Menu
2020-01-03T17:17:37-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Ibovespa desacelera perdas nesta tarde, após cair forte pela manhã

Bolsas iniciaram o dia em queda no mundo inteiro em razão de ataque americano que matou autoridade de alto escalão do Irã; país persa prometeu retaliação

3 de janeiro de 2020
10:49 - atualizado às 17:17
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Como já era de se esperar, a bolsa brasileira abriu em forte queda nesta sexta-feira (3), em linha com as bolsas internacionais, devido à escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã. O Ibovespa começou o dia em queda de 1,03%, aos 117.354,48 pontos, perdendo o patamar dos 118 mil pontos atingido ontem.

Mas no final da manhã, as perdas começaram a desacelerar, e por volta das 17h, o índice recuava apenas 0,29%, para 118.227,85 pontos. Já o dólar à vista fechou em alta de 0,78%, a R$ 4,0555, e não teve grande volatilidade durante o dia. Apesar da forte aversão a risco no exterior, por aqui a alta da moeda americana foi amenizada por uma entrada de fluxo comercial.

  • Contrate o Ivan Sant’Anna: Trader com mais de 60 anos pode te ensinar a dar suas Tacadas de Mestre. Conheça o projeto aqui.

As ações da Petrobras chegaram a avançar, beneficiadas pela alta do petróleo no exterior. Com isso, os papéis da estatal seguraram, por algum tempo, a queda do principal índice da bolsa. Porém, os preços viraram há pouco, diante das incertezas do mercado sobre como a alta do petróleo poderia afetar a política de preços da estatal.

Por volta das 17h, as ações preferenciais (PETR4) recuavam 0,20%, e as ordinárias (PETR3) perdiam 0,98%.

O dia amanheceu com a notícia de que um ataque aéreo dos Estados Unidos a um aeroporto em Bagdá na última quinta-feira (2), ordenado pelo presidente americano Donald Trump, matou o general iraniano Qassem Soleimani, um dos homens mais poderosos do Irã. O país persa prometeu retaliação.

Novo choque do petróleo?

Em razão da tensão, os contratos futuros de petróleo fecharam em alta: o preço do WTI para fevereiro subiu 3,06% para US$ 63,05 o barril, e o do Brent para março avançou 3,55%, para US$ 68,60 o barril. O temor é de que o Irã possa fechar o Estreito de Ormuz, prejudicando o tráfego do petróleo na região e elevando seus preços.

Caso os preços do petróleo subam por um período prolongado, a alta pode acabar sendo repassada aos preços dos combustíveis e até pesar na inflação brasileira, o que também poderia afetar os juros - para cima, no caso.

Para o economista-chefe da corretora Necton, por exemplo, o ataque encerra a chance de novos cortes na Selic neste ano. Já o presidente Jair Bolsonaro disse que o ataque dos EUA vai impactar os preços dos combustíveis.

No entanto, ainda não há consenso no mercado sobre o que poderia ocorrer. Alguns analistas consideram improvável que o Irã feche o Estreito de Ormuz porque isso prejudicaria as suas próprias exportações. Além disso, do ponto de vista da oferta, o preço do petróleo não teria por que ser pressionado de maneira mais permanente.

Também não pode ser descartada a possibilidade de o Fed retomar os cortes de juros de forma a segurar a possível desaceleração econômica que pode se seguir a um conflito de maiores proporções no Oriente Médio.

A aversão a risco no mundo nesta sexta levou o índice VIX de volatilidade - conhecido como "índice do medo" - a subir mais de 20%. Os juros futuros no Brasil acompanhavam o clima e apresentaram alta durante boa parte do dia, mas acabaram fechando com sinais mistos.

Os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2021 fecharam em queda, passando de 4,526% para 4,515% e o DI para janeiro de 2027 subiu de 6,711% para 6,75%.

A tensão no Oriente Médio estragou a festa nas bolsas vista ontem, quando os principais índices de ações mundo fecharam em alta, com novos recordes de fechamento para o Ibovespa e os índices americanos. Mesmo assim, já era esperada alguma realização de lucros no dia de hoje.

