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Índice não conseguiu manter toada positiva vista em outros dias e recuou com quedas de bancos e Petrobras; dólar sobe com inflação maior à vista
O Ibovespa caiu, mas subiu.
Na última sessão da semana em que voltou aos 100 mil pontos — um mês depois de fechar acima do patamar pela última vez —, o Ibovespa não conseguiu sustentar o ímpeto positivo e terminou a sexta-feira (23) apontando para baixo.
Inclusive, nosso podcast falou exatamente sobre isso hoje: o Ibovespa voltou aos 100 mil, mas vai lá se manter? Para conferir, é só dar play.
Mas voltando a hoje — um misto de cautela com o pacote de estímulos nos Estados Unidos, novela sem fim de que os mercados não perdem nenhum capítulo, e a queda de alguns dos pesos-pesados — leia-se Petrobras, JBS e bancos — puxou o índice para o terreno negativo.
No fim do dia, o Ibovespa marcou recuo de 0,65%, para 101.259,75 pontos, perto da mínima de 0,72%, quando era cotado aos 101.188,38 pontos.
Ou seja, no fim das contas, o índice teve que lutar para se manter acima do patamar de 101 mil.
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Mas o saldo semanal foi bem positivo. Só nas últimas cinco sessões, o principal índice acionário da bolsa brasileira entregou uma alta de 3%. Foram quatro ganhos seguidos do Ibovespa, até marcar a queda de hoje. No mês de outubro, já acumula ganhos superiores a 7% — embora no ano ainda amargue perdas de 12,4%.
Não há nenhum sinal de pessimismo particular dos investidores. As questões no radar são antigas: risco fiscal e pacotes de estímulos lá fora, temperados pela expectativa de balanços do terceiro trimestre. Hoje, o que deu o tom foi uma correção por realização de lucros.
"O Ibovespa devolveu alguns dos seus ganhos desta semana em um dia de volatilidade devido à indefinição sobre o pacote de estímulos", disse Arthur Spirandelli, especialista em renda variável do escritório Acqua Investimentos, filiado à XP Investimentos.
"É um movimento de correção, com bancos realizando um pouquinho hoje", afirmou Henrique Esther, analista da Guide.
No fim das contas, os papéis de bancos realizaram mais do que só "um pouquinho". As ações preferenciais (PN) do Itaú (ITUB4), por exemplo, caíram 1,3%, e as units do BTG Pactual, 1%.
As ações ordinárias (ON) e PN da Petrobras, por sua vez, perderam 1,5% e 1,15% na sessão final da semana.
As ações de Hypera recuaram 0,57% hoje. A empresa divulga seu balanço após o fechamento dos mercados.
As ações da JBS, por sua vez, estiveram entre as cinco maiores perdas percentuais do índice, repercutindo a disputa entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social com a companhia.
O BNDES quer a abertura de uma ação contra a J&F, controladora da empresa, para que haja indenização por prejuízos devido a crimes confessados em delação fechada em 2017. Nesta semana, papéis da JBS caíram 8,4%.
Os papéis da PetroRio, repercutindo como os da Petrobras a queda do petróleo lá fora, lideraram a queda percentual do índice. Veja as maiores quedas do índice hoje:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 36,30 | -3,66% |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 14,65 | -3,43% |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 21,30 | -3,31% |
| GNDI3 | Intermédica ON | R$ 64,34 | -3,15% |
| CCRO3 | CCR ON | R$ 12,37 | -2,90% |
Confira também as maiores altas do Ibovespa:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 25,44 | 4,35% |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 7,09 | 3,96% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 21,47 | 2,63% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 18,47 | 2,55% |
| ABEV3 | Ambev ON | R$ 13,89 | 2,36% |
As bolsas americanas tiveram um dia de flutuação, sem direção clara.
Os índices abriram com ganhos, ainda na esperança da aprovação de um novo pacote fiscal de estímulos antes das eleições presidenciais, mas começaram a perder força no fim da manhã e viraram o sinal. Eventualmente, se definiram em terrenos apontando sinais mistos.
O Dow Jones caiu 0,10%, enquanto o S&P 500 subiu 0,34% e o Nasdaq terminou em alta de 0,37%.
Resultados frustrantes pesaram no sentimento dos investidores. Números da Intel apresentaram queda forte nas receitas de governos e empresas e os da American Express mostraram forte queda do lucros. Os papéis da Intel recuaram 10,6%, e os da Amex, 3,6%.
Mas a novela continua: o impasse nas negociações entre democratas e republicanos não tem solução, o que mantém a atenção dos investidores ao redor do mundo e traz volatilidade.
Importante parâmetro para as ações brasileiras pela similaridade de componentes no índice, o S&P 500 caiu nesta semana, após três semanas seguidas de queda, apesar de ter fechado o dia em alta.
Durante o debate presidencial de ontem à noite — o último da corrida presidencial, a pouco mais de 10 dias das eleições —, o presidente Donald Trump acusou a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, de não querer aprovar o acordo antes das eleições de 3 de novembro.
Em entrevista à Fox Business, o Diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse hoje que democratas e republicanos ainda têm diferenças significativas nas negociações do pacote.
Já o dólar à vista fechou para cima, avançando 0,60%, para R$ 5,6295. A moeda americana reduziu suas perdas globalmente durante o dia, com o Dollar Index (DXY), que compara o dólar a uma cesta de outras divisas, recuando apenas 0,2%.
A divulgação dos PMIs (Índices de Gerentes de Compras) dos Estados Unidos referentes a outubro, que mostraram alta e superaram as estimativas, ajudou a moeda a recobrar um pouco de força. O PMI de serviços avançou a 56, ante uma expectativa de 55 dos analistas ouvidos pelo jornal The Wall Street Journal.
De fato, moedas emergentes pares do real, como peso mexicano e rublo russo, se valorizaram frente ao dólar, o que indica outro dia de descolamento da taxa de câmbio brasileira.
"É dia de dólar fraco lá fora com a expectativa do pacote de estímulos, mas a inflação do IPCA-15 pesou", diz Camila Abdelmalack, economista da Veedha Investimentos. "Isso trouxe uma preocupação para os investidores porque temos inflação subindo em ritmo maior que o esperado sem o problema fiscal resolvido."
Os juros futuros fecharam em forte alta nesta sexta, repercutindo justamente a divulgação do IPCA-15, a chamada prévia da inflação, acima do teto das estimativas dos analistas consultados pelo Broadcast, serviço em tempo real do Estadão.
A inflação medida pelo indicador foi de 0,94% em outubro, ante 0,45% em setembro. O mercado projetava um índice entre 0,52% e 0,93%, com mediana de 0,82%.
Os preços dos alimentos continuaram subindo em outubro, o que levou o IPCA-15 de outubro à maior alta para o mês desde 1995.
O grupo Alimentação e Bebidas avançou 2,24%, contribuindo com 0,45 ponto porcentual do total, o maior impacto de alta entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pressão inflacionária tem puxado os juros para cima, e o reflexo da alta dos preços no principal índice ao consumidor contribuiu para o forte avanço das taxas. Veja o desempenho dos principais vencimentos:
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