Menu
2019-10-30T18:18:49-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Desce mais, desce mais um pouquinho

Como ficam os seus investimentos em renda fixa com a Selic em 5,0% ao ano

Banco Central corta a taxa básica de juros novamente, reduzindo a remuneração dos investimentos mais conservadores

30 de outubro de 2019
18:18
Calculadora com sinal de porcentagem representando juros
Imagem: Shutterstock

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) efetuou, nesta quarta-feira (30), um novo corte na taxa básica de juros, a Selic. Com a redução de 0,5 ponto percentual, os juros atingem nova mínima histórica, de 5,00% ao ano, dentro da expectativa do mercado.

Nos Estados Unidos, hoje também foi dia de reduzir os juros. O Federal Reserve (Fed), banco central daquele país, derrubou as taxas em 0,25 ponto percentual, para a banda de 1,50% a 1,75%.

A inflação baixa e controlada no Brasil permitiram o novo corte, na tentativa de estimular nossa combalida economia. E, com os juros tão baixos, a renda fixa tradicional continua a perder atratividade.

Os investimentos mais conservadores, cuja remuneração é atrelada à Selic ou à taxa DI - taxa de juros que costuma acompanhar a taxa básica - passarão a pagar ainda menos. É o caso do Tesouro Selic (LFT), da caderneta de poupança, dos fundos DI e de títulos como CDB, LCI e LCA pós-fixados.

Os ativos de risco, no entanto, mais ligados à economia real, continuam a ser beneficiados. É o caso das ações, dos imóveis e dos fundos imobiliários.

Com isso, os investidores ultraconservadores sofrem. Mas mesmo que você aceite um pouco mais de risco na sua carteira, certamente verá o rendimento da sua reserva de emergência minguar.

O mercado espera que o ciclo de cortes continue. Segundo o último Boletim Focus, do Banco Central, a perspectiva para a Selic no fim do ano é de 4,50%. Mas já há quem projete menos do que isso. A Itaú Asset, por exemplo, espera juros de 4,00% no fim de 2019 e 3,75% no fim de 2020.

Como ficam os investimentos conservadores com a Selic em 5,00% ao ano

Para você ter uma ideia de como o retorno da renda fixa conservadora está apertado, eu fiz uma simulação de rentabilidade com quatro aplicações pós-fixadas no novo cenário de juros: caderneta de poupança, Tesouro Selic (LFT), fundo de renda fixa e Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Considerei Selic constante de 5,00% ao ano e o CDI constante de 4,90%, um pouco abaixo, como costuma acontecer.

Retorno dos investimentos de renda fixa conservadora com Selic a 5,0% ao ano

Parâmetros

A poupança atualmente paga 70% da taxa Selic mais Taxa Referencial (TR), que no momento encontra-se zerada. Não tem taxas nem imposto de renda, e sua rentabilidade é mensal, apenas no dia do aniversário.

Já o Tesouro Selic é um título público que paga, no vencimento, a Selic mais um ágio ou deságio. Se vendido antes do vencimento, o retorno é levemente sacrificado em função de uma diferença entre as taxas de compra e venda do papel (spread), o que pode deixar a rentabilidade inferior à Selic do período.

O rendimento é diário, e há cobrança de IR e de uma taxa de custódia obrigatória de 0,25% ao ano, paga à B3. Considerei, ainda, que a corretora utilizada para operar no Tesouro Direto não cobra taxa de agente de custódia.

Para simular o retorno do fundo de renda fixa, considerei um fundo que só invista em Tesouro Selic e não cobre taxas. Supus, portanto, que seu retorno represente a variação do CDI no período menos o imposto de renda. Seria similar, por exemplo, para um CDB, RDB ou conta de pagamentos que pagasse 100% do CDI.

Vale aqui uma observação: os fundos com esse perfil não têm pago 100% do CDI. Sua remuneração tem ficado um pouco abaixo disso. A simulação é apenas ilustrativa.

Por fim, simulei o retorno da LCI porque se trata de um título isento de taxas e de IR. Considerei um papel que pague 100% do CDI (às vezes surge uma dessas por aí), apenas para você ver que 100% do CDI, atualmente, não é lá grande coisa.

Escolhi quatro prazos de forma a contemplar as quatro alíquotas de IR possíveis, no caso das aplicações tributadas (Tesouro Selic e fundos). Usei datas reais para poder usar o simulador do Tesouro Direto para calcular o retorno do Tesouro Selic, de modo a incluir a taxa de custódia e o spread nos cálculos no caso de uma venda antes do vencimento.

Para calcular o retorno da poupança utilizei os prazos em meses e anos. Já para simular os retornos do fundo e da LCI, levei em conta o número de dias úteis entre as duas datas reais consideradas em cada prazo.

