🔴 TCHAUZINHO, NUBANK: Itaú BBA revela o nome da ação que pode colocar o roxinho para comer poeira; CLIQUE AQUI  e descubra a resposta no nosso Telegram

2022-09-13T18:15:41-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
OPA a preço atrativo

Gradiente (IGBR3) chega a disparar 47%, mas os acionistas têm um dilema: fechar o capital ou crer na vitória contra a Apple?

O controlador da IGB/Gradiente (IGBR3) quer fazer uma OPA para fechar o capital da empresa. Entenda o que está em jogo na operação

12 de setembro de 2022
13:09 - atualizado às 18:15
Montagem comparando um iphone da Gradiente (IGBR3), à esquerda, e um iPhone da Apple (AAPL34), à direita
Imagem: Montagem Brenda Silva / Seu Dinheiro

Suponha que você seja acionista de uma empresa em recuperação judicial desde 2018 — e sem grandes perspectivas de melhora nas operações. Ao acordar, recebe a seguinte oferta: venda os seus papéis com um prêmio de 55% em relação ao preço de tela. Pois é exatamente essa a situação dos investidores da IGB, a antiga Gradiente (IGBR3).

Só que, o que pode parecer uma decisão óbvia à primeira vista, ganha contornos mais dramáticos. De um lado, a chance de realizar lucros relevantes com o eventual fechamento de capital da companhia; do outro, a possibilidade de um ganho ainda maior caso a Gradiente vença um processo contra a Apple que envolve o uso da marca iPhone.

Sim, é isso mesmo: a IGB/Gradiente está enfrentando a toda poderosa Apple na Justiça — o caso ainda vai ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), numa data a ser definida. E, se for declarada vencedora, pode conseguir numa tacada só os recursos necessários para quitar as dívidas com credores e voltar às operações.

Uma escolha delicada, dado que é impossível ter certeza dos rumos das discussões no STF. Mas, seja como for, o mercado reagiu bem: logo após a abertura, as ações IGBR3 chegaram a disparar 47%, indo a R$ 38,50; ao fim do pregão, eram negociadas a R$ 33,30, numa 'modesta' alta de 27,4%

O papel, no entanto, ainda está longe das máximas históricas: em fevereiro de 2021, chegou a ser negociado perto dos R$ 180 (sim, R$ 180). Mesmo com o salto de hoje, a IGB/Gradiente ainda não está sequer nos maiores patamares de 2022 — em janeiro e em março deste ano, as ações IGBR3 tocaram os R$ 49,00.

Veja abaixo como estavam as ações por volta de 12h:

Gradiente (IGBR3): adeus à bolsa?

Em primeiro lugar, é importante esclarecer: quem está tão disposto a comprar as ações da IGB/Gradiente (IGBR3), de modo a oferecer esse prêmio tão atraente?

O potencial comprador é a HAG Participações, holding que detém 51% do capital da Gradiente e, basicamente, serve como veículo de investimento da família Staub, dona da empresa. A HAG, inclusive chegou a flertar com uma possível abertura de capital na bolsa em 2012, fazendo um pedido de registro junto à CVM, mas desistiu dos planos em 2014.

Pois, ao que parece, a HAG não quer mais ter envolvimento com o mercado de ações: a holding pretende fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) de ações da Gradiente para o fechamento de capital da companhia, ao valor unitário de R$ 40,51 — na última sexta-feira (9), os papéis IGBR3 valiam R$ 26,13.

E como funciona esse processo? Num dia a ser determinado, ocorrerá um leilão na B3 em que os acionistas da IGB poderão vender suas ações à HAG pelo valor de R$ 40,51. Caso mais de 2/3 dos participantes cadastrados aceitem a proposta, o fechamento de capital será levado adiante.

Caso o quórum necessário não seja atingido, então a HAG aumentará sua fatia no capital social da Gradiente, enquanto o volume de papéis em livre circulação no mercado irá diminuir em relação ao nível visto hoje — que, diga-se, já não é muito expressivo.

Segundo dados presentes na última versão do formulário de referência da Gradiente, o capital social da empresa estava dividido da seguinte maneira:

  • HAG Participações: 50,999%
  • Hemi Consultoria e Assessoria: 0,001%;
  • Moris Arditti: 0,012%;
  • Ricardo Emile Staub: 0,01%;
  • Outros: 48,987%.

A Hemi também é ligada aos Staub — Ricardo Emile, no caso, é o diretor-presidente da Gradiente, enquanto Moris Arditti é um outro membro da diretoria executiva. Não há ações em tesouraria — 48,987% do capital social da companhia está em circulação no mercado, sob a forma de pouco mais de 6 milhões de papéis IGBR3.

A disparada das ações nesta segunda-feira está diretamente relacionada aos termos da oferta da HAG: investidores interessados num lucro rápido compram os papéis da Gradiente, montando uma posição a ser vendida no leilão da OPA — desde que o preço de compra seja inferior aos R$ 40,51 propostos, o saldo positivo é garantido.

Mas... por que só agora a HAG/família Staub quer fechar o capital da Gradiente?

