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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Esquenta dos mercados

Clima em Brasília contrasta com bom humor externo em dia de decisão do Copom

Divulgação do depoimento do ex-ministro Sergio Moro deixa o cenário político ainda mais sensível. No Brasil, enquanto os investidores aguardam a decisão do Copom, a decisão da Câmara de diminuir a contrapartida dos Estados e municípios para o recebimento do auxílio deve pesar

Jasmine Olga
Jasmine Olga
6 de maio de 2020
8:07 - atualizado às 8:31
O ex-ministro Sergio Moro
O ex-ministro Sergio Moro - Imagem: Shutterstock

Em dia de divulgação de decisão do Compom, com expectativa por um novo corte na Selic, a turbulência no cenário político deve seguir em destaque.

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Além dos desdobramentos da divulgação da íntegra do depoimento do ex-ministro Sergio Moro, os investidores também repercutem o salto exponencial no número de casos do coronavírus, e as 600 mortes em 24h.

No entanto, o bom humor dos mercados internacionais, impulsionados pelos projetos de reabertura de países europeus e algumas regiões dos Estados Unidos, pode amenizar os efeitos da tensão.

Efeito Moro

Ontem, tudo caminhava para uma sessão aparentemente tranquila para o Ibovespa nesta terça-feira (06). Mas, o clima em Brasília foi o responsável por azedar mais uma vez o ritmo dos negócios.

No meio da tarde, a CNN Brasil divulgou na íntegra o depoimento de mais de 8 horas dado pelo ex-ministro Sergio Moro à Polícia Federal de Curitiba no fim de semana.

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Na expectativa por provas e/ou novas acusações feitas ao presidente da República, o Ibovespa desacelerou os ganhos antes mesmo dos investidores conhecerem o teor completo do documento, e terminou o dia cotado a 0,75%, aos 79.470,78 pontos. O câmbio também sentiu o Efeito Moro, fechando o dia com alta de R$ 5,5925, avanço de 1,30% na semana.

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No documento, Moro expressou o desejo do presidente Jair Bolsonaro de trocar o comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro e disse ter 9 provas da tentativa de intervenção do presidente na PF.

Mesmo que o depoimento não tenha trazido nenhuma revelação de teor bombástico, a reação do mercado deve ser de maior sensibilidade com o cenário político, já que o terreno ainda é muito incerto.

Próximos depoimentos

Dando continuidade ao inquérito que averigua as denúncias feitas por Moro na ocasião do seu pedido de demissão, o ministro Celso de Mello autorizou que três outros ministros - Braga Netto, Eduardo Ramos e general Heleno- , seis delegados e a deputada Carla Zambelli (PSL) sejam ouvidos em inquérito. A investigação irá correr sem sigilo.

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O ministro também deu 72h para o Planalto entregar o vídeo da reunião ministerial onde Moro afirma que Bolsonaro indicou os planos de intervenção política na PF e ameaçou o ex-ministro de demissão.

E o ajuste fiscal?

A Câmara alterou o texto o projeto de auxílio aos Estados e municípios no combate ao coronavírus, retirando 80% do funcionalismo público da lista de congelamento de salários, contrapartida pedida pelo ministro Paulo Guedes. A emenda que incorporou uma deixou de fora uma série de novas categorias foi proposta pelo Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara.

Com a alteração no texto, o projeto agora volta ao Senado, onde a emenda pode ser barrada.

Epicentro

O Brasil caminha para se tornar o novo epicentro do coronavírus.

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Segundo a última atualização feita pelo Ministério da Saúde, o país bateu recorde de mortes registradas em 24 h (600), alcançando a marca de 7.921 óbitos. Já são 114.715 infectados.

O aumento expressivo do número de casos pode ser ocasionado por um atraso nas divulgações do fim de semana.

O Ministério da Saúde passou a trabalhar com a ideia de que o Brasil deve ultrapassar o pico da doença entre maio e junho. O ministro Nelson Teich prometeu fazer campanha publicitária pelo isolamento social.

Em queda

A Fitch alterou de estável para negativa a perspectiva da nota da dívida pública brasileira. Atualmente, o Brasil está com nota BB-, três níveis abaixo do grau de investimento.

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O EWZ, negociado em Nova York, já precifica a queda da nota, mas opera em leve alta nesta manhã.

Contraste

Enquanto o clima anda tenso no Brasil, no exterior o cenário é bem diferente.

Os investidores seguem com o apetite por risco renovado, tendo as reaberturas graduais de alguns países da Europa e regiões dos Estados Unidos.

Na Ásia, onde a as bolsas fecharam em alta, também repercutiu a decisão do banco central chinês de enfraquecer o yuan perante ao dólar, no que parece ser uma tentativa de aliviar as tensões recentes com os Estados Unidos, quando Donald Trump acusou o país pela pandemia global.

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Na Europa, as bolsas operam majoritarimente em alta nesta manhã, de olho também na recuperação do petróleo - que tem mais um dia de alta -, e os dados fracos de indicadores econômicos divulgados nesta manhã, incluindo a projeção de que o PIB da zona do euro pode encolher 7,7% em 2020.

Nos Estados Unidos, o mercado sinaliza um dia de ganhos, com os índices futuros avançando em alta firme.

Agenda

Os dados semanais do fluxo cambial serão divulgados às 14h30.

O leilão tem previsto para hoje um leilão de rolagem de até US$ 500 milhões em swap (11h30) e oferta de RS 4 bilhões em compromissadas de seis meses (12h).

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Em Brasília, sessão deve promulgar a PEC do Orçamento de Guerra. O texto ainda precisa ser votado em segundo turno.

Lá fora, dados preliminares do emprego nos Estados Unidos devem dar o tom.

Às 11h30 temos a divulgação dos estoques de petróleo do Departamento de Energia americano.

Balanços

Além do cenário político, a divulgação dos balanços corporativos também dão o tom do mercado local. Hoje, temos a divulgação de Gerdau, Telefônica Brasil, CSN e GPA.

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Confira alguns dos últimos resultados divulgados e que devem mexer com a bolsa hoje:

  • TIM Brasil teve lucro líquido normalizado de R$ 164 milhões no primeiro trimestre de 2020, alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2019
  • Dona da Vivo, a Telefônica Brasil teve lucro líquido de R$ 1,153 bilhão no primeiro trimestre de 2020, baixa de 14,1% em relação ao mesmo período de 2019.

No exterior, o dia reserva os números da GM e Enel.

Fique de olho

  • Em assembleia, a Gafisa aprovou a compra da Upcon, aumento do capital para R$ 310 milhões e plano de recompra de ações.
  • A Braskem deve se tornar uma empresa sem controle definido. A Petrobras (38,3% da companhia) obteve o apoio da Braskem para a medida, em uma tentativa de facilitar a venda da petroquímica.

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