Rappi recebe aporte de US$ 1 bilhão do Softbank
Para especialista, a notícia é ruim para startups brasileiras como o iFood, pois dá mais poder de fogo à estratégia já agressiva da colombiana

A startup colombiana de entregas Rappi anunciou ontem que recebeu uma nova rodada de investimentos no valor de US$ 1 bilhão, liderada pelo grupo japonês SoftBank. É o maior aporte já recebido por uma startup latino-americana - o recorde pertencia ao iFood, que levantou US$ 500 milhões no ano passado.
O investimento está sendo feito conjuntamente pelo SoftBank e pelo Vision Fund, fundo de inovação de US$ 100 bilhões que a empresa comanda, com participação de companhias como Apple e Qualcomm.
No futuro, o aporte será repassado ao Innovation Fund, criado pelo SoftBank para investir US$ 5 bilhões em startups latinas nos próximos anos. Anunciado em março, o fundo 'latino' ainda está sendo institucionalizado.
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Com os recursos, a startup colombiana pretende expandir suas operações na América Latina, onde está em sete países diferentes e tem cerca de 3,6 milhões de usuários - segundo a empresa, 20% deles estão no Brasil, distribuídos entre 13 cidades.
"É o momento para uma América Latina pautada pela tecnologia e o apoio do SoftBank é essencial para liderar essa transformação", escreveu o cofundador da Rappi, Simón Borrero, na nota enviada à imprensa.
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Além disso, a empresa também pretende utilizar o aporte para aprofundar sua proposta de ser uma central de serviços: nos últimos tempos, além de entregas de comida, itens de farmácia e produtos de supermercado, o app do Rappi também pode ser usado para liberar patinetes (em parceria com a Grow) ou requisitar empregados domésticos (junto à startup brasileira Parafuzo).
É uma tendência ainda pouco presente no Brasil, mas bastante comum no mercado chinês - no WeChat, espécie de WhatsApp local, é possível mandar mensagens e realizar pagamentos, além de requisitar diversos serviços.
Esse aspecto da estratégia foi ressaltado por Marcelo Claure, diretor de operações do SoftBank e presidente executivo do Innovation Fund. "A Rappi tem visão ousada para criar um super aplicativo de serviços para a América Latina, melhorando a vida de milhões na região", disse ele na nota enviada à imprensa.
Na visão de Alan Leite, presidente executivo da aceleradora brasileira Startup Farm, é uma estratégia interessante, mas que envolve riscos. “É preciso garantir que os parceiros estão no mesmo nível de entrega e qualidade”, afirma.
Para Leite, o aporte é uma má notícia para startups brasileiras que disputam segmentos com a Rappi, como delivery de comida (iFood) ou logística (Loggi). “A Rappi tem uma estratégia agressiva, e agora tem capital para isso. Por outro lado, a dúvida é saber se ela vai manter o padrão de atendimento enquanto cresce.”
Fundada em 2015, a Rappi é uma das startups latinas de maior crescimento já registrado. No ano passado, a empresa se tornou um unicórnio (avaliada em mais de US$ 1 bilhão, segundo o jargão do setor), após receber um aporte de US$ 220 milhões do DST Global.
Outros nomes fortes do Vale do Silício, como Sequoia Capital e Andressen Horowitz, também já apostaram na startup. Com a nova rodada, a Rappi já captou US$ 1,4 bilhão em investimentos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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