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Depois de ganhar dinheiro com a desvalorização cambial, gestor deixou de apostar na alta do dólar contra o real e avalia comprar a moeda brasileira
Depois de ganhar dinheiro com a desvalorização cambial, a Adam Capital deixou de apostar na alta do dólar contra o real, afirmou hoje Marcio Appel, sócio-fundador da gestora de fundos responsável por R$ 19 bilhões em patrimônio.
Para o gestor, o real deve ser uma das melhores moedas entre os emergentes em meio às consequências da pandemia do coronavírus. Nesse contexto, ele avalia a possibilidade de ter uma posição comprada na moeda brasileira. Hoje o dólar segue em alta e ultrapassou o patamar de R$ 5,30.
Appel disse que a recessão da economia vai diminuir a demanda doméstica – o que reduz as importações –, ao mesmo tempo em que o país é exportador de commodities. Ambos os fatores devem provocar uma virada rápida na conta corrente do país.
“Vai faltar real para comprar dólar no preço atual”, afirmou Appel, que participou de uma transmissão ao vivo na internet com o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti.
Appel disse que segue vendido em outras moedas de países emergentes, como a da Turquia, cuja economia depende do fluxo de recursos de cidadãos de fora, que deve diminuir em meio à crise.
Enquanto os mercados globais derretem mundo afora, o Adam Macro, principal fundo da gestora, acumula um retorno de 3,66% neste ano, sendo 1,04% apenas em março.
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A gestora vinha, porém, com dois anos de rentabilidade abaixo do CDI, o indicador de referência.
A Adam vinha desde o ano passado com uma posição vendida na bolsa norte-americana, com a visão de que o ciclo de alta de mais de uma década estava perto do fim. Mas Appel discorda da visão de que a disseminação do coronavírus foi uma surpresa.
“Não foi uma gravação do presidente da República na calada da noite, isso sim foi uma surpresa”, afirmou, em uma referência ao vazamento de áudios do então presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista, da JBS, em maio de 2017.
O sócio da Adam espera que a economia global saia do choque do coronavírus em um estado pior do que o da crise financeira de 2008.
Para Appel, os Estados Unidos fazem o ajuste de forma mais “cruel”, mas devem ser mais eficientes no processo de retomada.
“Com o que está sendo feito no Brasil, assim como em outros lugares, infelizmente faz com o que a gente vá viver com muitas companhas moribundas por um bom tempo.” - Marcio Appel, Adam Capital
Confira a íntegra da transmissão:
*Conteúdo em atualização
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