
[captacao]
No entanto, o bom humor dos mercados internacionais, impulsionados pelos projetos de reabertura de países europeus e algumas regiões dos Estados Unidos, pode amenizar os efeitos da tensão.
Efeito Moro
Ontem, tudo caminhava para uma sessão aparentemente tranquila para o Ibovespa nesta terça-feira (06). Mas, o clima em Brasília foi o responsável por azedar mais uma vez o ritmo dos negócios.
No meio da tarde, a CNN Brasil divulgou na íntegra o depoimento de mais de 8 horas dado pelo ex-ministro Sergio Moro à Polícia Federal de Curitiba no fim de semana.
Leia Também
Na expectativa por provas e/ou novas acusações feitas ao presidente da República, o Ibovespa desacelerou os ganhos antes mesmo dos investidores conhecerem o teor completo do documento, e terminou o dia cotado a 0,75%, aos 79.470,78 pontos. O câmbio também sentiu o Efeito Moro, fechando o dia com alta de R$ 5,5925, avanço de 1,30% na semana.
No documento, Moro expressou o desejo do presidente Jair Bolsonaro de trocar o comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro e disse ter 9 provas da tentativa de intervenção do presidente na PF.
Mesmo que o depoimento não tenha trazido nenhuma revelação de teor bombástico, a reação do mercado deve ser de maior sensibilidade com o cenário político, já que o terreno ainda é muito incerto.
Próximos depoimentos
Dando continuidade ao inquérito que averigua as denúncias feitas por Moro na ocasião do seu pedido de demissão, o ministro Celso de Mello autorizou que três outros ministros - Braga Netto, Eduardo Ramos e general Heleno- , seis delegados e a deputada Carla Zambelli (PSL) sejam ouvidos em inquérito. A investigação irá correr sem sigilo.
O ministro também deu 72h para o Planalto entregar o vídeo da reunião ministerial onde Moro afirma que Bolsonaro indicou os planos de intervenção política na PF e ameaçou o ex-ministro de demissão.
E o ajuste fiscal?
A Câmara alterou o texto o projeto de auxílio aos Estados e municípios no combate ao coronavírus, retirando 80% do funcionalismo público da lista de congelamento de salários, contrapartida pedida pelo ministro Paulo Guedes. A emenda que incorporou uma deixou de fora uma série de novas categorias foi proposta pelo Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara.
Com a alteração no texto, o projeto agora volta ao Senado, onde a emenda pode ser barrada.
Epicentro
O Brasil caminha para se tornar o novo epicentro do coronavírus.
Segundo a última atualização feita pelo Ministério da Saúde, o país bateu recorde de mortes registradas em 24 h (600), alcançando a marca de 7.921 óbitos. Já são 114.715 infectados.
O aumento expressivo do número de casos pode ser ocasionado por um atraso nas divulgações do fim de semana.
O Ministério da Saúde passou a trabalhar com a ideia de que o Brasil deve ultrapassar o pico da doença entre maio e junho. O ministro Nelson Teich prometeu fazer campanha publicitária pelo isolamento social.
Em queda
A Fitch alterou de estável para negativa a perspectiva da nota da dívida pública brasileira. Atualmente, o Brasil está com nota BB-, três níveis abaixo do grau de investimento.
O EWZ, negociado em Nova York, já precifica a queda da nota, mas opera em leve alta nesta manhã.
Contraste
Enquanto o clima anda tenso no Brasil, no exterior o cenário é bem diferente.
Os investidores seguem com o apetite por risco renovado, tendo as reaberturas graduais de alguns países da Europa e regiões dos Estados Unidos.
Na Ásia, onde a as bolsas fecharam em alta, também repercutiu a decisão do banco central chinês de enfraquecer o yuan perante ao dólar, no que parece ser uma tentativa de aliviar as tensões recentes com os Estados Unidos, quando Donald Trump acusou o país pela pandemia global.
Na Europa, as bolsas operam majoritarimente em alta nesta manhã, de olho também na recuperação do petróleo - que tem mais um dia de alta -, e os dados fracos de indicadores econômicos divulgados nesta manhã, incluindo a projeção de que o PIB da zona do euro pode encolher 7,7% em 2020.
Nos Estados Unidos, o mercado sinaliza um dia de ganhos, com os índices futuros avançando em alta firme.
Agenda
Os dados semanais do fluxo cambial serão divulgados às 14h30.
O leilão tem previsto para hoje um leilão de rolagem de até US$ 500 milhões em swap (11h30) e oferta de RS 4 bilhões em compromissadas de seis meses (12h).
Em Brasília, sessão deve promulgar a PEC do Orçamento de Guerra. O texto ainda precisa ser votado em segundo turno.
Lá fora, dados preliminares do emprego nos Estados Unidos devem dar o tom.
Às 11h30 temos a divulgação dos estoques de petróleo do Departamento de Energia americano.
Balanços
Além do cenário político, a divulgação dos balanços corporativos também dão o tom do mercado local. Hoje, temos a divulgação de Gerdau, Telefônica Brasil, CSN e GPA.
Confira alguns dos últimos resultados divulgados e que devem mexer com a bolsa hoje:
- TIM Brasil teve lucro líquido normalizado de R$ 164 milhões no primeiro trimestre de 2020, alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2019
- Dona da Vivo, a Telefônica Brasil teve lucro líquido de R$ 1,153 bilhão no primeiro trimestre de 2020, baixa de 14,1% em relação ao mesmo período de 2019.
No exterior, o dia reserva os números da GM e Enel.
Fique de olho
- Em assembleia, a Gafisa aprovou a compra da Upcon, aumento do capital para R$ 310 milhões e plano de recompra de ações.
- A Braskem deve se tornar uma empresa sem controle definido. A Petrobras (38,3% da companhia) obteve o apoio da Braskem para a medida, em uma tentativa de facilitar a venda da petroquímica.
TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?
Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?
30 de outubro de 2026 - 13:11FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE