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Alívio intenso

Ibovespa opera em alta firme, aproveitando o clima mais ameno no exterior; dólar cai a R$ 5,24

O Ibovespa sobe mais de 7%, pegando carona na menor aversão global ao risco. No exterior, os investidores mostram-se animados com a possibilidade de desaceleração nos novos casos de coronavírus na Europa e em Nova York

Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A semana começa mais tranquila nos mercados acionários globais. Tanto o Ibovespa quanto as demais bolsas externas aparecem no campo positivo, amparadas pela percepção de que o ritmo de disseminação do coronavírus pela Europa e pelos EUA tem desacelerado.

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Por volta de 15h00, o Ibovespa operava em alta de 7,81%, aos 74.970,25 pontos, indo em linha com os demais índices do mundo: na Europa, as principais praças subiram mais de 3%; nos Estados Unidos, o Dow Jones (+5,96%), o S&P 500 (+5,90%) e o Nasdaq (+5,89%) têm ganhos firmes.

No câmbio, o dólar à vista passa por um alívio nesta segunda-feira (6): no mesmo horário, recuava 1,51%, a R$ 5,2468 — lá fora, o dia é de desvalorização da moeda americana em relação às demais divisas de países emergentes.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás dos mercados nesta segunda-feira. Veja abaixo:

Em termos mundiais, há um viés menos pessimista em relação ao surto de coronavírus. Por mais que a doença continue se espalhando — segundo a universidade americana Johns Hopkins, quase 1,3 milhão de pessoas já foram infectadas, com mais de 70 mil mortes —, os dados referentes à Europa e aos EUA indicam uma tendência mais animadora.

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Itália e Espanha, os dois epicentros da Covid-19 no velho continente, têm mostrado uma desaceleração no número de contaminações e óbitos por dia. Do outro lado do Atlântico, um comportamento semelhante é visto em Nova York, área critica da doença nos Estados Unidos.

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É claro que os números estão longe de inspirar otimismo — juntas, Itália e Espanha têm quase 30 mil mortos, enquanto os EUA continuam reportando mais de mil falecimentos ao dia. No entanto, os indícios de que a curva da doença possa ter chegado ao pico nessas regiões serve para tirar parte da pressão sobre os mercados globais.

Essa leitura, inclusive, se sobrepõe à cautela em relação ao mercado de petróleo: no momento, o Brent para junho cai 3,31%, enquanto o WTI para maio recua 6,00%, após despencarem 10% na abertura.

Tudo isso porque, ao longo do fim de semana, a Arábia Saudita e a Rússia voltaram a trocar acusações no âmbito da guerra de preços da commodity — tanto é que a reunião extraordinária da Opep+ para discutir um corte na produção de petróleo, prevista para hoje, foi adiada.

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Tal foco de apreensão, contudo, fica em segundo plano perto da postura mais amena em relação ao surto de coronavírus.

Expectativa cautelosa

Por aqui, os investidores mostram-se animados com a postura do ministério da Economia e do Banco Central (BC) — ambos têm se mostrado empenhados em viabilizar a injeção de recursos na economia o mais rápido possível, de modo a mitigar os impactos da crise da Covid-19.

Em teleconferência com o setor de varejo durante o fim de semana, o ministro Paulo Guedes disse que o governo tem feito de tudo para que o dinheiro chegue à ponta final.

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Já o presidente do BC, Roberto Campos Neto, mostrou-se preocupado com uma eventual disparada na quebra de contratos — e, para evitar isso, ele defende a disponibilização de recursos à população, mesmo que isso implique numa piora do lado fiscal do país.

Ainda nesse âmbito, o governo aposta na compra direta, pelo BC, das carteiras de crédito e títulos das empresas como forma de fazer com que os recursos liberados pelo governo cheguem efetivamente às mãos dos empresários, evitando o 'empoçamento' no sistema financeiro.

Tais notícias ajudam a neutralizar a turbulência vista no cenário político do país. Em Brasília, é cada vez mais pesado o clima entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Além disso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez declarações preconceituosas contra a China em meio à crise do coronavírus, reacendendo as tensões diplomáticas com o país asiático.

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Juros longos caem

No mercado de juros, as curvas de vencimento mais amplo operam em baixa, ajustando-se ao cenário de fraqueza econômica decorrente da crise do coronavírus — o boletim Focus agora prevê queda de 1,18% no PIB em 2020 e Selic a 3,25% ao fim do ano.

Nesse cenário, os investidores ajustam os DIs, de modo a precificar um ambiente com juros baixos por um período mais prolongado para estimular a economia brasileira:

  • Janeiro/2021: de 3,17% para 3,20%;
  • Janeiro/2022: de 4,12% para 4,06%;
  • Janeiro/2023: de 5,53% para 5,34%;
  • Janeiro/2025: de 7,19% para 6,92%.

Top 10

Apenas dois ativos do Ibovespa operam em queda neste momento: as exportadoras Suzano ON (SUZB3) e Klabin units (KLBN11), com perdas de 0,13% e 0,66%, respectivamente — ambas subiram forte na semana passada.

Veja abaixo os dez papéis de melhor desempenho do índice:

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CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
RENT3Localiza ON28,74 +23,29%
GNDI3NotreDame Intermédica ON45,56 +21,98%
HAPV3Hapvida ON44,94 +19,05%
BTOW3B2W ON53,57 +18,78%
BRDT3BR Distribuidora ON16,40 +18,41%
IRBR3IRB ON10,03 +16,76%
BRFS3BRF ON17,52 +14,81%
BPAC11BTG Pactual units36,82 +13,96%
NTCO3Natura ON26,97 +13,89%
LREN3Lojas Renner ON35,24 +13,82%
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