2019-05-08T18:40:52-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juros

Copom mantém Selic em 6,5% e acena manutenção neste patamar

Comunicado enfatiza ambiente de elevada incerteza e diz que a avaliação sobre a economia demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo

8 de maio de 2019
18:22 - atualizado às 18:40
Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) - Imagem: Raphael Ribeiro/ BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano. Resultado unânime dentro do colegiado do Banco Central (BC) e em linha com o consenso de mercado. O aceno é de manutenção no atual patamar dado o elevado grau de incerteza que cerca a economia brasileira.

Juro baixo e estável é boa notícia para os investimentos, notadamente, bolsa de valoresfundos imobiliários e títulos longos do Tesouro Direto.

No comunicado apresentado após a reunião, o Copom volta a dizer que “cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas”.

Para o colegiado do BC, os indicadores recentes da atividade econômica sugerem que o arrefecimento observado no final de 2018 teve continuidade no início de 2019. Mas que o cenário do Copom contempla “retomada do processo de recuperação gradual da atividade econômica”.

O Copom também volta a dizer que a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

Nesse parágrafo surge uma breve novidade em comparação com a decisão de março, o colegiado enfatiza a necessidade de esperar a redução do grau de incerteza que ainda existe na economia.

“O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, livre dos efeitos remanescentes dos diversos choques a que foi submetida no ano passado e, em especial, com redução do grau de incerteza a que a economia brasileira continua exposta. O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo.”

Inflação

No cenário com juros constantes a 6,50% e taxa de câmbio a R$/US$ 3,95, as projeções geradas pelo modelo do BC estão em torno de 4,3% para 2019 e 4,0% para 2020. Em março, com dólar a R$ 3,85, as projeções eram de 4,1% e 4%, respectivamente.

O BC já deixa claro que suas ações visam, “em maior grau”, o ano de 2020. Isso acontece em função da defasagem entre as ações de política monetária e seu efeito no lado real da economia. Vale dizer que um corte de juro agora teria impacto maior em 2020 que em 2019.

No cenário com as estimativas do Focus, a inflação fecharia 2019 em 4,1% e a 3,8% em 2020, aqui contemplando uma Selic de 6,5% neste ano e de 7,5% em 2020. A meta de inflação é de 4,25% em 2019 e de 4% em 2020.

Apesar do repique recente da inflação, o BC diz que as diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis apropriados (em linha com as metas) inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

Balanço de riscos

Na parte dedicada a avaliar os eventos que podem levar a inflação a ficar abaixo ou acima das metas, há uma novidade.

O BC reconhece que o risco de a atividade fraca deixar a inflação abaixo da meta se elevou na margem. Mas reitera a posição de que o balanço de riscos está “simétrico”.

Contrapondo o risco de baixa, seguem listados pelo BC a possibilidade de uma frustração com as reformas afetar prêmios de risco. Quadro que se agrava em caso de piora externa para emergentes.

Cenário externo

Para o Copom, o cenário externo permanece desafiador. Por um lado, há menor preocupação com o processo de normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas. Por outro lado, os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

NOVO MODELO DE NEGÓCIOS

Varejo adota ‘loja-contêiner’ para fugir dos custos de shoppings e aluguéis; conheça o que são os estabelecimentos modulares

A estreante no formato é a Chilli Beans, de óculos de sol. “Acho que não teria uma Eco Chilli se não houvesse pandemia”, afirma o CEO, Caito Maia

NÃO MEXE NO MEU QUEIJO

Membros do mercado financeiro defendem Lei das Estatais em documento enviado ao ao Congresso; revogação seria ‘retrocesso’

O texto também cita o relatório de 2020 em que a OCDE afirma que a Lei das Estatais deixou os conselhos de empresas públicas mais independentes de interferências

NESTA SEGUNDA-FEIRA

Governador de São Paulo fará coletiva nesta segunda-feira após Bolsonaro aprovar isenção do ICMS sem garantia de compensação aos estados

O presidente da República vetou o fundo de ajuda aos estados após sancionar o teto do imposto estadual

SEU DOMINGO EM CRIPTO

‘Compre na baixa’ anima e bitcoin (BTC) busca os US$ 22 mil; criptomoedas aguardam semana de olho no Fed

Entre os destaques da próxima semana estão o avanço dos juros nos Estados Unidos e um possível default da Rússia

DE OLHO NO FUTURO

Goldman Sachs quer entrar no mundo da ‘renda fixa’ em criptomoedas e lidera grupo para comprar a Celsius por US$ 2 bilhões

O staking vem crescendo nos últimos meses e é motivo de certa preocupação após o caso da Celsius — e o banco de Wall Street quer um pedaço dele