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Apesar do viés “misto” dos mais recentes dados da atividade doméstica, o otimismo em relação ao acordo EUA-China e a força mostrada pela economia chinesa sustentaram o bom desempenho do Ibovespa
É verdade: sinais mistos da economia brasileira em novembro elevaram a cautela entre os investidores e trouxeram dúvidas quanto ao ritmo de recuperação da atividade doméstica. Esse cenário mais nebuloso, contudo, não foi capaz de frear o Ibovespa nesta semana.
Afinal de contas, o principal índice da bolsa brasileira fechou o pregão desta sexta-feira (17) em alta de 1,52%, aos 118.478,30 pontos. Com isso, o Ibovespa acumulou um ganho de 2,58% desde segunda-feira — o melhor desempenho semanal desde o início de dezembro.
A resposta para essa confiança quase inabalável está no exterior: lá fora, o noticiário dos últimos dias foi amplamente favorável para os mercados acionários. A guerra comercial esfriou de vez e a economia da China deu um sinal de força — fatores que foram comemorados pelos agentes financeiros.
Prova disso é o rali visto nas bolsas americanas nos últimos dias: o Dow Jones subiu 1,81% na semana, chegando aos 29.348,10 pontos; o S&P 500 avançou 1,96% desde segunda-feira, cravando 3.329,62 pontos; e o Nasdaq acumulou alta de 2,28%, indo aos 9.388,94 pontos — três novos recordes de fechamento.
Isso não quer dizer que todos os mercados tenham experimentado uma onda generalizada de alívio nesta semana. No câmbio, o dólar à vista continuou sob pressão, aproximando-se novamente dos R$ 4,20.
Nesta sexta-feira, a moeda americana teve um dia de respiro, encerrando em baixa de 0,61%, a R$ 4,1646. Ainda assim, a divisa acumulou ganhos de 1,74% na semana — esta foi apenas a terceira sessão neste ano em que o dólar fechou em queda.
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Esse avanço do dólar parece refletir melhor a preocupação em relação à economia doméstica. Enquanto o Ibovespa conseguiu ganhar terreno, amparado pelo noticiário externo, a moeda americana tem sido usada como proteção — e, com isso, já volta a se aproximar das máximas históricas.
Na semana passada, alguns dados da economia brasileira já haviam gerado alguma cautela entre os investidores: a produção industrial em novembro ficou abaixo do esperado e a inflação medida pelo IPCA fechou 2019 ligeiramente acima do centro da meta do Banco Central.
Nesta semana, uma nova leva de indicadores confirmou a percepção de que a atividade doméstica ainda está patinando: os resultados do setor de serviços e das vendas no varejo em novembro também decepcionaram, acendendo um sinal amarelo nos mercados.
A situação só não foi mais preocupante porque o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em novembro superou as expectativas, neutralizando parcialmente as preocupações dos investidores.
Mas, ainda assim, o quadro segue misto — a única certeza é a de que a economia não está se recuperando num ritmo tão forte quanto o previso há alguns meses.
Por mais que o cenário doméstico pareça nebuloso, o otimismo no exterior foi tão grande nos últimos dias que o Ibovespa conseguiu deixar essas dúvidas em segundo plano.
Lá fora, finalmente foi assinada a primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China, após a formalização em dezembro. E os termos do acerto agradaram os mercados, especialmente em Nova York.
De acordo com as tratativas, o governo chinês se comprometeu a comprar volumes maiores de produtos agrícolas e industriais dos Estados Unidos, entre outros produtos. Além disso, as tarifas de importação que já estão em andamento não serão canceladas — isso só acontecerá numa segunda fase.
Esses termos agradaram os investidores, que desde quarta-feira tem levado as bolsas americanas às máximas. E, nessa sexta-feira, um novo foco de otimismo contribuiu para dar ainda mais força aos mercados.
O principal fator de influência para as negociações nesta sexta-feira veio da Ásia, com a divulgação de uma série de dados econômicos da China. Num primeiro momento, as informações pareceram negativas, mas, à segunda vista, os indicadores trouxeram sinalizações positivas.
A má notícia é que o PIB chinês cresceu "apenas" 6,1% em 2019, o ritmo mais lento de expansão em quase três décadas. A boa é que a produção industrial do país avançou 6,9% em dezembro, enquanto as vendas no varejo saltaram 8% no mesmo período — números acima do esperado.
Assim, por mais que o PIB tenha decepcionado, a recuperação da indústria e do varejo chinês em dezembro indica que as medidas adotadas por Pequim no fim do ano passado para estimular da economia já começaram a surtir efeito. Desta maneira, há a perspectiva de aquecimento da atividade em 2020 — o que criou um cenário mais otimista para os mercados.
As curvas de juros acompanharam o alívio visto no dólar e terminaram a sessão desta sexta-feira em baixa, devolvendo parte dos ganhos de ontem. Veja como ficaram os principais DIs:
Os dados animadores da produção industrial na China deram força às ações do setor de mineração e siderurgia, uma vez que o mercado chinês é um dos principais consumidores de minério de ferro e aço do mundo.
Nesse cenário, as ações ON da Vale (VALE3) subiram 3,32%, enquanto os papéis PN da Bradespar (BRAP4) avançaram 4,30% — a empresa possui uma fatia relevante na mineradora.
Entre as siderúrgicas, Gerdau PN (GGBR4) teve ganho de 1,27%, Usiminas PNA (USIM5) valorizou 0,93% e CSN ON (CSNA3) fechou em alta de 0,14%.
As blue chips — ações de liquidez elevada e grande representatividade na composição do Ibovespa — subiram em bloco e deram força ao índice nesta sexta-feira. Em destaque, apareceram os papéis do setor bancário, que têm tido um desempenho bastante fraco em 2020.
Itaú Unibanco PN (ITUB4) subiu 0,69%, Bradesco PN (BBDC4) terminou em alta de 2,34%, Banco do Brasil ON (BBAS3) avançou 1,35% e as units do Santander Brasil (SANB11) valorizaram 1,92%.
As ações da Petrobras também subiram, sustentadas pela leve alta do petróleo no exterior. Os papéis PN da estatal (PETR4) avançaram 1,12%, enquanto os ONs (PETR3) tiveram ganho de 2,02%.
Confira os papéis de melhor desempenho do Ibovespa no momento:
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