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2019-04-04T12:28:39-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juros

Relatório de Inflação reafirma estabilidade da Selic em 6,5%

Documento divulgado agora pela manhã reforça cautela, serenidade e perseverança e Roberto Campos Neto deve fazer o mesmo em entrevista logo mais

28 de março de 2019
9:10 - atualizado às 12:28
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central no governo Bolsonaro
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. - Imagem: Marcos Corrêa/PR

O Relatório de Inflação do Banco Central (BC) mantém o aceno de que a manutenção da Selic em 6,5% ao ano é o cenário mais provável enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) aguarda uma redução das incertezas e dos choques que afetam a economia desde o ano passado.

“O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo”, diz o documento, repetindo a decisão da semana passada e ata divulgada na terça-feira.

Está lá também as mensagens de que a economia segue em processo de recuperação gradual, mesmo com resultados recentes aquém do esperado.

Para o BC, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 crescerá 2%, ante projeção anterior de 2,4%. No mercado, as projeções já caíram de cerca de 2,5% para 2% e devem continuar recuando.

Essa revisão para baixo, enquanto as projeções de inflação seguem ao redor das metas deve dar algum fôlego para a alta do mercado e da academia que defendem uma redução da Selic como forma de dar um impulso a retomada da atividade.

O BC, no entanto, se mantém firme, reafirmando “cautela, serenidade e perseverança” na condução da política monetária, indicando que não se pautará por mudanças de curto prazo no cenário, mas sim por mudança de tendência.

Tal postura deve ser reforçada pelo presidente Roberto Campos Neto que concede sua primeira entrevista coletiva logo mais, por volta das 11 horas.

A grande mudança de tendência, que virá acompanhada de redução de incerteza, é a implementação da agenda de reformas, notadamente a da Previdência. Faz tempo o BC vem indicando que precisar de sinais mais claros sobre essa agenda.

Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em audiência no Senado, que com a reforma da Previdência os juros caem até 2 pontos percentuais, mas que se o BC quiser empurrar na força as taxas para baixo, poderemos repetir a experiência de Dilma Rousseff e do ex-presidente Alexandre Tombini, quando o juro caiu a 7,25%, mas logo teve de subir, indo aos 14,25% do ciclo anterior.

Guedes tem claro que sem ajuda da política fiscal, o uso da política monetária fica restringido e que o descasamento dessas políticas ao longo das últimas décadas relegou uma enorme conta de juros.

Projeções

Com a recente disparada do dólar, algumas projeções parecem “vencidas” dentro do relatório, mas servem para indicar a ainda grande sensibilidade dos preços locais aos fatores externos.

No cenário com taxa Selic constante a 6,50% e taxa de câmbio a R$ 3,85, as projeções situam-se em torno de 4,1% para 2019 e 4,0% para 2020. Na reunião de fevereiro, com dólar a R$ 3,70, a projeção era de 3,9% para este ano.

A meta é de 4,25% para 2019 e de 4% para 2020. Cabe lembrar que 2020 tem peso crescente nas decisões do BC em função dos efeitos cumulativos e defasados das ações de política monetária. Com dólar a R$ 4 praticamente, não é exagero dizer que as projeções escapam no centro da meta.

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020.

Esse cenário supõe trajetória de taxa Selic que encerra 2019 em 6,50% e se eleva a 7,75% em 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$ 3,70 e 2020 em R$ 3,75.

O BC já projeta inflação mais elevada entre os meses março e maio, refletindo o comportamento de preços administrados (gasolina e energia elétrica).

Cena internacional

O BC reafirma que o cenário externo permanece desafiador. Por um lado, os riscos associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas recuaram. Por outro lado, os riscos associados a uma desaceleração da economia global, em função de diversas incertezas, mostram-se mais elevados.

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