Magazine Luiza, Carrefour Brasil, Cosan e Vale: os destaques do Ibovespa nesta segunda-feira
O mercado reagiu bem ao balanço trimestral do Magazine Luiza, o que deu forças às ações ON da empresa (MGLU3). Por outro lado, os papéis ON da Cosan (CSAN3) caíram, em meio à cautela com as projeções da empresa para 2020

O cenário corporativo deu as cartas para o Ibovespa nesta segunda-feira (17), com diversas ações reagindo de maneira intensa às novidades no noticiário. Em destaque, aparecem os papéis do Magazine Luiza e da Cosan, em meio à divulgação de seus balanços trimestrais, e do Carrefour Brasil, após o anúncio de uma importante aquisição no fim de semana.
As ações ON do Magazine Luiza (MGLU3) fecharam em alta de 4,47%, a R$ 58,85, com os investidores reagindo positivamente aos resultados da varejista nos três últimos meses de 2019, divulgados nesta manhã.
Apesar de o lucro líquido do Magalu ter recuado 11% na base anual, totalizando R$ 168 milhões no quarto trimestre de 2019, o resultado consolidado do ano passado foi forte: os ganhos chegaram a R$ 921,8 milhões, alta de 54% em relação a 2018.
Em relatório, os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi, do BTG Pactual, elogiaram os resultados do Magazine Luiza, afirmando que os indicadores qualitativos do balanço reforçam a confiança no modelo multicanal de negócios desenvolvido pela empresa.
"Os números trimestrais surpreenderam positivamente", escreveram os analistas, destacando que, mesmo com a forte valorização dos últimos anos, as ações ON do Magazine Luiza continuam como 'top pick' no universo de cobertura do BTG no setor de varejo.
O BTG Pactual possui recomendação de compra para as ações do Magalu, com preço-alvo em 12 meses de R$ 44,00 — a cotação atual dos papéis, assim, já está muito acima das projeções do banco.
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Cosan derrapa
Na ponta oposta do Ibovespa, as ações ON da Cosan (CSAN3) caíram 1,98%, a R$ 81,06, e apareceram entre as maiores as perdas do índice, também em meio à divulgação de seus resultados trimestrais. O problema, aqui, foram as projeções da companhia para 2020, que decepcionaram o mercado.
A companhia terminou o quarto trimestre com um lucro líquido de R$ 792,5 milhões, queda de 40,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2019, os ganhos totalizaram R$ 2,4 bilhões, alta de 46,8% na base anual.
Segundo Regis Cardoso, analista do Credit Suisse, a divisão de combustíveis da Cosan apresentou um bom desempenho no trimestre, enquanto o setor de Energia ficou aquém das expectativas — assim, considerando o todo, o balanço da companhia ficou em linha com o esperado.
No entanto, o banco pondera que o guidance da Cosan para 2020 foi decepcionante, com uma projeção de Ebitda pró-forma entre R$ 5,9 bilhões e R$ 6,4 bilhões.
O Credit Suisse mostrou-se particularmente incomodado com a estimativa para a Raízen Combustíveis, com previsão de Ebitda entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3 bilhões — Em 2019, a linha totalizou R$ 3,9 bilhões.
O banco possui recomendação neutra para as ações da Cosan, com preço-alvo em 12 meses de R$ 80,00 — a cotação atual, assim, já está muito próxima à estimativa do Credit Suisse.
[captacao]
Carrefour Brasil sob os holofotes
Voltando à ponta positiva, outra ação que despontou entre as maiores altas do dia foi Carrefour Brasil ON (CRFB3), com ganhos de 3,46%, a R$ 22,40. Neste fim de semana, a companhia anunciou a compra de 30 unidades do Makro, por R$ 1,95 bilhão — um movimento que fortalece sua divisão de "atacarejo".
As lojas adquiridas serão convertidas para a bandeira Atacadão, elevando a presença da marca em dois mercados estratégicos para o Carrefour Brasil: o Rio de Janeiro e o Nordeste.
Para Victor Saragiotto e Pedro Pinto, analistas do Credit Suisse, a operação tem um viés neutro: por um lado, há a importância estratégica para o Carrefour Brasil, mas, por outro, o valor pago pelas unidades do Makro inspira alguma cautela.
Já a equipe de análise do Itaú BBA, liderada pelo analista Thiago Macruz, tem uma percepção mais positiva a respeito da novidade, citando o baixo risco de competição interna — as lojas Makro adquiridas ficam fora do estado de São Paulo, onde o Atacadão é mais forte — e os ganhos financeiros decorrentes da transação.
Segundo o banco, a operação irá adicionar pouco mais de R$ 1 bilhão ao valor de mercado do Carrefour Brasil. "Recebemos bem o anúncio, mas ele reforça nossa percepção de que as oportunidades de crescimento orgânico estão ficando menos atraentes, e que fusões e aquisições podem aumentar".
O Credit Suisse possui recomendação neutra para as ações do Carrefour Brasil, com preço-alvo em 12 meses de R$ 22,50; o Itaú BBA tem recomendação 'outperform' (acima da média do mercado), com preço-alvo ao fim de 2020 de R$ 26,00.
Vale e CSN: otimismo com a China
Também entre as maiores altas do dia, Vale ON (VALE3) e CSN ON (CSNA3) avançaram 4,73% e 3,40%, respectivamente, em meio às notícias mais animadoras vindas da China, importante consumidor global de minério de ferro.
Mais cedo, o governo de Pequim anunciou medidas para estimular a economia local e neutralizar eventuais efeitos negativos gerados pelo surto de coronavírus. O banco central chinês cortou juros em sua linha de crédito de médio prazo e injetou cerca de US$ 43 bilhões no sistema bancário.
Essa postura das autoridades chinesas melhorou o humor dos investidores globais e deu um impulso ao preço do minério de ferro: a tonelada da commodity negociada no porto de Qingdao subiu 2,04% hoje, a US$ 90,48.
Top 5
Confira os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta segunda-feira:
- Totvs ON (TOTS3): +7,75%
- Marfrig ON (MRFG3): +7,64%
- IRB ON (IRBR3): +5,63%
- Vale ON (VALE3): +4,73%
- Magazine Luiza ON (MGLU3): +4,47%
Saiba também quais foram as maiores baixas do índice:
- BB Seguridade ON (BBSE3): -2,18%
- Cosan ON (CSAN3): -1,98%
- Klabin units (KLBN11): -1,78%
- BR Malls ON (BRML3): -1,77%
- Usiminas PNA (USIM5): -1,72%
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