Ibovespa na mínima, dólar na máxima: o mercado brasileiro continua sob pressão
O Ibovespa caiu aos 112 mil pontos pela primeira vez em 2020 e o dólar à vista cravou mais um recorde nominal de fechamento. As incertezas ligadas ao coronavírus e o mau humor em relação ao noticiário doméstico mexeram com os mercados

O fim de semana passou, mas o pano de fundo para o Ibovespa e o dólar continua o mesmo. O clima por aqui é de cautela, tanto em relação ao exterior quanto ao cenário doméstico — e essa tensão persistente deu o tom para as negociações nesta segunda-feira (10).
Tanto é que, ao fim do dia, o Ibovespa marcava 112.570,30 pontos, em queda de 1,05% — é o menor nível de encerramento em 2020. Agora, o índice acumula perdas de 2,66% no ano.
O dólar à vista teve reações mais modestas, mas não escapou de mais um dia de alta: terminou a sessão com leve ganho de 0,03%, a R$ 4,3220. Trata-se de um novo recorde nominal em termos de fechamento — a moeda americana já sobe 7,73% desde o começo de 2020.
Há dois vetores por trás da pressão vista hoje. No exterior, o coronavírus continua inspirando cautela aos investidores, uma vez que os primeiros efeitos à economia real já começam a aparecer; por aqui, movimentações em Brasília voltaram a mexer com as mesas de operação.
Essa combinação fez o Ibovespa cair à faixa de 112 mil pontos pela primeira vez no ano — é o menor patamar desde 17 de dezembro, quando o índice terminou em 112.615,66 pontos.
Incertezas no horizonte
O coronavírus seguiu como grande fator de influência para as negociações globais nesta segunda-feira. Já são mais de 900 mortos na China e mais de 40 mil pessoas contaminadas no mundo todo — e, nesse cenário, o mercado começa a projetar os possíveis impactos à economia global.
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Mais cedo, a China informou um salto nos dados de inflação, para 5,4% em janeiro — bem acima das projeções dos analistas, de alta de 4,96%. Essa pressão inflacionária se deve a um pico nos preços dos alimentos, sobretudo as carnes, em meio ao surto da doença.
A percepção de que o coronavírus já começa a trazer efeitos reais à economia da China e do mundo, assim, coloca os investidores na defensiva nesta segunda-feira, sobretudo nos mercados acionários.
Na Ásia e na Europa, quase todas as praças acionárias fecharam no campo negativo, dando o tom da cautela que toma conta dos investidores lá fora. A exceção ficou com os Estados Unidos: por lá, o Dow Jones (+0,60%), o S&P 500 (+0,73%) e o Nasdaq (+1,13%) fecharam em alta.
Brasília volta aos holofotes
O cenário político doméstico também voltou a influenciar os rumos da bolsa brasileira nesta segunda-feira. Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que a privatização da Eletrobras está 'cada dia mais difícil' — o que trouxe mau humor generalizado aos mercados.
A declaração afetou o desempenho das ações da estatal: os papéis ON (ELET3) caíram 3,78%, enquanto os PNBs (ELET6) recuaram 2,74%.
Cautela no câmbio
No mercado de moedas, o dólar ficou perto do zero a zero em relação ao peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano, entre outras moedas emergentes. O real, assim, acompanhou seus pares nesta.
Há alguma aversão ao risco no câmbio, em meio às incertezas ligadas ao coronavírus. Sem saber o que poderá acontecer, os investidores preferem se desfazer de ativos mais arriscados, como as moedas emergentes, e partir para opções mais seguras, como o dólar.
No entanto, considerando a alta da moeda americana nos últimos dias, esse movimento acabou tendo pouco espaço — o que ajudou a manter a divisa praticamente inalterada em escala global. Vale lembrar que, na última sexta-feira (7), o dólar à vista já havia chegado a um novo recorde nominal de fechamento, a R$ 4,3209.
Já as curvas de juros fecharam em baixa nesta segunda-feira. Mais cedo, as projeções para a inflação em 2020 pelo boletim Focus caíram de 3,40% para 3,25%. Assim, embora as estimativas para a Selic tenham permanecido em 4,25% ao ano, o mercado parece começar a enxergar um possível espaço para mais cortes nas taxas.
Nesse contexto, veja como ficaram os principais DIs hoje:
- Janeiro/2021: de 4,27% para 4,26%;
- Janeiro/2023: de 5,55% para 5,52%;
- Janeiro/2025: de 6,20% para 6,15%;
- Janeiro/2027: de 6,55% para 6,48%.
Mais pressão para o IRB
As ações ON do IRB (IRBR3) despencaram 16,49% e tiveram o pior desempenho do Ibovespa, em meio a uma nova carta da Squadra, a gestora que, na semana passada, apontou possíveis inconsistências no balanço da empresa.
A Squadra reafirmou seu posicionamento, rebatendo as argumentações do IRB quanto a possíveis erros de cálculo por parte da gestora. E, em meio ao imbróglio, a XP Investimentos optou por colocar a recomendação para as ações da resseguradora em revisão.
Outro destaque desta segunda-feira foi BB Seguridade ON (BBSE3), com ganhos de 1,30% — a empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,13 bilhão no quarto trimestre de 2019, um aumento de 34,9% na base anual.
Também no campo positivo, destaque para Itaú Unibanco PN (ITUB4), em alta de 1,69% — o banco divulga nesta noite seu balanço referente ao quarto trimestre de 2019. O bom desempenho das ações do Itaú acabou puxando os papéis do setor bancário como um todo.
Veja abaixo as ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta segunda-feira:
- Itaúsa PN (ITSA4): +2,03%
- Itaú Unibanco PN (ITUB4): +1,69%
- Santander Brasil units (SANB11): +1,45%
- BB Seguridade ON (BBSE3): +1,30%
- Bradesco PN (BBDC4): +1,07%
Confira também as maiores baixas do índice hoje:
- IRB ON (IRBR3): -16,49%
- Marfrig ON (MRFG3): -6,94%
- CVC ON (CVCB3): -6,03%
- Cyrela ON (CYRE3): -5,93%
- BTG Pactual units (BPAC11): -4,66%
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