Ibovespa recupera os 100 mil pontos e sobe mais de 2% com alívio da tensão política
Depois da pacificação entre Bolsonaro e Guedes, o Ibovespa precisou de apenas alguns minutos de pregão para reaver a marca perdida ontem

O alívio da tensão política em Brasília levou o Ibovespa a recuperar em poucos minutos de pregão a marca dos 100 mil pontos e a subir mais de 2% nesta terça-feira.
O nível de suporte foi perdido na véspera em meio a especulações de que a permanência de Paulo Guedes no Ministério da Economia poderia estar com os dias contados.
Ontem, além de o Ibovespa ter perdido a marca dos 100 mil pontos, o dólar operou acima de R$ 5,50 pela primeira vez desde maio e hoje voltou a visitar esse patamar com investidores em busca de proteção.
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Hoje, o alívio na percepção de risco no cenário local leva os investidores a deixarem em segundo plano os sinais mistos emitidos pelos principais índices de ações em Nova York por causa da falta de acordo entre democratas e republicanos com relação à continuidade das medidas de estímulo à economia norte-americana em reação aos efeitos da pandemia do novo coronavírus.
Por volta das 16h40, o Ibovespa operava em alta de 2,57%, aos 102.154 pontos.
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Pacificação entre Bolsonaro e Guedes traz alívio
O alívio na cena política deriva de comentários feitos na noite de segunda-feira por Guedes e pelo presidente Jair Bolsonaro.
Depois de uma reunião com o presidente, Guedes buscou acalmar os ânimos dos investidores. “Existe muita confiança do presidente em mim e minha no presidente", declarou o ministro.
"Não tive nenhum ato que me sugerisse que não devesse confiar no presidente e não faltei em nenhum momento com a confiança que o presidente depositou em mim", prosseguiu ele.
Em entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro afirmou estar "muito feliz" com Guedes e assegurou que a saída do ministro nunca foi cogitada.
Com o arrefecimento da fervura política, os investidores agora voltam seus radares às sinalizações do governo com relação ao teto de gastos e à disciplina fiscal.
Em princípio, porém, a melhora do clima político tende a sustentar a recomposição de carteiras depois da queda acentuada de ontem, mas apesar da alta consistente hoje, o Ibovespa encontrou dificuldade para recuperar a marca dos 102 mil pontos - ultrapassada somente na reta final da sessão.
Magalu puxa o varejo
Em um dia de poucos pontinhos vermelhos na tela do Ibovespa, as ações ON da Magazine Luiza (MGLU3) destacam-se entre as maiores altas do índice, impulsionando seus pares no setor varejista.
Ontem à noite, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 64,5 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo o lucro de R$ 386,6 milhões visto no mesmo período de 2019.
Apesar disso, o prejuízo veio menor do que o antecipado por analistas e a Magazine Luiza consolidou-se como a empresa do setor que mais cresce em vendas online.
Dólar e juro
Apesar dos comentários de Guedes e Bolsonaro, as dúvidas dos investidores em relação ao futuro fiscal do Brasil persistiam mesmo com a permanência do ministro no governo.
A moeda norte-americana abriu em queda e chegou a cair mais de 1%, atingindo R$ 5,4213 na mínima da sessão, mas mudou de curso durante a tarde, quando voltou a buscar a marca dos R$ 5,50.
Depois de atingir R$ 5,5163 na máxima da sessão em meio a uma recuperação do dólar ante moedas de países emergentes, a divisa norte-americana passou a oscilar entre altas e baixas antes de voltar a cair.
Por volta das 16h40, o dólar era cotado em queda de 0,45%, a R$ 5,4721.
Na véspera, a moeda norte-americana voltou a operar acima da marca de R$ 5,50, atingindo o nível mais alto desde 22 de maio.
Enquanto isso, os contratos de juros futuros fecharam em queda firme com a perspectiva de alívio fiscal, devolvendo os prêmios incorporados na véspera. Alguns dos contratos mais líquidos fecharam nas mínimas da sessão.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,830% para 2,690%;
- Janeiro/2023: de 4,060% para 3,880%;
- Janeiro/2025: de 5,950% para 5,680%;
- Janeiro/2027: de 6,990% para 6,700%.
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