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2020-07-05T21:24:39-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Semana positiva

Ibovespa sobe mais de 3% na semana e dólar cai a R$ 5,31; dados positivos se sobrepõem à cautela

Indicadores econômicos mais fortes no mundo, somados a novas injeções de recursos pelos BCs e governos, levaram o Ibovespa às máximas em quase um mês e permitiram um alívio no dólar à vista

3 de julho de 2020
18:02 - atualizado às 21:24
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O primeiro semestre ficou para trás — e o cenário catastrófico visto nas bolsas em março parece cada vez mais distante. Ok, o Ibovespa ainda tem um longo caminho pela frente e ainda amarga perdas expressivas desde o começo de 2020, sem dúvidas. Mas também é verdade que o nível de 60 mil pontos visto no momento de maior pânico já não parece mais palpável.

Nesta semana, o índice brasileiro se afastou um pouco mais das mínimas do ano — sendo preciso, o Ibovespa acumulou ganhos de 3,12% no período, encerrando o pregão desta sexta-feira (3) aos 96.764,87 pontos. É o maior nível desde 8 de junho.

Um alívio mais ou menos semelhante foi visto no mercado de câmbio: desde segunda-feira, o dólar à vista acumulou queda de 2,59%, terminando a semana cotado a R$ 5,3191 — nos últimos dias, a moeda americana até chegou a ficar abaixo da marca de R$ 5,30, mas sempre acabou voltando ao andar superior.

  • O podcast Touros e Ursos desta sexta-feira já está no ar! Eu e a Julia Wiltgen falamos sobre o panorama para os investimentos no segundo semestre do ano e fizemos um balanço do desempenho de diversas aplicações nos primeiros seis meses de 2020:

De certa maneira, o exterior ditou o rumo das negociações por aqui nos últimos dias, tanto para o lado positivo quanto para o negativo. E, novamente, tivemos uma equação cujas variáveis incluíam dados econômicos, sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e notícias sobre o coronavírus.

Considerando a recuperação vista nos mercados, você já deve imaginar que os fatores de otimismo se sobrepuseram aos pontos de cautela — ou, em outras palavras: o avanço da pandemia ficou em segundo plano perto da possível recuperação da economia global.

E, de fato, a rodada de indicadores econômicos dos últimos dias foi bastante animadora: na Ásia, na Europa e nos EUA, tivemos números mostrando uma melhoria sequencial no nível de atividade — e até o Brasil teve alguns dados mais fortes, sinalizando que, ao menos, a fase da deterioração econômica pode estar terminando.

Recuperação?

E quais foram os indicadores econômicos mais firmes?

Bem, em destaque apareceu o resultado do mercado de trabalho dos EUA em junho, com a criação de 4,77 milhões de novos postos — um resultado que surpreendeu os analistas, que projetavam a abertura de menos de 4 milhões de vagas.

Vale lembrar que esse foi o segundo mês consecutivo em que o payroll contraria as expectativas: em maio, quando todos esperavam o fechamento de vagas, foram abertos 2,5 milhões de novos empregos.

Com isso, a taxa de desocupação dos EUA caiu para 11,1%, ante 13,3% em maio. São níveis ainda bastante elevados para a média americana, mas que mostram uma evolução gradual da dinâmica do mercado de trabalho do país — e que aumentam a esperança quanto a uma recuperação em 'V' da economia do país e do mundo.

Dados de vendas de imóveis nos EUA e de atividade do setor industrial no mundo também mostraram uma recuperação mais firme que a antecipada pelo mercado, reduzindo a percepção de risco do investidor global — um quadro que dá impulso às bolsas e tira força do dólar, um ativo de viés mais defensivo.

E, mesmo no Brasil, os dados de produção industrial em maio mostraram um avanço de 7% em relação a abril. Claro, as bases de comparação estavam bastante baixas e a indústria doméstica está longe de retornar aos patamares vistos antes da crise. Mas, ainda assim, é uma notícia bem-vinda.

Por fim, tivemos também novas indicações do Fed e do governo dos EUA que contribuíram para animar os investidores: o BC americano anunciou que irá comprar mais títulos de dívida corporativa no mercado primário, enquanto autoridades em Washington sinalizaram o lançamento de programas de investimento, sobretudo em infraestrutura.

Ou seja: mais recursos serão injetados na economia — e parte desse dinheiro já está sendo direcionado aos mercados financeiros, o que ajuda a explicar o bom desempenho das bolsas globais mesmo em meio à pandemia de coronavírus.

Desta maneira, o Ibovespa, o dólar e as bolsas globais tiveram uma semana positiva, por mais que os números de novas contaminações pela Covid-19 tenham acelerado no mundo — e, em particular, nos EUA. Um risco que permanece no radar dos investidores, mas que, ao menos por enquanto, é mitigado pelos estímulos econômicos e pelos indicadores mais fortes.

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