Adiando a festa: Ibovespa cai em dia e cautela global e se afasta dos 100 mil pontos
O tom mais prudente visto lá fora, somado à cautela dos investidores após a confirmação de que o presidente Jair Bolsonaro contraiu o coronavírus, fez o Ibovespa cair mais de 1% hoje; o dólar avançou e foi a R$ 5,38

Na semana passada, o Ibovespa acumulou ganhos de mais de 3% e, apenas ontem, subiu mais 2,24%, chegando às máximas em quatro meses. Quase que de repente, o índice voltou a flertar com os 100 mil pontos — e havia quem apostasse na reconquista da marca centenária já nesta terça-feira (7).
Mas ainda não foi dessa vez. Desde o início do pregão, ficou claro que um certo clima de cautela tomava conta dos investidores, tanto no Brasil quanto no exterior. E essa hesitação só aumentou com o passar do dia: no fechamento, o Ibovespa marcava 97.761,04 pontos, em queda de 1,19%.
Com o desempenho de hoje, o índice brasileiro ficou em linha com as demais bolsas globais: na Europa, as principais praças fecharam em baixa; nos EUA, o Dow Jones (-1,51%), o S&P 500 (-1,08%) e o Nasdaq (-0,86%) também tiveram um dia negativo.
- Eu gravei um vídeo para comentar alguns fatores externos que influenciaram os mercados brasileiros nesta terça-feira. Veja abaixo:
Isso não quer dizer que seja melhor recolher a decoração, devolver o bolo e distribuir os docinhos: essa baixa generalizada de hoje não se deve a alguma onda de pessimismo estrutural ou ao surgimento de novos fatores de risco no radar.
O que tivemos, na realidade, foi uma correção e realização dos lucros recentes — um movimento que teve como gatilho uma série de informações desfavoráveis ao mercado, é certo, mas que, ainda assim, estão longe de provocar uma mudança de humor entre os investidores.
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No mercado de câmbio, também tivemos uma sessão mais pressionada: o dólar à vista até chegou a cair 1,16% logo depois da abertura, tocando os R$ 5,2897 na mínima. Mas, ao longo do dia, a moeda americana foi se fortalecendo, pouco a pouco, até terminar cotada a R$ 5,3834 (+0,59%).
[captacao]
Prudência
Lá fora, o comportamento mais hesitante dos investidores ocorreu em meio a uma sessão sem grandes destaques em termos de agenda econômica — e os poucos dados que foram divulgados não trouxeram indicações positivas ao mercado.
Na zona do euro, novas projeções econômicas para a União Europeia agora apontam para uma queda de 8,7% no PIB em 2020 — as estimativas anteriores eram de baixa de 7,7%. Ainda no velho continente, a produção industrial da Alemanha cresce 7,8% em abril, resultado abaixo do esperado pelos agentes financeiros.
Esse clima menos animado na Europa se somou ao desconforto quanto ao aumento de novos casos do coronavírus nos EUA — um fenômeno que, se não for contido, pode inspirar novas medidas de isolamento e restrição econômica, o que frearia a recuperação do nível de atividade do país.
Essa combinação de fatores acabou pesando sobre o humor dos investidores, inspirando um movimento de correção e realização de lucros nas bolsas globais. O mercado de juros futuros também mostra alguma prudência: os DIs ganharam força e fecharam em alta, em ambos os vértices.
- Janeiro/2021: de 2,09% para 2,10%;
- Janeiro/2022: de 2,90% para 2,95%;
- Janeiro/2023: de 4,00% para 4,07%;
- Janeiro/2025: de 5,52% para 5,63%.
Bolsonaro com Covid-19
No cenário doméstico, os investidores até tentaram sustentar uma postura não tão cautelosa durante a manhã, amparados por declarações mais otimistas do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, a respeito da recuperação da economia brasileira. Mas, aí...
Bem, aí tivemos a confirmação da notícia que, de certa maneira, já era aguardada pelos mercados: o presidente Jair Bolsonaro testou positivo para o coronavírus. Ele mesmo comunicou o resultado dos exames à imprensa, por volta das 12h30 — e os mercados reagiram com prudência:
A notícia elevou a percepção de risco por parte dos agentes financeiros por uma série de razões. Em primeiro lugar, há a própria incerteza quanto ao estado de saúde do presidente; em segundo, há o fato de Bolsonaro ter tido uma agenda cheia nos últimos dias, encontrando-se com ministros e outras autoridades e que, eventualmente, também podem ter contraído a doença.
Assim, dados os desdobramentos ainda desconhecidos do caso, os investidores aproveitaram o clima mais inseguro visto no exterior e também ajustaram parte de suas posições, tanto na bolsa quanto no dólar. Afinal, um pouco de cautela não faz mal a ninguém — e os 100 mil pontos do Ibovespa certamente podem esperar.
Top 5
Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta terça-feira. O setor de frigoríficos foi a estrela do dia, com Marfrig ON (MRFG3), Minerva ON (BEEF3) e JBS ON (JBSS3) despontando entre as maiores altas:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| MRFG3 | Marfrig ON | 13,62 | +7,92% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | 74,72 | +3,79% |
| FLRY3 | Fleury ON | 25,74 | +3,04% |
| BEEF3 | Minerva ON | 13,70 | +2,85% |
| JBSS3 | JBS ON | 22,95 | +2,82% |
Confira também as maiores quedas do índice — destaque para CVC ON (CVCB3), em forte queda após a confirmação de que as perdas relacionadas ao erro financeiro nos balanços passados será maior que a prevista. Além disso, o setor bancário também apareceu na ponta negativa, devolvendo boa parte dos ganhos de ontem:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| CVCB3 | CVC ON | 20,28 | -6,93% |
| ITUB4 | Itau Unibanco PN | 26,37 | -4,90% |
| SANB11 | Santander Brasil units | 28,53 | -4,36% |
| CSAN3 | Cosan ON | 73,50 | -4,27% |
| BBDC4 | Bradesco PN | 21,71 | -4,15% |
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