Fundo japonês deve escolher Creditas e Grow
Aporte na Creditas deve ser anunciado nas próximas semanas e levantar US$ 200 milhões. Já o valor investido na Grow deve girar em torno de US$ 150 milhões

A fintech de crédito Creditas e a startup de mobilidade urbana Grow devem receber os dois primeiros aportes do fundo de US$ 5 bilhões montado pelo grupo japonês SoftBank para investir em empresas iniciantes da América Latina, de acordo com fontes próximas ao assunto.
Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, o aporte na Creditas já foi assinado e deve ser anunciado nas próximas semanas: a empresa, que oferece empréstimos pessoais a partir de imóveis e automóveis como garantia, deve levantar US$ 200 milhões. Com a rodada, a empresa deve ser avaliada em US$ 500 milhões.
Já o aporte na Grow deve girar em torno de US$ 150 milhões e avaliar a empresa em US$ 700 milhões. Inicialmente, os investimentos devem ser feitos por uma linha de crédito, avaliada em US$ 2 bilhões, até que o fundo receba autorização para operar. Assim que isso acontecer, os recursos serão transferidos.
Procurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o presidente executivo da Creditas, Sergio Furio, disse que a empresa "conversa com muitos investidores, mas não comenta conversas sobre potenciais parceiros." Em entrevista recente ao jornal, Furio disse que a startup estava prospectando uma rodada de investimentos para 2019. "Receber uma avaliação polpuda em uma rodada de investimentos é como ter dinheiro de 'papel'", disse na ocasião. "Uma empresa só é valiosa se resolver problemas relevantes."
Acelerador
A operação na Grow ainda está sendo fechada e deve demorar algumas semanas. Caso se concretize, o aporte deixa a startup de bicicletas e patinetes elétricos, uma fusão da mexicana Grin com a brasileira Yellow, perto da marca de ser avaliada em US$ 1 bilhão - um unicórnio, no jargão do mercado. Por meio de nota, a Grow disse que "o quadro de investidores permanece inalterado e os dados apresentados não correspondem à realidade da empresa". Já o SoftBank não respondeu às solicitações de entrevista até o fechamento da reportagem.
As duas empresas que fundaram da Grow começaram a operar no mercado em 2018. Segundo as fontes, o aporte deve servir para expandir a operação da empresa pela América Latina e reforçar a divisão de patinetes elétricos, que têm rentabilidade maior do que a operação de bicicletas, considerada muito custosa.
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Além disso, é bom lembrar que o primeiro investimento feito no Brasil pela SoftBank, em 2017, foi na 99, startup de mobilidade urbana criada por dois dos cofundadores da Yellow, Ariel Lambrecht e Renato Freitas.
Para Felipe Matos, autor do livro 10 Mil Startups e fundador da aceleradora Startup Farm, uma das mais tradicionais do mercado brasileiro, os dois aportes são uma amostra do poder de fogo do SoftBank. O fundo da empresa é cerca de quatro vezes maior que todo o investimento de capital de risco em startups (venture capital) feito no mercado latino americano em 2017, segundo dados da Associação Latino Americana de Venture Capital (Lavca, na sigla em inglês).
"O SoftBank costuma investir em empresas com avaliação superior a US$ 100 milhões: Creditas e Grow são candidatos que fazem bastante sentido, nesse caso", diz Matos. "Na América Latina, a atuação deles deve se concentrar em empresas 'pré-unicórnio', em rodadas antes das empresas atingirem tal avaliação."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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