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2022-08-19T15:39:50-03:00
Camille Lima
FRIGORÍFICOS

JBS (JBSS3) é a ação de alimentos favorita do BofA, mas banco vê menor potencial de alta para o papel; ainda vale a pena comprar?

Analistas revisaram para baixo o preço-alvo do papel, para R$ 55, devido à expectativa de queda nas margens da carne bovina dos EUA, correspondente a 40% das vendas da empresa

18 de agosto de 2022
14:54 - atualizado às 15:39
JBS (JBSS3)

O Bank of America (BofA) já deu o nome da sua ação favorita do setor alimentício. Apesar de ter visto seu lucro contrair 9,5% no segundo trimestre, a JBS (JBSS3) continua entre as recomendações preferidas dos analistas para este ano.

Porém, o banco revisou suas projeções para o frigorífico. Os analistas cortaram o preço-alvo que haviam fixado para os papéis, de R$ 67 para R$ 55.

Ainda assim, isso implica em um potencial de alta de 69,44% em relação ao fechamento das ações JBSS3 no último pregão, de R$ 32,46.

O corte no preço-alvo incorporou o aumento do WACC (custo médio ponderado de capital, em português) da JBS, que passou de 9,8% para 10,6%.

Isso porque o WACC é considerado a taxa mínima aceitável de retorno em um investimento em uma empresa. Por esse motivo, quanto maior o indicador, menor a avaliação e mais elevado o risco.

BofA otimista com a JBS (JBSS3)

Mas então, o que faz o Bank of America escolher logo a JBS (JBSS3) como ação favorita, se os riscos estão mais elevados e a valorização potencial para a ação diminuiu, na análise da própria casa?

“À luz da volatilidade esperada durante o ciclo de baixa da carne bovina dos EUA, examinamos os casos de alta e baixa. Concluímos que o risco ainda está muito inclinado para o lado positivo e reiteramos nossa classificação de compra”, disse o BofA, em nota.

Segundo a casa de análise, em qualquer cenário, “o fluxo de caixa permanece forte e o balanço é saudável”. Os analistas sustentam essa tese otimista por três pilares:

01. Diversificação

O primeiro deles é em função da “resiliência de resultados da JBS em função da diversificação dos negócios”.

A própria companhia justificou os números fortes no segundo trimestre com seu portfólio de produtos diversificado.

“Nos Estados Unidos, a demanda nos canais de varejo e food service permaneceu robusta mesmo diante de um cenário inflacionário desafiador. As melhoras operacionais, o portfólio diversificado, a boa rentabilidade no negócio de big birds e o contínuo crescimento dos produtos com marca foram os principais impulsionadores do aumento da rentabilidade no período”, disse a companhia.

02. Resultado trimestral 

O segundo ponto que sustenta o otimismo dos analistas com a ação da companhia é justamente o resultado do segundo trimestre.

A JBS (JBSS3) teve um lucro líquido de R$ 3,9 bilhões entre abril e junho deste ano, um recuo de 9,5% em relação a igual intervalo de 2021.

Apesar do recuo, o indicador ainda veio acima das expectativas dos analistas de mercado. O consenso Refinitiv esperava um lucro de R$ 3,2 bilhões no período.

No trimestre, a receita da companhia ainda avançou 7,7% na base anual, para R$ 92,1 bilhões — também acima do esperado, de R$ 91,5 bilhões.

“O balanço sólido permite oportunidades orgânicas e inorgânicas e retorno consistente de caixa aos acionistas”, disse o BofA, em relatório.

03. Valuation

O terceiro pilar da tese do Bank of America é o valuation atrativo da ação.

Segundo os analistas, o indicador reflete um múltiplo de ciclo de pico em quatro vezes o valor da empresa (EV) em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em português) da companhia para os próximos três anos.

Além disso, o valuation é reflexo do rendimento do fluxo de caixa livre de 21% no ano que vem e de 20% em 2024.

A JBS (JBSS3) em um cenário neutro

Os analistas do BofA acreditam que uma das principais variáveis da JBS (JBSS3) que os investidores prestam atenção é a performance da margem da companhia.

As ações tiveram desempenho inferior ao Ibovespa em 22% no acumulado do ano, na expectativa de queda nas margens da carne bovina dos EUA, que corresponde a 40% das vendas da empresa.

“No nosso caso de base, vemos margens mais altas no Brasil compensando parcialmente um ciclo de baixa nos EUA, apoiando os lucros.”

O pior cenário da JBS

Quando analisando o bear case — isto é, o caso de baixa para a JBS —, o Bank of America destaca três projeções negativas que podem afetar o desempenho da empresa. São elas: 

  • Baixas históricas para a margem de carne bovina dos EUA a partir de 2023 em diante;
  • Margens para outras divisões abaixo da média de oito anos;
  • Queda de 20% nos preços de carne bovina e de frango nos EUA em relação aos níveis atuais. 

“Isso parece improvável, pois as proteínas em diferentes regiões tendem a ser anticíclicas, principalmente a carne bovina”, destacou a casa.

A JBS nas melhores projeções

Já quando os analistas imaginam os melhores cenários possíveis para a JBS (JBSS3), o bull case projeta:

  • Margem Ebitda de longo prazo para carne bovina dos EUA acima da média histórica de 2023 em diante. Segundo o banco, o indicador poderia ser suportado por restrições de mão de obra e capacidade de abate, devido à consolidação;
  • Margens médias de oito anos para outras divisões; 
  • Preços de carne bovina e de frango nos Estados Unidos mantidos nos patamares elevados atuais. 

O BofA destaca que a principal diferença entre os cenários é, no bull case, a projeção das margens da carne bovina dos EUA.

“Supondo que, acima da média histórica, seja viável, com o mercado frigorífico consolidado, há uma restrição de mão de obra para aumentar a capacidade de abate, e a China — e, portanto, as exportações — vem desempenhando um papel importante na demanda.”

Os analistas destacam que esse fator não é levado em conta no caso base, uma vez que a casa adota uma “abordagem mais conservadora até que essas variáveis ​​se tornem mais claras, especialmente em um cenário de ciclo de baixa”.

Veja também: Nova era do ethereum em risco? I Analistas alertam: Não é hora de receber o ethereum 2.0

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