Na Europa e na Ásia, as bolsas reagiram à notícia sobre o conflito entre EUA e Irã, mas fecharam com sinais mistos. Em Nova York, os índices futuros apontavam queda de mais de 1%, mas as bolsas abriram com uma queda mais modesta e no início da tarde passaram a desacelerar as perdas. Há pouco, o Dow Jones recuava 0,63%, o S&P 500 caía 0,49% e o Nasdaq tinha baixa de 0,56%.

Braskem dispara

As ações da Braskem (BRKM5) registram a maior alta do Ibovespa no pregão de hoje. Por volta das 17h, os papéis subiam 6,55%.

A petroquímica controlada pela Odebrecht informou que as autoridades concordaram em desbloquear os recursos do seu caixa como forma de custear o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação dos 17 mil moradores de Maceió que foram afetados por um afundamento de bairros associado às atividades de exploração de sal-gema pela empresa na capital alagoana.

O montante bloqueado era de R$ 3,7 bilhões, por conta de ações judiciais movidas pelo Ministério Público Estadual, Defensoria Pública e Ministério Público Federal como forma de garantir a indenização dos moradores.

A Braskem irá transferir R$ 1,7 bilhão para uma conta bancária da própria companhia para o programa. A empresa terá, ainda, que manter um capital de giro mínimo no valor de R$ 100 milhões nesta conta, sujeito a auditoria externa.

Natura reage bem à nova fase com a Avon

As ações da Natura & Co. (NTCO3) também figuram entre as maiores altas, reagindo bem aos novos passos da incorporação da Avon. Por volta das 17h, os papéis subiam 4,17%.

Mais cedo, a Natura divulgou a nova diretoria. Há pouco, anunciou, por meio de Fato Relevante, a consumação da incorporação da Avon, além de um aumento de capital de R$ 10,3 bilhões.

Maiores quedas

Já as companhias aéreas têm as maiores quedas do dia, diante da alta do dólar e do petróleo. Por volta das 17h, a Gol (GOLL4) caía 3,26%, enquanto a Azul (AZUL4) recuava 3,15%.

A terceira maior queda fica por conta das ações da B3 (B3SA3), que no mesmo horário tinham baixa de 2,88%. Depois de subir quase 6% no pregão de ontem, as ações da bolsa veem uma realização de ganhos e também uma reação à queda no preço-alvo pelo Itaú BBA.

A corretora do banco Itaú reduziu o preço-alvo dos papéis da B3 de R$ 56 para R$ 52, mas ainda mantém a recomendação "outperform", equivalente à compra.

*Com Estadão Conteúdo

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

dados do coronavírus

Covid-19: Brasil tem 3,05 milhões de casos e 101,7 mil mortes

Desde o início da pandemia, o Brasil acumula 3.057.470 casos de covid-19, conforme balanço diário divulgado hoje (10) pelo Ministério da Saúde

reforma tributária

Alíquota de CBS pode ser revista se for exagerada, diz Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a dizer que a alíquota de 12% prevista para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) poderá ser revista caso se mostre “exagerada”

fatia de 6%

Azul vende participação de 6% na TAP para governo português por ao menos 10,5 milhões de euros

A venda da participação indireta de 6% teve valor total de, ao menos, 10,5 milhões de euros, com eliminação do direito de conversão dos bônus seniores detidos pela Azul de 90 milhões de euros com vencimento em 2026

seu dinheiro na sua noite

¿Qué pasó, Meli?

Em um contexto de pandemia que obrigou as pessoas a ficarem mais em casa e o comércio a suspender ou reduzir suas atividades, o e-commerce tem sido a boia de salvação de muitos varejistas. Nunca que num cenário como o atual haveria otimismo dos investidores em relação ao varejo não essencial, mas cá estamos: no […]

Mercados hoje

Ibovespa fecha em alta depois de passar o dia em efeito-gangorra

Decretos de Trump sobre ajuda emergencial a desempregados norte-americanos sustentam ‘otimismo cauteloso’ no exterior

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements