Ibovespa perde gás, mas sobe acima dos 118 mil pontos com bom humor no exterior e ainda persegue máxima
Possibilidade de estímulos e alta de commodities sustenta índice; dólar cai a R$ 5,07 e juros têm sinais mistos após RTI mostrar BC confortável com inflação de 2021

O Ibovespa está cada vez mais próximo do topo histórico de 119.593 pontos, registrado em 24 de janeiro, embora tenha perdido o gás na sessão desta quinta-feira (17). De qualquer forma, o que importa mesmo é que o índice continua andando — e a sua recuperação se faz cada vez mais completa.
O principal índice acionário da B3 encerrou o dia cotado aos 118.400 pontos, em alta de 0,46% — a meio do caminho da máxima do dia, de 0,99%, quando retomou os 119 mil pontos pela primeira vez também desde janeiro. Com isso, marcou a terceira alta seguida e está a 1.500 pontos do topo.
Foi o maior patamar de fechamento do índice desde 23 de janeiro, quando encerrou a 119.530 pontos — máxima de encerramento de uma sessão.
Dois fatores foram os responsáveis por esse desempenho: a alta das commodities e a perspectiva de estímulos nos Estados Unidos, que animou as bolsas globais.
As ações do setor de siderurgia, no geral, tiveram um bom dia, após novo avanço do minério de ferro na China. Papéis de CSN e Gerdau avançaram 2,6%. Com participação de mais de 12% na carteira do índice, Vale ON avançou mais de 1%.
Os papéis da Petrobras foram outros que tiveram importante contribuição de alta, avançando no mínimo 0,2% — Petrobras ON subiu 1,3%.
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No mercado internacional, o impulso à tomada de risco foi contínuo.
Sustentados pelas perspectivas de que um pacote de ajuda fiscal nos EUA será fechado dentro em pouco, após meses de vaivéns, os investidores foram às compras de ações. Com isso, os índices acionários à vista em Nova York subiram ao menos 0,5%.
Mas foi muito mais do que isso o que aconteceu hoje: S&P 500, Dow Jones e Nasdaq registraram os maiores patamares de suas histórias em fechamentos, levados pela perspectiva de ver mais liquidez na praça.
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O cenário político de fato indica que as chances da apreciação de um acordo por estímulos fiscais aumentou no curtíssimo prazo.
Os líderes do Congresso americano ficaram mais perto de firmar, na quarta (16), um pacote no valor de cerca de US$ 900 bilhões. A proposta, há muito esperada pelo mercado, inclui outra rodada de pagamentos às famílias. E, deste modo, agentes financeiros pararam de ver o impasse e passaram a olhar para a sua resolução — mesmo que ela ainda não seja concreta.
Quem sobe, quem desce
As contribuições de Vale e Petrobras foram decisivas para o índice, mas outros destaques de commodities ficaram por conta de Suzano e Klabin, produtoras de celulose.
A PetroRio foi outra que manteve o ímpeto e, hoje, avançou 3,7%, acumulando 14% de alta no mês com o petróleo e as projeções de aumento da produção.
Enquanto isso, as ações da Braskem lideraram as altas do índice com a possível volta ao radar das conversas pela compra de fatia da Odebrecht na empresa.
Veja as maiores altas do Ibovespa:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| BRKM5 | Braskem PNA | 24,10 | 7,59% |
| TOTS3 | Totvs ON | 28,32 | 5,36% |
| CSAN3 | Cosan ON | 77,42 | 4,59% |
| PRIO3 | PetroRio ON | 58,25 | 3,74% |
| CSNA3 | CSN ON | 29,42 | 3,70% |
Ações que sofreram duramente com a crise, CVC ON, Azul PN e Gol PN recuaram hoje. No entanto, os papéis vêm de uma recuperação recente, o que indica disposição dos investidores de se desfazerem das ações e realizar lucros.
Multiplan e Iguatemi também caíram ao menos 1,2% hoje — como as aéreas, papéis foram afetados no ano e acumulam quedas de cerca de 20%.
Confira as principais baixas do dia:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| CVCB3 | CVC ON | 21,14 | -3,29% |
| UGPA3 | Ultrapar ON | 23,37 | -2,58% |
| SANB11 | Santander Brasil units | 44,00 | -2,40% |
| AZUL4 | Azul PN | 38,74 | -2,37% |
| MRVE3 | MRV ON | 20,06 | -2,10% |
Investidores tomam risco e vendem dólar
Se a figura é ótima para as bolsas de valores globais, é ruim para o dólar, ativo de segurança em situações de aumento de risco, que hoje continuou a se enfraquecer diante de rivais fortes, como o euro, a libra e o iene.
O Dollar Index (DXY), que compara a divisa a essas moedas, recua 0,75%, para abaixo do patamar de 90, nas mínimas desde abril de 2018.
O dólar também reagiu ao sinal de ontem do Federal Reserve, o banco central americano, de que os juros continuarão parados até 2023 e de que as compras de títulos do Tesouro do país e também os hipotecários continuarão ao mesmo ritmo até haver progresso na recuperação econômica.
Além disso, o número de pedidos de seguro-desemprego do país subiu 23 mil para 885 mil na semana passada, conforme indicado pelo Departamento do Trabalho do país. O dado veio acima da expectativa, que era de 808 mil solicitações — reforçando a perspectiva de retomada lenta do mercado de trabalho e da economia do país.
Contra moedas emergentes, a toada foi a mesma: dólar fraco. No fim da sessão, a moeda marcava queda de 0,5%, para R$ 5,0788.
"A tensão nos próximos dias só deve ficar em torno da rolagem dos contratos de swap [venda de dólar no mercado futuro]", diz Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos. "Se o BC tirar um pouco o pé dessa venda de swaps em um momento de dólar em franca queda, pode dificultar esse movimento de baixa das últimas semanas."
Nos últimos dias, a ação do Banco Central tem sido fundamental para aliviar a taxa de câmbio. A autoridade monetária tem ofertado US$ 800 milhões para reduzir a procura por dólar no mercado futuro na reta final de 2020, impactando o preço da divisa.
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Os juros futuros dos depósitos interbancários curtos predominantemente operaram em viés de baixa, por sua vez, com ajuste baixista de 1 ponto-base (0,02 ponto percentual). Enquanto isso, taxas intermediárias, como as para janeiro/2023, avançaram, com o mercado represando uma alta da Selic no curto prazo para uma elevação em médio termo.
Juros longos, como os para janeiro/2025, fecharam estáveis.
Os movimentos ocorreram em um contexto de divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central, que apontou novamente conforto da autoridade monetária com a inflação para 2021.
Publicado no começo desta manhã, o RTI mostrou que o BC manteve a sua estimativa para a inflação em 2020 em 4,3%.
Para o ano que vem, a projeção é de que o IPCA fique em 3,4%, uma "folga" em relação ao centro da meta de inflação definida para o ano, de 3,75% — o que volta a indicar a manutenção do juro básico no atual patamar de 2% ao ano ao longo dos próximos meses. As projeções foram feitas utilizando o cenário do Relatório de Mercado Focus e o câmbio atualizado.
Hoje, o Tesouro Nacional realizou leilão de até 22 milhões de LTNs (Letras do Tesouro Nacional), títulos prefixados curtos, 2,8 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional série F), títulos prefixados longos, e até 1 milhão de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), pós-fixados atrelados à variação da taxa Selic.
Foram vendidos 15 milhões de LTNs para janeiro de 2024, 6 milhões para outubro de 2022 e 1 milhão para abril de 2021; 2,5 milhões NTN-Fs para janeiro de 2027 e 200 mil para janeiro de 2031; além de 579,25 mil de LFTs para março de 2027 e 365 mil para março de 2022.
Veja as taxas dos principais vencimentos:
- Janeiro/2021: de 1,908% para 1,900%
- Janeiro/2022: de 2,98% para 2,97%
- Janeiro/2023: de 4,35% para 4,40%
- Janeiro/2025: estável em 5,93%
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