A incerteza do STF

Um primeiro ponto a ser levado em conta é a metodologia para definição dos R$ 40,51 da OPA: a HAG considerou a média ponderada das cotações das ações da Gradiente (IGBR3) durante um ano — mais precisamente, a janela entre 1º de setembro de 2021 e 31 de agosto de 2022.

Lembra-se de que a máxima histórica das ações IGBR3 ocorreu no começo de 2021, chegando a R$ 180? Pois bem: o momento escolhido pela HAG leva em conta esse evento: a holding aguardou para que a janela de cálculo de um ano para o preço da OPA desconsiderasse boa parte dessa distorção nos preços.

Em segundo lugar, há a natureza volátil dos papéis IGBR3 — convenhamos que não é exatamente normal uma ação de empresa em recuperação judicial chegar a R$ 180. O fechamento de capital é uma maneira de a administração evitar essas flutuações tão intensas e de caráter especulativo.

Dito isso, há a questão envolvendo a Apple — um caso peculiar e que se arrasta há anos na Justiça.

Em resumo: a Gradiente registrou o termo "iphone", com todas as letras em caixa baixa, no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ainda no ano 2000, muito antes de a Apple lançar o seu "iPhone" no mundo. A argumentação, portanto, é a de que a empresa da maçã deveria pagar pelo uso da marca.

Casos semelhantes já foram vistos no passado: a Apple precisou fazer um acordo com a Cisco para usar comercialmente o termo iPhone nos EUA; no México, uma empresa com uma alegação semelhante à da Gradiente foi declarada vencedora pelos tribunais locais.

A Gradiente já perdeu várias disputas em instâncias inferiores da Justiça brasileira. Em março, no entanto, o STF declarou que iria analisar o tema, recolocando a disputa no radar dos investidores. Em julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deu ganho à Apple, mas a decisão final cabe ao Supremo.

Não há data marcada para que o STF paute a disputa entre Gradiente e Apple — e é difícil imaginar que, em meio às eleições presidenciais, o tema seja pautado ainda neste ano. Mas a expectativa persiste, e ela parece ser a direcionadora dos movimentos da HAG Participações.

Caso a OPA seja bem sucedida e o capital da IGB/Gradiente seja fechado, a HAG/família Staub será a única dona da empresa; e, se o STF der ganho de causa aos brasileiros, os eventuais ganhos e acordos a serem firmados com a Apple ficarão com esse grupo restrito de sócios.

A mesma lógica vale para os acionistas: quem aceita a OPA não troca o certo pelo duvidoso e embolsa os lucros da proposta da HAG; quem recusa, aposta na eventual vitória da Gradiente na Justiça e os possíveis ganhos ainda maiores que esse desfecho poderá trazer — a própria indenização ou acordo a ser firmado não tem uma cifra prevista.

IGB/Gradiente (IGBR3): o que resta?

Segundo o balanço consolidado da IGB/Gradiente (IGBR3) em 2021, a empresa teve receita líquida de R$ 5,5 milhões no ano, uma ligeira alta de 4,9% em comparação com o resultado de 2020. Vale ressaltar, no entanto, que boa parte dessa cifra se deve à locação e administração de imóveis em seu parque industrial, na Zona Franca de Manaus.

Ou seja: falamos de uma empresa cujas operações estão quase paralisadas, com vendas muito próximas a zero no ano — e que depende da venda de ativos ou de eventos extraordinários, como a vitória jurídica contra a Apple, para quitar seus compromissos com os credores.

A Gradiente teve prejuízo líquido de R$ 54,2 milhões em 2021; no ano anterior, as perdas foram de R$ 84,8 milhões.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Eleições 2022

Pesquisa Ipespe/Abrapel mostra Lula oscilando para cima e Bolsonaro estável

24 de setembro de 2022 - 11:41

Pesquisa mostrou que votos brancos e nulos também subiram, assim como o número de eleitores que não souberam ou preferiram não responder

Tax the rich!

Imposto sobre heranças vai aumentar? Saiba quais candidatos à presidência são a favor de tributá-las ou de taxar grandes fortunas

24 de setembro de 2022 - 10:00

A discussão sobre o aumento de impostos sobre os ricos ou os “super-ricos” é tendência mundial, e no Brasil não é diferente. Mas nem todos os candidatos à presidência têm propostas nesse sentido

Banho mais caro

Tarifa de energia elétrica deve subir mais do que toda a inflação projetada pelo Banco Central em 2023, dizem especialistas

24 de setembro de 2022 - 9:47

Reajuste das tarifas chegaria a 5% em 2023, enquanto a projeção do Banco Central para a inflação é de 4,6%

Irregularidades

TSE vê indício de fraude em R$ 605 milhões em gastos das campanhas eleitorais

24 de setembro de 2022 - 9:22

Na lista de casos suspeitos estão gastos que teriam sido feitos por parentes e empresas de fachada, além de doações feitas por pessoas mortas

ESPECIAL SD 4 ANOS

Bolsa vai andar bem depois das eleições e sem o risco de ruptura política, diz Felipe Miranda, da Empiricus

24 de setembro de 2022 - 7:19

Fundador e estrategista-chefe da Empiricus vê Bolsonaro mais liberal caso seja reeleito ou um governo “Lula 1.3”, mais próximo do primeiro mandato do que do segundo

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies