Menu
2020-02-07T17:15:10-03:00
Kaype Abreu
Kaype Abreu
Jornalista formado pela Universidade de Federal do Paraná (UFPR). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros veículos.
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
mercados agora

Dólar crava um novo recorde e fecha a R$ 4,32; Ibovespa cai mais de 1%

Mercado de moedas continuou pressionado após mais um corte da taxa básica de juros; sinal no exterior também é negativo

7 de fevereiro de 2020
10:38 - atualizado às 17:15
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Desde o início desta sexta-feira (7), o dólar à vista deixou claro que testaria novos recordes. A moeda americana abriu em alta e foi ganhando força ao longo do dia, numa sessão marcada pelo enfraquecimento das divisas de países como um todo.

No fechamento, o dólar à vista apontava R$ 4,3209, em alta de 0,83%. Trata-se de uma nova máxima nominal de encerramento e a primeira vez que a moeda ultrapassa a barreira de R$ 4,30.

Como resultado, a divisa americana terminou a semana com um ganho acumulado de 0,89% — desde o início de 2020, o dólar à vista já subiu 7,70%.

A situação não é muito diferente no mercado de ações: por volta de 17h10, o Ibovespa recuava 1,08%, aos 113.948,56 pontos. Com o desempenho do momento, o índice praticamente zera os ganhos acumulados na semana — agora, registra ganhos de 0,08% desde segunda-feira.

O mercado de moedas continua pressionado após mais um corte da taxa básica de juros. Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic para 4,25%.

A decisão estreitou ainda mais a diferença em relação aos juros dos Estados Unidos, que hoje estão na faixa entre 1,5% e 1,25%. Com o diferencial mais baixo, os investidores que buscam rendimentos fáceis têm menos estímulo para colocar recursos no Brasil.

Mas esse não é o único fator por trás da nova onda de pressão no câmbio. A sessão desta sexta-feira é marcada pela valorização do dólar em relação às divisas de países emergentes, como o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso colombiano, entre outras.

Ou seja: há um movimento generalizado de aversão ao risco — e, no mercado de moedas, isso se traduz numa fuga dos ativos emergentes e uma busca por proteção nas divisas mais seguras, como o dólar ou o iene.

Cautela no exterior

O noticiário externo é responsável por parte desse tom mais defensivo. Lá fora, as preocupações quanto ao coronavírus voltam a assombrar os investidores, especialmente após o governo da China mostrar preocupação quanto aos impactos da doença à economia do país.

Segundo o banco central chinês, possíveis contramedidas para amortecer o baque do surto do vírus estão sendo analisados — o cenário-base é de turbulência à economia local no curto prazo.

A postura mais cautelosa das autoridades chinesas, somada à disseminação do coronavírus no mundo — ao todo, são mais de 30 mil infectados e 638 mortos — elevam a tensão nos mercados e desencadeiam um movimento de realização de lucro nas bolsas americanas.

No mesmo horário, o Dow Jones (-0,83%), o S&P 500 (-0,44%) e o Nasdaq (-0,38%) operavam em queda após quatro sessões no campo positivo — um desempenho que acaba pressionando o Ibovespa.

No front da agenda de dados econômicos, destaque para o relatório de empregos dos EUA em janeiro, mostrandoa criação de 225 mil vagas no mês — acima da mediana de 160 mil, segundo analistas consultados pelo Projeções Broadcast.

Por outro lado, a taxa de desemprego subiu para 3,6% ao ano, o que traz preocupação aos investidores.

Tom defensivo

No Brasil, o principal indicador econômico divulgado nesta sexta-feira reforçou a ociosidade da economia: a inflação variou 0,21% em janeiro, conforme dados do IPCA informados pelo IBGE.

Além disso, uma declaração da agência de classificação de risco Fitch continua gerando pessimismo: segundo a instituição, um país com o perfil do Brasil pode levar até dez anos para recuperar o grau de investimento.

O selo de bom pagador é fundamental para aumentar a confiança dos investidores estrangeiros e resulta numa maior entrada de recursos externos - o que diminuiria a pressão sobre o câmbio.

Ajuste nos DIs

Apesar da pressão no dólar e do sentimento negativo que tomou conta dos mercados, as curvas de juros de curto prazo conseguiram fechar em baixa, devolvendo parte dos ajustes de ontem. Veja abaixo como ficaram os principais DIs nesta sexta-feira:

  • Janeiro/2021: de 4,33% para 4,27%;
  • Janeiro/2023: de 5,54% para 5,56%;
  • Janeiro/2025: de 6,14% para 6,19%;
  • Janeiro/2027: de 6,47% para 6,55%.