Para ganhar mais, você vai ter que correr mais risco - mas cuidado para não correr risco demais

Como você pode ver, mesmo os melhores investimentos conservadores em termos de rentabilidade e segurança - aqueles que remuneram ao redor de 100% do CDI - já estavam pagando pouco e agora vão passar a pagar ainda menos. Aquela realidade de ganhar 1% ao mês com baixo risco, que o investidor brasileiro tanto aprecia, fica cada vez mais distante.

Um ponto muito importante é baratear o seus investimentos conservadores o máximo possível. Fundo com taxa de administração alta simplesmente não dá mais, minha gente.

Mas mesmo que você invista em um fundo ou título que pague, líquido, perto de 100% do CDI, você pode ver que isso não representa mais grande coisa. Afinal, 100% de quase nada é quase nada.

Ou seja, para ganhar mais, não tem jeito, é preciso se abrir à possibilidade de correr mais risco, seja de bolsa, seja no mercado imobiliário, seja em aplicações de renda fixa menos conservadoras.

Quer aprender a investir em ações por conta própria? Baixe agora nosso ebook exclusivo com o que você precisa saber desde o primeiro passo!

Apenas tome cuidado para, na avidez de ganhar mais, não acabar investindo um percentual muito alto das suas reservas em ativos de risco, ou então acabar correndo riscos desnecessários.

Se você já tem um bom patrimônio, não precisa deixar todo o seu dinheiro em aplicações conservadoras, pois é improvável que você precise gastá-lo todo amanhã, mesmo em caso de emergência.

Mas também não precisa ser suicida e migrar tudo para o risco. Mantenha sempre, sempre, sempre uma boa reserva de emergência em aplicações conservadoras e de alta liquidez, mesmo que elas estejam rendendo pouco. Mas escolha uma que renda perto de 100% do CDI. Nada de poupança, ouviu?

Fique atento também ao prazo dos seus objetivos financeiros, à sua idade e, é claro, ao seu estômago. Se você tem um objetivo para se concretizar dentro de alguns meses ou está aposentado, por exemplo, preservar seu capital é mais importante do que ganhar uma grande rentabilidade.

Recentemente, eu escrevi duas reportagens sobre onde investir nesse cenário de juros mais baixos, uma voltada para os investidores conservadores e outra voltada para os investidores mais arrojados, que realmente querem ganhar dinheiro neste cenário.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Oportunidade para o investidor

Conselho da Iguatemi aprova emissão de R$ 264 milhões em debêntures

Trata-se da oitava emissão dos títulos pela empresa, que serão negociados em série única e vinculados a uma emissão de CRI

Seu Dinheiro na sua noite

O que mudou e o que não mudou na bolsa

Quando surgiram as primeiras notícias sobre o surto do coronavírus na China, havia poucos elementos para afirmar se estávamos ou não diante de uma crise de saúde de proporções globais. Hoje já não temos mais dúvidas disso. A dolorosa queda de 7% da bolsa na quarta-feira de cinzas marcou a passagem da incerteza que tínhamos […]

É dólar na veia

Na luta para conter o dólar, Banco Central anuncia oferta de US$ 1 bilhão em contratos de swap nesta sexta-feira

Negociação será realizada na bolsa entre 9h30 e 9h40 e deve contemplar até 20 mil contratos

Dados do Banco Central

Reservas internacionais subiram US$ 976 milhões no dia 26 de fevereiro, para US$ 360,578 bilhões

Resultado reflete sobretudo a oscilação do valor de mercado dos ativos que compõem as reservas

Menor nível em quatro meses

Pressionado pelo coronavírus, Ibovespa cai mais 2,59% e fecha na mínima do dia; dólar sobe a R$ 4,47

O mercado até ensaiou um movimento de recuperação no meio da tarde, mas a cautela com o surto de coronavírus prevaleceu, derrubando o Ibovespa — apenas quatro ações do índice fecharam em alta. O dólar cravou mais uma máxima

No radar

Abimaq diz não ter dado que indique desabastecimento por causa do novo coronavírus

Setor de máquinas está promovendo ações preventivas para evitar qualquer risco de desabastecimento

Negócio em aberto

Bayer concorda com nova revisão sobre aquisição da Monsanto

Empresa vai permitir que um especialista independente revise suas regras e examine os seus principais negócios

Enchentes

Chuvas de fevereiro dão prejuízo de R$ 203 milhões ao comércio do sudeste, diz CNC

Mais da metade do rombo foi concentrado no Estado de São Paulo

Não vai dar

Facebook e Microsoft cancelam participação em eventos por temor com coronavírus

Sony, Electronic Arts e Unity Technologies também já tinham informado que não participariam de conferência

Embraer monitorada

S&P mantém rating BBB da Embraer em observação para eventual rebaixamento

Avaliação reflete a aprovação ainda pendente da Comissão Europeia sobre o acordo entre a empresa brasileira e a Boeing, diz agência

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements