Bolsa fecha em queda e dólar sobe forte com deterioração nos mercados financeiros internacionais
Em sessão marcada por aversão generalizada ao risco, 'quadruple witching' em Wall Street aprofundou recuo do Ibovespa e impulsionou o dólar

Uma semana iniciada com grande expectativa em torno de importantes decisões de política monetária ao redor de todo o globo terminou com sinais inequívocos de que a fé dos investidores nos bancos centrais está abalada.
Eu inclusive conversei com o Vinícius Pinheiro sobre esse tema no vídeo que você pode conferir logo abaixo:
Depois de operar em queda desde o início da sessão, o Ibovespa fechou no vermelho e o real desvalorizou-se acentuadamente ante o dólar em uma sexta-feira marcada pela forte aversão ao risco.
A queda no principal índice do mercado brasileiro de ações acentuou-se no início da tarde, acompanhando a deterioração observada nos mercados financeiros internacionais.
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A situação foi intensificada pelo mau desempenho dos setores financeiro e de tecnologia em Wall Street em dia de quadruple witching - vencimento simultâneo de contratos de derivativos.
Com a semana chegando ao fim sem grandes compromissos na agenda, o Ibovespa acompanhou o movimento externo enquanto os investidores buscaram proteção no dólar. E deu no que deu.
As principais bolsas de valores europeias fecharam em queda e os índices de ações de Nova York registram fortes perdas. O Dow Jones recuou 0,88%, o S&P-500 cedeu 1,12% e o Nasdaq encerrou em queda de 1,07%.
Por aqui, o principal índice da B3 retrocedeu 1,81%, fechando em 98.289,71 pontos. Ao término de mais uma semana de fortes emoções no mercado de ações, o Ibovespa recuou 0,07% no acumulado do período.
A preocupação principal dos investidores continua girando em torno da falta de sinais de que os bancos centrais estariam dispostos a patrocinar uma nova rodada de estímulos monetários para sustentar a retomada econômica pós-pandemia.
Agenda fraca e ausência de notícias atrapalharam
Antes de aprofundar a queda, o Ibovespa refletia a ausência de uma direção clara nos mercados financeiros internacionais, a agenda fraca e a escassez de notícias capazes de impulsionar o índice em um momento de incerteza, avaliou Pedro Galdi, analista da Mirae Asset.
Diante da agenda fraca, o noticiário corporativo figurou como um grande motor do mercado ao longo da sexta-feira, mas foi insuficiente para evitar a queda do índice..
As ações do Magazine Luiza destoaram da queda acentuada de outros papéis depois de a companhia ter aprovado uma nova proposta de desdobramento de ações na proporção de 1 para 4.
Além da Magalu, apenas duas outras empresas fecharam hoje no azul: a Raia Drogasil, que esta semana também decidiu por um desdobramento de ações, e a Suzano, beneficiada pela alta acentuada do dólar.
No campo negativo, o destaque ficou por conta da Cielo, cujas ações registraram o pior desempenho dentro todos os componentes do Ibovespa depois de o JPMorgan ter rebaixado a recomendação do papel de 'neutra' para 'venda'. Na visão do banco, a companhia deve seguir perdendo participação no mercado.
Confira a seguir as maiores altas e as maiores queda do dia entre os componentes do Ibovespa.
MAIORES ALTAS
- Suzano ON (SUZB3) +2,10%
- Raia Drogasil ON (RADL3) +1,29%
- Magalu ON (MGLU3) +0,07%
MAIORES BAIXAS
- Cielo ON (CIEL3) -6,58%
- Lojas Renner ON (LREN3) -4,97%
- BTG Pactual Unit (BPAC11) -4,97%
- IRB Brasil ON (IRBR3) -4,91%
- Gol PN (GOLL4) -4,78%
Dólar e juro
O dólar registrou forte valorização em uma sexta-feira marcada por pouca liquidez e muita aversão ao risco. O real apresentou o pior desempenho ante o dólar dentre as moedas de mais liquidez nos mercados financeiros.
Ao fugirem de posições mais arriscadas, os investidores buscaram hoje proteção no mercado de câmbio.
Com isso, a divisa norte-americana fechou em alta de 2,79%, cotada a R$ 5,3776. Esta foi a maior alta diária do dólar desde 24 de junho. Na semana, a moeda norte-americana avançou 0,83%.
Os contratos de juros futuros também fecharam em alta acentuada, especialmente nos vencimentos mais longos, acompanhando o movimento do dólar ante o real.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,820% para 2,970%;
- Janeiro/2023: de 4,140% para 4,380%;
- Janeiro/2025: de 6,020% para 6,310%;
- Janeiro/2027: de 7,010% para 7,280%.
FUTURO NEBULOSO
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