Lojas Renner em alta

As ações ON da Lojas Renner (LREN3) avançam 1,29% e aparecem entre os destaques positivos do Ibovespa. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 512,1 milhões no quarto trimestre de 2019, um aumento de 16,7% na base anual; os ganhos acumulados no ano subiram 7,7%, chegando a R$ 1,099 bilhão.

Em comentário enviado a clientes, a equipe de análise do Credit Suisse disse que os resultados da Lojas Renner foram bons, deixando claro que a varejista continua a "subir a barra" em termos de execução.

No entanto, a instituição também ressalta que o mercado já aguardava que a Renner registrasse um bom desempenho no trimestre, o que limita o potencial de ganhos das ações.

Top 5

Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa no momento:

  • BB Seguridade ON (BBSE3): +2,53%
  • Carrefour Brasil ON (CRFB3): +1,41%
  • Lojas Renner ON (LREN3): +1,29%
  • Bradesco PN (BBDC4): +1,23%
  • Braskem PNA (BRKM5): +1,13%

Confira também as maiores quedas do índice:

  • IRB ON (IRBR3): -6,61%
  • MRV ON (MRVE3): -4,69%
  • B2W ON (BTOW3): -4,49%
  • JBS ON (JBSS3): -4,11%
  • Gerdau PN (GGR4): -3,91%
Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO

‘Estamos em um mundo caro. Não dá mais para comprar ações aleatoriamente’, diz sócio da Geo Capital

Para Gustavo Aranha, a recente queda no preço das ações provocada pelo surto de coronavírus abre oportunidades para comprar ações de boas companhias no exterior que antes estavam caras.

OLHO NO VÍRUS

Coronavírus está contido em solo americano sem impactos na cadeia produtiva

O assessor da Casa Branca também disse que não vê nenhum movimento do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) para cortes de juros em uma resposta ao “pânico” do coronavírus

MERCADOS HOJE

Bolsas europeias terminam mais um dia em queda acentuada, de olho no coronavírus

Outro que registrou perdas foi o índice acionário italiano, mas em menor grau. Após registrar a maior contração entre as bolsas ontem, o índice da Itália (FTSE-MIB) recuou 1,44% e fechou em 23.090,44 pontos nesta terça-feira

AVIAÇÃO

‘Portugal pode ajudar na venda do C-390’, diz ministro da Defesa do país

O governo de Portugal é sócio da Embraer na OGMA, de manutenção de aeronaves, com uma participação de 35%

CORONAVÍRUS

EUA pedem que Congresso autorize gasto de US$ 2,5 bilhões para conter coronavírus

Os Estados Unidos confirmaram 14 casos de infecção pelo coronavírus em sete Estados diferentes, mas não relataram mortes

ENERGIA

País tem ‘folga’ de energia pelo menos até 2024

“Temos uma folga estrutural, pois tivemos um aumento de capacidade instalada sem a contrapartida de aumento de consumo”, diz Cristopher Vlavianos

ESTÍMULO PARA AS EMPRESAS

China anuncia medidas para ampliar crédito a empresas atingidas pelo coronavírus

Em reunião presidida pelo primeiro-ministro Li Keqiang, o conselho disse que aumentará em 500 bilhões de yuans (US$ 71,2 bilhões) a cota de refinanciamento para empréstimos de bancos a pequenas empresas e fazendeiros

EM BUSCA DE PROTEÇÃO

Temor global com coronavírus faz ouro alcançar maior cotação desde 2013

Apenas neste ano, o ETF acumula alta de 8,25%. A razão para a valorização é uma só: ele é considerado porto seguro de quem investe quando o cenário externo parece mais incerto

JUROS

Crescem apostas do mercado de que FED pode cortar juros nas próximas reuniões

Dados do CME Group mostram que os investidores enxergam 18,8% de chance de um novo corte de juros de 0,25 ponto porcentual na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) de março

CRIPTOMOEDAS

Buffett volta a dizer que “criptomoedas não têm valor e que nunca terá uma”

Apesar de não gostar muito das moedas digitais, o bitcoin não vem fazendo feio. Nos últimos 12 meses, a criptomoeda acumula valorização de 191,50%

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements